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Está com a Guerra Traduzida, está com a Rádio Observador em tempo de conflitos. Traduzimos neste espaço o que dizem os jornais russos e os jornais ucranianos. Conosco está a jornalista Diana Rosa. Muito boa tarde, Diana.
Boa tarde, Miguel.
Começas hoje pela imprensa russa e por essa conversa que vai marcar o dia de hoje, de Donald Trump com Vladimir Putin. Estava marcada para acontecer entre a 13h e as 15h, hora de Portugal continental. Significa que já estará a terminar, apesar de ter sido dito que não há tempo limite para esta conversa. Mas já há novidades nos jornais russos sobre os temas discutidos entre os dois líderes?
Olha, Miguel, a Interfax publicou um artigo praticamente à mesma hora em que terá começado a conversa entre Trump e Putin, onde escreveu que os dois podem discutir o agendamento de um encontro pessoal. A reunião começou com atraso, Putin deixou Trump à espera. Esteve num congresso de empresários, era 12h45 quando abandonou o evento. Este é um dos temas que também se prevê que esteja na agenda de Trump e do presidente russo, o tema da economia para esta conversa de hoje, até porque tanto um como outro apoiam o regresso de empresas norte-americanas a Moscovo. Mas a prioridade, Miguel, é conhecida: é chegar a um acordo sobre as concessões que a Rússia estará disposta a fazer para resolver o conflito na Ucrânia. Esta manhã, o porta-voz do Kremlin afirmou que os dois presidentes não precisam de se cingir às duas horas de conversa, como ainda agora disseste, falarão o tempo que quiserem e o tempo que for necessário. Lembro que ainda ontem nos chegaram notícias do New York Times e de outros jornais norte-americanos que dizem que Trump pode eventualmente querer entregar a Crimeia, península ucraniana, à Rússia. Este pode também ser um tema a discutir neste encontro, mas atenção, há ainda outro assunto que pode fazer parte destas horas de conversa. A Rússia quer ir a Marte com Elon Musk. De acordo com Kirill Dmitriev, o enviado russo para a cooperação econômica internacional, diz que a Rússia quer colaborar com Musk em matéria de exploração espacial. A Ucrânia deve mesmo ser o centro desta conversa. Vamos acreditar. Para já, a Casa Branca afirma que a conversa entre Putin e Trump está a correr bem.
Vamos falar desse evento onde esteve Vladimir Putin esta tarde. Acompanhaste o que surgiu através da Agência RIA. Que mensagens destacas do discurso do presidente russo?
Sim, este evento esteve a dar em direto. A Agência RIA tinha precisamente umas imagens que estavam a passar do discurso de Putin. Falou essencialmente sobre economia, visto que estava a falar para empresários e claro, sobre as consequências das sanções do crescimento do país. Putin especulou se as sanções contra Moscovo iam ou não ser aliviadas. Falou ainda sobre as perspectivas de privatização e o regresso de empresas ocidentais à Rússia.
Vejam como a maioria dos países europeus perderam a soberania econômica e, como resultado, enfrentaram problemas sérios, não só na economia, como também na área da segurança. Em relação à economia, todos esses países têm um aumento cerca de zero ou estão mesmo em recessão. Estão em sentido contrário aos países dos BRICS e outros que desejam participar na nossa união. São países que entendem a vantagem de outros espaços económicos, que nos últimos anos são líderes no crescimento global e criam uma grande fasquia económica.
O chefe de Estado sublinha que o Ocidente está a perder a hegemonia na economia, reitera que há empresas ocidentais que querem voltar a operar em Moscovo, avisa que estão a surgir novos centros de crescimento global. Numa mensagem mais a nível micro, mais focado nas pequenas empresas, o presidente russo garante que, por causa das sanções, está a ficar fortalecida a soberania russa e um país que, de acordo com Putin, soube dar a volta à situação em todas as áreas de negócio. Vladimir Putin assinalou também que as empresas russas aproveitaram de forma inteligente a saída de empresas ocidentais do mercado russo.
A Rússia afirma que os guardas-fronteiriços ucranianos estão a fugir de Sumy devido à proximidade com Kursk, região ocupada pela Ucrânia em agosto e que tem estado a deixar escapar, de acordo com o Kremlin.
Os agentes de fronteira tinham sido recentemente transferidos para essa região ucraniana de Sumy, estão a fugir, mas vamos só tentar perceber aqui também o mapa da Ucrânia. Sumy fica de facto perto da fronteira com a Rússia, fica perto de Sudja, a oeste de Kharkiv. Em linha reta está a 200 km de Kursk, que está a norte, do outro lado da fronteira. Duzentos quilômetros pode parecer muito, numa guerra não é assim tanto. A Rússia diz que na última semana ocupou 86% da região que tinha sido alvo de uma invasão ucraniana. O Kremlin diz que fez mais de 400 soldados ucranianos como prisioneiros de guerra.
Destaque ainda nesta guerra traduzida para a Ucrânia, que voltou a atacar regiões russas esta noite, seis pessoas ficaram feridas.
É o que adianta o Ministério da Defesa da Rússia, citado pelo Moscow Times. O governo russo diz que interceptou 46 drones ucranianos em ataques durante a noite. Os drones foram destruídos ou interceptados nas regiões de Belgorod, Bryansk e Kursk, perto da fronteira com a Ucrânia, bem como em Orlov. Na cidade de Belgorod, um homem ficou gravemente ferido por destroços de drones, é o que afirma o governador da região. Ainda cinco pessoas ficaram feridas em Kursk quando os drones atingiram um caminhão que transportava pão.
São os destaques da imprensa russa.