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Estamos na guerra traduzida com o que dizem os jornais russos e ucranianos em tempo de guerra na Ucrânia. Hoje com o jornalista João Gama. Boa tarde, João.
Boa tarde, Luís.
Hoje começamos pela imprensa da Ucrânia: Kiev receia um novo ataque russo na região de Sumy, até porque dezenas de milhares de tropas estão sendo destacadas para perto dessa região.
Exatamente. As Forças Armadas Russas concentraram na região de Kursk, em território russo, forças suficientes para poder lançar um ataque à região de Sumy, na Ucrânia. Um alerta deixado pelo porta-voz do Serviço de Guarda de Fronteiras, Andrii Demchenko, esta quinta-feira. A declaração aparece citada com destaque no jornal "Kyiv Independent". Foi feita numa altura em que se admite uma possível nova ofensiva russa já neste verão. Por outro lado, a Rússia tem se tornado cada vez mais ativa nesta região de Sumy, depois de expulsar as forças ucranianas da região de Kursk. Já foi confirmado pelas autoridades ucranianas que as forças russas recapturaram quatro aldeias na região de Sumy, junto à fronteira. Agora, o exército de Kiev nota uma certa alteração no número de soldados e equipamento que está destacado por Moscovo nesta área fronteiriça. Andrii Demchenko avisa que a Rússia juntou forças suficientes para realizar operações contra a fronteira ucraniana.
Mas João, há especialistas militares que alertam que esta pode ser uma distração por parte do lado russo.
E aqui deixamos o "Kyiv Independent" e passamos para o TSN. São especialistas que foram ouvidos por este jornal. Volodymyr Zelensky já tinha dito que a Rússia estava a concentrar 50 mil soldados nesta região com o objetivo de criar uma zona de proteção de possíveis novas incursões ucranianas na região de Kursk. Ora, Serhii Grabskyi, especialista militar, pede em declarações ao TSN que se evite o pânico devido à proximidade das tropas russas. Pede também que o foco da defesa ucraniana esteja neste momento em Donetsk. O resto, acredita este especialista, são ataques secundários e ações de distração, como precisamente o que pode vir a acontecer em Sumy.
E a Alemanha admite enviar novos tipos de mísseis de cruzeiro para a Ucrânia.
Esta é uma notícia que encontramos nos jornais russos, mas principalmente em todos os meios ucranianos. Estamos a falar de mísseis cruzeiros Taurus, desenvolvidos não só, mas principalmente na Alemanha. É um míssil que pode ser utilizado para abater alvos de alto valor, de acordo com a Força Aérea Alemã, como bunkers ou postos de comando de tropas russas. É uma das armas mais modernas de todo o arsenal militar de Berlim. Tem sido cobiçado por Kiev, e apesar de muita relutância alemã, o chanceler Frederick Merz diz que o envio deste tipo de armamento para a Ucrânia está dentro do reino das possibilidades. No Ukrinform, e apesar de esse envio exigir vários meses de treino militares ucranianos, Merz diz que os esforços alemães estão neste momento mais focados em melhorar as capacidades militares imediatas da Ucrânia.
E nos jornais ucranianos há também destaque para o desporto, porque a Ucrânia vai boicotar o Campeonato do Mundo de Judo. Resta saber, João, por quê.
É um campeonato que vai acontecer em junho, em Budapeste, mas não vai contar, como dizias Luís, com a Federação Ucraniana, e por uma razão muito simples: a Bielorrússia vai participar nesta competição. Apesar do apelo de Kiev, os atletas bielorrussos estão autorizados a participar em todas as competições internacionais, desta vez com o emblema da Bielorrússia ao peito, a partir do início de junho deste ano. É uma exigência conhecida do lado ucraniano desde o início da invasão russa. Kiev tem exigido a proibição da participação não só de atletas russos, mas também de atletas bielorrussos. Atletas têm podido participar até agora, mas apenas como atletas neutros e individuais, sem utilizar quaisquer símbolos dos seus países de origem. Mas é uma medida que não se vai manter, pelo menos neste Campeonato do Mundo de Judo, e está com destaque no "Kyiv Independent".
E é com o desporto que termina os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais russos.