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"Guerra" traduzida na Rádio Observador. Em tempo de guerra, traduzimos o que dizem os jornais russos e os jornais ucranianos. Temos conosco a jornalista Diana Rosa. Diana, começamos com o inevitável destaque para a proposta de cessar-fogo de 30 dias que a Ucrânia aceitou. Vladimir Putin diz que é possível, mas com condições.
Em conferência de imprensa, Putin afirma que concorda em travar os combates. Alerta para a necessidade de uma trégua que leve a uma paz duradoura. O líder do Kremlin deu também nota de que é necessário desenvolver um mecanismo para controlar possíveis violações da trégua, alegando que a Ucrânia pode usar essa pausa para continuar a mobilizar recursos e armamento. Putin tem estado hoje reunido com o enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, o enviado dos Estados Unidos para o Médio Oriente, que foi hoje a Moscovo para iniciar negociações.
Só que a Rússia está reticente e diz que esta pausa representa um alívio para as forças de Kiev.
Foi a primeira reação oficial que chegou hoje a este plano apresentado pelos Estados Unidos, uma reação que chega do conselheiro de política externa do Kremlin. Em declarações à RIA, Yuri Ushakov diz que o plano, na atual formulação de 30 dias de cessar-fogo, nada mais é do que uma trégua temporária para os militares ucranianos, sendo que a Rússia quer um acordo de longo prazo na Ucrânia que leve em consideração os interesses e preocupações de Moscovo. O oficial russo afirma ainda que algumas das medidas propostas no plano limitam-se a imitar ações pacíficas e não servem para ninguém. Espera, por isso, que os Estados Unidos tenham em consideração as exigências russas. Putin falou hoje com os meios de comunicação social para expor a posição da Rússia em mais pormenor, como já detalhaste. Volodymyr Zelenskyy já reagiu a estas reticências da Rússia, mas vamos saber isso mais à frente, na segunda parte.
É já daqui a pouco. Antes de Putin se pronunciar, a porta-voz dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirmou que as conversas para o cessar-fogo devem manter alguns planos da Europa de fora.
Maria Zakharova admite que Moscovo está disposto a discutir as iniciativas definidas em futuros contactos com os Estados Unidos. Esses contactos foram possíveis a partir de hoje. No entanto, nessa mesma conferência de imprensa, Zakharova não fez saber quais as exigências de Moscovo, para além daquelas que Vladimir Putin mencionou, aquele mecanismo contra uma eventual quebra da trégua. Não adiantou Maria Zakharova quais são as outras exigências para estas negociações, deixando apenas claro que o envio de tropas para a manutenção de paz ou a construção de bases na Ucrânia será inaceitável. Para a Rússia, mesmo tratando-se de soldados da paz, significa um conflito direto e promete atacar o Ocidente com todos os meios disponíveis.
A região de Kursk, ocupada parcialmente pela Ucrânia, é um trunfo que a Rússia queria recuperar antes das negociações. O Kremlin não aceita que esta seja uma moeda de troca.
Vladimir Putin visitou pela primeira vez a região de Kursk depois da ofensiva ucraniana. De camuflado vestido, sentado à mesa de reuniões, mostrou-se confiante de que a região volte completamente para as mãos da Rússia.
Conto que todas as tarefas de combate das nossas unidades serão certamente cumpridas e que o território da região de Kursk será em breve completamente recuperado.
Putin diz que o exército entrou na fase final dos combates para expulsar as tropas ucranianas desta região.
Os serviços de segurança russos afirmam que evitaram uma série de ataques a militares e funcionários públicos na Rússia. Terão sido interceptados kits de perfume que continham explosivos, um plano que, Diana, a Rússia atribui à Ucrânia.
Segundo as agências de notícias russas, os engenhos explosivos foram interceptados pelo FSB em caixas de perfumes que foram enviadas em pacotes por correio para as moradas de oficiais militares e funcionários públicos em oito regiões do país. Em comunicado, as secretas russas afirmam que foi impedida uma série de atos de sabotagem e de terrorismo planeados pelos serviços especiais da Ucrânia contra membros do Ministério de Defesa da Federação Russa, que participam na operação militar especial, ou, como nós aqui dizemos no Ocidente, que participam na guerra na Ucrânia. Segundo o FSB, os pacotes foram encontrados durante atividades de inspeção no aeroporto de Chelyabinsk, tendo sido detectadas cinco encomendas com bombas improvisadas camufladas como conjuntos de perfumes para oferta. Os equipamentos foram desativados por técnicos de explosivos do FSB no local. Fruto desta operação, já foi detido um cidadão russo em Pervouralsk que, segundo o FSB, atuava a mando dos serviços especiais ucranianos. Vai ficar em prisão preventiva até o dia 11 de maio.