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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Dia 19 de junho de 2023, dia 481 da invasão. Vamos olhar para a imprensa russa. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, em estreita colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, os serviços secretos da Rússia dizem que evitaram uma série de planos terroristas e de sabotagem por parte da Ucrânia.

Planos que incidiam em zonas da Ucrânia que estão sob controle militar russo. É uma notícia em destaque em toda a imprensa estatal russa nas últimas horas. Em comunicado, os serviços secretos afirmam que os alegados ataques visavam responsáveis governativos e polícias destacados pela Rússia nestes territórios controlados por Moscovo, sobretudo na zona a sul de Zaporizhzhia. O comunicado acrescenta que no âmbito dessas investigações foi detida uma mulher, que não foi identificada, é acusada de ser cúmplice desses planos e vai ser acusada de terrorismo e posse ilegal de explosivos, de acordo com a imprensa estatal russa.

E a Rússia acusa Rui, a Ucrânia de atacar a região de Donetsk.

É uma notícia em destaque na agência estatal russa RIA. As autoridades russas falam num bombardeamento que aconteceu ontem ao final da tarde e com recurso a 12 projéteis, isto de acordo com as autoridades ucranianas. Não há informação oficial de vítimas ou danos até agora. A Agência RIA recorda que esta área, região de Donetsk, tem sido muito bombardeada desde 2014.

E há mais uma acusação da Rússia: a Ucrânia está a criar uma bomba nuclear.

A Ucrânia parece continuar a trabalhar de forma silenciosa na criação de uma bomba nuclear suja. É a expressão utilizada por uma fonte militar russa, citada aqui pelo jornal estatal KP. Esta fonte fala numa poderosa munição repleta de explosivos e materiais radioativos. Alerta que se for ativada, não ocorre uma explosão nuclear normal, mas alerta que uma vasta área pode ser contaminada com radiação mortal. Esta mesma fonte, que não é aqui identificada pelo jornal KP, afirma, e passo a citar, que Kiev tem brincado com esta ideia. Já no ano passado, recorda, a Ucrânia planeou detonar esta bomba e culpar a Rússia por este ataque. Tal não chegou a acontecer e agora esta fonte militar russa acusa a Ucrânia de continuar a trabalhar nesse objetivo de criar uma bomba nuclear.

A marcar a atualidade continua também a explosão da barragem de Kharkova e que merece hoje destaque na imprensa estatal da Rússia.

Tem sido um assunto praticamente em destaque na imprensa estatal russa todos os dias, também, como é natural, na imprensa ucraniana. Hoje o correspondente militar do jornal KP, Grigory Kubatian, escreve um artigo sobre como a explosão desta barragem no sul da Ucrânia vai afetar o futuro da agricultura da Rússia. De recordar que a explosão aconteceu há cerca de duas semanas e desde aí a região de Kherson está inundada, está praticamente submersa. O correspondente militar do jornal KP falou com membros do Ministério da Agricultura da Rússia, que falaram sob anonimato. Explicam que há milhares de animais mortos, adianta que vai haver menos ração para o gado, o que vai levar a muitas dificuldades para agricultores e à morte de ainda mais animais. Alertam também que não vai voltar a haver plantações de arroz nesta região por causa dos danos causados pela água. Enfim, um futuro muito negro para a agricultura da Rússia. É a conclusão deste artigo do jornal KP, escrito pelo correspondente militar deste jornal, que costuma visitar zonas afetadas pela guerra e faz este tipo de reportagens, claro, sempre com mais destaque para o lado da Rússia. O Ministério da Agricultura adianta, entretanto, que está a ser criada uma comissão para avaliar os danos causados por esta explosão, para compensar as pessoas por estes danos. De resto, a Rússia e a Ucrânia têm trocado ao longo das últimas semanas acusações sobre quem é, afinal, o responsável por esta explosão da barragem de Kakhovka.

E vamos terminar, Rui, como é habitual, com a imprensa livre da Rússia.

Hoje o canal independente Meduza cita aqui uma série de entrevistas do norte-americano Wall Street Journal. Este jornal entrevistou militares russos que se renderam logo no início da invasão. Aconteceu logo nos primeiros dias. Em fevereiro do ano passado, muitos militares russos renderam-se, abandonaram a guerra logo no início da invasão. O Wall Street Journal falou aqui com uma série destes militares russos, que estão agora detidos na cidade ucraniana de Kramatorsk. Foram entrevistados antes de serem enviados para a prisão pelos militares ucranianos. É uma série de entrevistas na qual estes militares dão conta da brutalidade dos próprios comandantes russos. Falam sobre a decisão de se renderem e o medo que a rodeava, e também o medo de regressarem à Federação Russa numa possível troca de prisioneiros de guerra. Isto porque desertaram, abandonaram a guerra e renderam-se. Há um deles, chamado Anton, que diz: "Começo a perceber que não estamos do lado certo nesta guerra". É uma declaração em destaque no canal independente Meduza, à boleia do Wall Street Journal.

A imprensa livre da Rússia, aqui trazida pelo jornalista Rui Casanova. É com esta notícia que fechamos este episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir vamos folhear as páginas dos jornais ucranianos.