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Guerra traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com o jornalista José Rafael Lopes. José, boa noite. Começamos com a imprensa da Ucrânia e com a primeira reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

Muito boa noite, Filipa. Reunião essa que está a decorrer e que vai durar pelo menos mais dois dias. A informação chega pelo ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos e a informação é replicada na imprensa ucraniana, que dá conta da importância de toda a reunião. Falam na possibilidade de alcançar entendimentos que possam levar ao início do fim da guerra. A imprensa local da Ucrânia destaca ainda que Volodymyr Zelensky não participou na reunião, mas garantiu estar em contacto constante com a equipa que se deslocou a Abu Dhabi. Houve uma primeira parte do encontro de natureza mais informal e depois passaram-se às negociações oficiais, sendo que não fica resolvido já hoje. Pelo menos mais dois dias nesta reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

E a União Europeia vai enviar quase 500 geradores de emergência para a Ucrânia.

Numa altura em que milhares de famílias na Ucrânia estão sem energia e sem aquecimento por causa dos ataques russos e as temperaturas estão, neste momento, abaixo dos 10 graus negativos na Ucrânia. Estes equipamentos vão ser retirados da reserva estratégica da União Europeia na Polónia, estes 500 geradores, e vão ser entregues nos próximos dias às autoridades ucranianas. A distribuição fica depois a cargo do governo ucraniano e também da Cruz Vermelha. Isto acontece porque a Rússia tem intensificado os ataques à infraestrutura energética para criar pressão sobre a Ucrânia em tempo de inverno rigoroso e é também uma das notícias que está em destaque em praticamente toda a imprensa ucraniana.

E a pretexto desse tema, mais de 2500 edifícios residenciais em Kiev estão às escuras há vários dias.

É o que adianta o autarca da capital ucraniana. Esse número de edifícios sem luz corresponde a cerca de 25% do parque habitacional da cidade. Os principais ataques verificados nas últimas semanas provocaram danos significativos nos sistemas de energia e de aquecimento urbano em várias zonas, sobretudo na parte oriental da capital da Ucrânia. Há habitantes que estão sem aquecimento há mais de 10 dias, numa altura em que o frio é bastante rigoroso, um pouco por toda a Ucrânia. As autoridades municipais já conseguiram repor o serviço em cerca de 600 prédios, mas admitem que a situação continua crítica. Citado pelo jornal Kyiv Independent, o autarca adianta que se mantêm em vigor os cortes de emergência e que as equipas técnicas estão a trabalhar de forma constante para tentar restaurar os serviços básicos de aquecimento.

E no campo de batalha, um ataque com drones russos resultou na morte de quatro civis em Kramatorsk, incluindo uma criança de cinco anos.

De acordo com o jornal Ukrinform, o bombardeamento aconteceu na noite passada. Além dessas mortes, há ainda feridos a registar. Cinco, é o que avança o Ukrinform. De acordo com a Procuradoria Regional de Donetsk, o ataque atingiu uma zona residencial por volta das 11 da noite, hora ucraniana. Os feridos, alguns dos quais em estado grave, sofreram traumatismos provocados pela explosão. Também há registro de queimaduras e escoriações. Pelo menos duas casas ficaram completamente destruídas com este ataque com drones por parte da Rússia. Desde o início da invasão russa, a região de Donetsk registou oficialmente quase 4 mil mortos e mais de 8 mil feridos, números que não incluem as cidades de Mariupol e Volnovakha, onde a dimensão das perdas continua por apurar.

José, Viktor Orbán afirmou que a Ucrânia não vai entrar na União Europeia nos próximos 100 anos e a Ucrânia já respondeu.

Resposta citada pelo jornal The New Voice of Ukraine. O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros deixa um recado ao primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Diz-lhe que esse plano de mandar abaixo a Ucrânia está condenado ao fracasso, porque Putin, o mestre de Moscovo, como é descrito nesse recado, não vai durar um século, mesmo que ofereça a Orbán todos os seus órgãos. Andrii Sybiha avisa também que quando a Ucrânia aderir à União Europeia, vai pedir ao presidente do Parlamento Europeu para que se lembre das mentiras de Orbán ao longo do próximo século. É o recado deixado ao líder da Hungria, que Kiev define como um fã de Vladimir Putin.

Fica por aqui a primeira parte da guerra traduzida. Voltamos já a seguir com a imprensa russa.