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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, é o programa em que falamos sobre o que diz a imprensa russa e a imprensa ucraniana em tempo de guerra. Eu sou o João Gama e comigo está a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.
Olá, João. Boa tarde.
Bem-vinda. Vamos começar hoje pelo que dizem os jornais russos e a Agência TASS destaca que a União Europeia adiou a aplicação do 19º pacote de sanções contra a Rússia.
É uma notícia do jornal Politico, que foi replicada pela imprensa internacional. As capitais europeias foram informadas do atraso ontem à tarde, embora ainda não esteja claro quando é que o pacote será finalizado e o que motivou este atraso, sendo que a chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, já tinha dito anteriormente que as medidas mais recentes do bloco europeu deviam estar prontas até o final deste mês. Alguns dos Estados-membros têm pressionado para que as novas sanções incluam restrições mais rígidas à emissão de vistos para cidadãos russos, por exemplo. A emissão de vistos atualmente é de responsabilidade de cada país, o que gera uma grande variação. Polónia e Países Baixos pararam de emitir vistos turísticos para russos depois da invasão à Ucrânia em 2022, enquanto, por exemplo, a Espanha e a Eslováquia reabriram recentemente centros de registro em Moscovo. A imprensa russa destaca o apelo de Yulia Navalnaya, viúva do ativista da oposição Alexei Navalny, que instou a União Europeia a não impor restrições generalizadas aos vistos de turista, com o argumento de que uma medida como essa iria punir os cidadãos russos comuns e reforçar a propaganda do Kremlin. Desde o ano passado, João, mais de 500 mil russos receberam vistos Schengen, são os dados da Comissão Europeia, o que reflete um aumento acentuado em relação ao ano anterior.
E a Rússia, Diana, está a desenvolver um drone que tem uma autonomia de 24 horas.
Pode andar um dia inteiro no ar, João. O projeto está a ser desenvolvido por engenheiros russos. A informação foi divulgada às agências estatais pela Frente Popular. É um dispositivo que funciona com um repetidor de comunicações, aumenta o alcance dos drones de ataque e dos sistemas de guerra eletrónica. Este drone é capaz de transportar uma carga entre 10 a 30 quilos e pode ser equipado com repetidores e sistemas de iluminação. O sistema inclui um drone e uma estação terrestre que controla a movimentação deste equipamento, fornece-lhe energia e comunica via canal de rádio ou fibra ótica. Tem controle inteligente que permite que o drone opere em condições muito difíceis e estas 24 horas de voo podem ser estendidas, tendo em conta a capacidade do motor. Foi projetado para interceptar os drones ucranianos multifuncionais e de grandes altitudes. É uma notícia que está no "Komsomolskaya Pravda".
O exército ucraniano está sobrecarregado com prisioneiros e a contagem, Diana, está qualquer coisa como na casa das dezenas de milhares.
É uma notícia da TASS, que cita o Ministério da Justiça ucraniano, diz que mais de 10 mil condenados estão a servir nas fileiras das Forças Armadas. A Ucrânia terá ido buscar homens que estavam detidos para servirem diretamente na linha da frente, por causa da falta de efetivo militar. A imprensa russa diz que Kiev parece ter decidido agora aumentar o ritmo de extermínio dos seus próprios cidadãos, e estou a citar. Consequentemente, o número de prisioneiros nas Forças Armadas ucranianas aumentou de forma significativa. Estas mais de 10 mil pessoas ficaram em liberdade condicional com base no artigo 811 do Código Penal da Ucrânia, foram transferidas para unidades da Guarda Nacional Ucraniana.
O Serviço de Segurança Russo deteve uma mulher acusada de explodir uma bomba na Ferrovia Transsiberiana.
A mulher, que terá por volta de 50 anos, supostamente trabalhava para os serviços de informação da Ucrânia, isto de acordo com o FSB, diz que seguindo instruções fornecidas por Kiev, esta suspeita criou um dispositivo explosivo caseiro, é uma bomba caseira, vamos dizer assim, colocou-a nos trilhos da ferrovia e acabou por explodi-la. Filmou o momento da explosão com a câmera do telemóvel, acabou por enviar o vídeo como uma espécie de relatório ao seu responsável para receber uma recompensa. Isto são informações veiculadas pela Rússia. O FSB não indicou o nome desta mulher, apenas a idade e a região onde o ataque terá ocorrido, cujo nome eu não vou pronunciar porque não é fácil. Esta agência acrescenta que está a monitorizar as redes sociais, incluindo serviços de mensagens online, como o Telegram e o WhatsApp, em busca de evidências de que os serviços ucranianos estão, de facto, a recrutar cidadãos russos para realizar atos de sabotagem. No fundo, acaba também por acontecer o oposto. Também já temos dado aqui notícias da Rússia que contrata cidadãos, e às vezes até soldados ucranianos, para atos de sabotagem em território da Ucrânia.
E vamos voltar já a seguir para saber o que dizem os jornais ucranianos.