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Estamos de regresso à Guerra Traduzida com o jornalista João Gama. João, viramos agora atenções para a imprensa russa, até porque Moscovo recusa-se a assinar um novo tratado de controle de armamento com os Estados Unidos.

É uma notícia do Izvestia, que cita uma fonte conhecedora do processo no Kremlin, acredita que Moscovo não vai voltar a participar no tratado e que, caso voltasse, serviria apenas para alimentar o ego dos Estados Unidos. Justifica este passo atrás na relação entre os dois países com as ações destrutivas de Washington, como o apoio militar à Ucrânia e o fornecimento de armas estratégicas. A Casa Branca pediu a Moscovo que voltasse a entrar no acordo quando, a 25 de setembro, Vladimir Putin anunciou mudanças na doutrina nuclear da Rússia. Os especialistas militares que foram ouvidos pelo Izvestia insistem que os Estados Unidos podem estar a preparar-se para um cenário de confronto entre potências nucleares, neste caso, a Rússia, a China ou ainda a Coreia do Norte, e por isso estar também a reforçar o próprio arsenal nuclear. Este tratado de armamento nuclear, o New Start, foi suspenso por Vladimir Putin já em 2023. Tinha sido assinado em 2010 com o objetivo de limitar o arsenal bélico, quer dos Estados Unidos, quer da Rússia. Previa, por exemplo, Luís, a redução para metade do número de lançadores de mísseis nucleares.

E tudo isto, João, numa altura, como falámos no episódio anterior, em que toma posse o novo secretário-geral da NATO, mas a imprensa russa destaca que Mark Rutte enfrenta um caminho difícil pela frente.

O tema é o mesmo, mas a abordagem é, claro, diferente entre a imprensa ucraniana e a imprensa russa. Mark Rutte sucede a Jens Stoltenberg e, sem surpresa, é destaque na imprensa dos dois países. O Vedomosti faz uma revista da imprensa internacional, escreve, como a Reuters, o Le Monde, a CNN e o Político, descrevem os vários desafios que o novo secretário-geral terá que enfrentar. Inclui, claro, à cabeça, o apoio à Ucrânia, também o aumento do gasto com defesa pelos vários Estados-membros e até a preparação para um potencial segundo mandato de Donald Trump. E quem é Mark Rutte? É um euro-atlantista convicto, que defende o apoio contínuo a Kiev. É o retrato traçado pelo jornal russo Vedomosti, com posições praticamente semelhantes às do antecessor no cargo, Jens Stoltenberg. Outros jornais russos, como o Pravda, destacam a conferência de imprensa do novo secretário-geral da NATO para dizer que Rutte está a reconhecer o avanço das tropas russas e que evitou responder de forma direta à questão de saber se a Ucrânia vai ou não vencer esta guerra.

E continuam também a ser conhecidos os detalhes do orçamento russo para os próximos três anos. A imprensa independente destaca que os custos em torno da administração de Putin vão aumentar 25%.

O tópico tem o nome de "Garantir o funcionamento do presidente da Federação Russa e da sua administração". Já no próximo ano, em 2025, as despesas orçamentais dedicadas exclusivamente a Putin e à sua equipa vão chegar praticamente aos 31 mil milhões de rublos, praticamente o dobro do que é gasto em defesa. É um tal aumento de 25%, isto de acordo com o projeto orçamental federal para os próximos três anos, que foi apresentado ontem pelo Kremlin à Duma do Estado, ao Parlamento Russo. O orçamento aprovado apenas no ano passado previa que os gastos com Putin e com a sua administração não fossem além dos 25 mil milhões de rublos. A informação é partilhada, já disseste, Luís, na imprensa independente, no jornal Meduza. Uma análise mais cuidadosa aos números, que já são conhecidos, revela que o aumento das despesas está associado ao aumento dos salários do presidente e dos funcionários do Kremlin.

Kremlin que garante que o orçamento é equilibrado, isto apesar de ontem termos aqui falado sobre as despesas record em defesa e armamento.

Um orçamento cuidadosamente equilibrado, até porque além de prever um aumento da despesa, prevê também um elevado nível de desenvolvimento económico no país. Foi uma garantia deixada hoje mesmo por Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin. Foi questionado sobre o aumento em despesas militares em níveis record, que podem ultrapassar os 13 mil milhões de rublos e representar mais de 6% do PIB. Dmitry Peskov respondeu desta forma: que o Estado vai continuar a cumprir as obrigações sociais que tem e, além de tudo isso, o orçamento está focado em manter uma atmosfera de desenvolvimento económico.

E notícia ainda, João, para uma operação especial em larga escala contra o que a Federação Russa descreve como comunidades radicais na internet.

Buscas que aconteceram em 78 regiões russas contra membros destes tais grupos radicais. Trinta e nove pessoas foram detidas, com idades entre os 14 e os 35 anos. São descritos como apoiantes de atividades de organizações terroristas, claro, ucranianas, proibidas na Rússia, que incitavam crianças e adolescentes a cometer atos violentos contra funcionários do governo, colegas na sala de aula e até professores nas escolas. Os serviços de inteligência russos dizem mesmo que nove menores estavam envolvidos em participar em, pelo menos, planear ataques armados em escolas ou igrejas. Utilizavam para se coordenar redes sociais, como o Discord, para comunicar com estas tais organizações terroristas ucranianas.

E é com a notícia desta operação que termina esta edição da Guerra Traduzida.