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Guerra traduzida na Rádio Observador. Como sempre, analisamos a forma como a imprensa da Ucrânia e da Rússia noticiam a invasão. Hoje temos conosco o jornalista Rui Casanova. Rui, começamos de uma forma diferente do habitual. Vamos dar primeiro destaque à imprensa independente da Rússia, que como seria de esperar, dá muita atenção ao funeral de Alexei Navalny.

Sim, é incontornável. O dia fica marcado pelas cerimônias fúnebres do principal opositor do regime russo. Morreu no dia 16 de fevereiro, na prisão onde estava na Sibéria. A data e o local do funeral foram conhecidos esta semana e as cerimônias decorreram nas últimas horas. É um assunto incontornável na imprensa livre da Rússia. Na estatal já não é tanto assim, mas já lá vamos. Começamos por olhar para o canal livre independente russo Meduza, que explica que a cerimônia decorreu à porta fechada na Igreja do Ícone da Mãe de Deus. Só familiares e amigos próximos puderam aproximar-se do caixão. Depois, o cortejo fúnebre seguiu para o cemitério de Borísov, também em Moscovo. Uma cerimônia com grande controle policial por parte das autoridades russas. Certo é que várias centenas de pessoas seguiram este cortejo e gritaram cânticos de apoio a Alexei Navalny. É o som que ouvimos aqui em fundo, através de vídeos divulgados nas redes sociais. Já no cemitério, as portas também estiveram fechadas, ou seja, a cerimônia foi fechada ao público, mas através das grades, centenas de pessoas prestaram uma última homenagem a Navalny, ao longe, com cânticos, desta vez, religiosos. É o som que aqui ouvimos em fundo. Entretanto, os portões do cemitério foram abertos e foi permitida a entrada de quem quis despedir-se de Alexei Navalny uma última vez. Estas informações foram sendo divulgadas ao longo das últimas horas pela imprensa livre da Rússia, que cita a Fundação Anticorrupção de Navalny, também amigos e familiares do principal opositor da Rússia.

E a mulher de Alexei Navalny, Rui, também divulgou uma mensagem de homenagem ao marido.

Sim, uma mensagem divulgada nas redes sociais precisamente enquanto decorria este funeral. Escreve, e passo a citar: "Obrigado por 26 anos de felicidade absoluta, mesmo nos últimos três anos, pelo amor, por sempre me apoiares, por me fazeres rir mesmo na prisão, pelo fato de sempre teres pensado em mim". Foi assim que Yulia Navalnaya se despediu uma última vez do marido. A imprensa russa adianta também que pelo menos cinco pessoas foram detidas durante as cerimônias. A imprensa estatal russa também tem algumas notícias sobre o funeral, mas com muito pouco destaque. O grande destaque vai para o canal independente Meduza, que tem muitos artigos, muitas notícias com este funeral de Navalny.

E seguimos então com a imprensa estatal russa. A Agência TASS dá destaque, ao contrário do que falavas há pouco, não do funeral de Navalny, mas sim às declarações de Vladimir Putin sobre armas nucleares.

Sim, Vladimir Putin afirma que a Rússia não planeia colocar armas nucleares no espaço. São declarações do presidente russo numa reunião do Conselho de Segurança. Vladimir Putin fala assim em notícias falsas vindas do Ocidente. Ainda assim, afirma que as ameaças ao nível aéreo para a Rússia estão sempre no centro das atenções do Kremlin. Estas declarações de Vladimir Putin fazem manchete a esta hora na agência estatal TASS.

E o Ministério da Defesa da Rússia faz um balanço das ações no terreno esta semana.

Desta feita, é uma notícia em destaque na agência estatal Interfax, através de um relatório, um comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia, que explica que na última semana os militares russos realizaram 23 ataques coletivos na Ucrânia. Explica o Ministério da Defesa que visou, sobretudo, instalações do complexo militar industrial da Ucrânia, espaços que, de acordo com o Kremlin, serviam para produzir e armazenar armas que a Ucrânia depois iria utilizar no terreno. Afirma o Kremlin que todos os alvos designados foram atingidos. O Ministério da Defesa da Rússia dá também conta, nesta última semana, de resposta a mais de uma centena de ataques das tropas ucranianas e conclui dizendo que os militares russos melhoraram a posição em várias zonas do território ucraniano nesta guerra contra a Rússia.

Fica então por aqui este episódio da Guerra Traduzida. Já a seguir vamos olhar para a imprensa da Ucrânia.