As tarifas criadas pelo Governo de Trump às importações de veículos fabricados na Europa que rumam aos Estados Unidos da América tornaram ainda mais necessário para os construtores do Velho Continente instalar fábricas nos EUA. Trata-se de evitar 25% de taxas à importação, o que para Audi equivale a um custo extra anual de 1,4 mil milhões de euros, o que significa que o investimento de 4 mil milhões para construir a nova fábrica norte-americana será recuperado em menos de três anos.

O anúncio da construção da nova fábrica, algures na Geórgia, foi realizado durante um comício de Trump para as Midterms americanas, que se vão realizar a 3 de novembro, com Gernot Döllner, um membro da administração da Audi, a dar a novidade a uma plateia de adeptos do actual Presidente, que arrisca perder o controlo do Congresso e do Senado.

O anúncio fez maravilhas à imagem de Trump, a uma semana das eleições, mas foi pessimamente recebido na Alemanha, o país que se tem desdobrado em subsídios e ajudas aos construtores alemães na última década e que tem assistido ao anúncio do encerramento de quatro fábricas germânicas – número que já subiu para cinco e pode continuar a aumentar -, o que deixa os sindicatos e trabalhadores à beira de um ataque de nervos.

Daniela Cavallo, a representante dos trabalhadores com presença na administração do Grupo VW, não tardou muito em crucificar a administração da Audi, por estar a contratar na América quando estava a despedir na Alemanha, mas a Audi foi mais sensível aos argumentos económicos. Exactamente aqueles que permitem reduzir os custos relacionados com o trabalho, uma vez que na Alemanha o custo de fabricar um carro é em mão de obra em média 3.300 dólares (cerca de 2.965€, incluindo salários, pensões e benefícios sociais), enquanto nos EUA – especialmente no sul do país, onde o peso dos trabalhadores sindicalizados é menor – é de apenas 1.300 dólares (aproximadamente 1.168€). Isto retira aos Audi feitos na Alemanha 1.800€ por unidade, o que pode ser representativo nos modelos mais baratos, mas que dificilmente fará diferença nos modelos topo de gama, precisamente os que a Audi vai produzir nos EUA.

A fábrica georgiana da Audi, localizada a cerca de 320 km da unidade fabril da VW, vai criar 4500 postos de trabalho directos, com a perspectiva de produzir 200.000 unidades por ano. A construção das instalações está prevista arrancar em 2027, para começar a fabricar veículos após 2030.

Os modelos que a Audi vai fabricar nos EUA são, como seria de esperar, os mais apetecíveis para os clientes americanos, nomeadamente o Q7, o Q8 e o Q9. Contudo, não deixa de ser estranho o facto de em 2025, o mercado norte-americano representar apenas 15,8% para a BMW e 14% para a Mercedes, ambas com fábricas nos EUA, com a Audi a colocar no mercado americano 12,5% dos veículos que produz globalmente. Isto significa que o potencial de crescimento, pela criação de uma fábrica nos EUA, não irá só por si aportar grande crescimento.