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"Guerra Traduzida". Olhamos agora para a imprensa da Rússia, num trabalho da jornalista Diana Rosa. Diana, o Ministério da Defesa russo está a planear o envio de 300 mil militares para a Ucrânia de forma secreta e assim fazer um cerco a Kharkiv.

Cá está aquilo que falávamos há pouco. Enquanto a Ucrânia teme que sejam 100 mil, o Ministério da Defesa russo, aparentemente, está a planear o envio do triplo dos militares. É isso que adianta o canal independente russo Vestska, que cita quatro fontes do Kremlin. Para chegar a estes números, as autoridades russas pretendem concentrar-se na mobilização de soldados na reserva e ainda pressionar recrutas que estejam a terminar o serviço militar. Em Moscovo, as empresas no sector da defesa e as organizações financiadas pelo Estado começaram a emitir certificados de isenção para a mobilização dos funcionários. Já os gabinetes de recrutamento militar voltaram a chamar os advogados e os psicólogos que estiveram envolvidos na mobilização que ocorreu durante o outono de 2022. Depois da reeleição de Putin, vários observadores independentes já tinham apontado para uma nova onda de mobilização para a guerra na Ucrânia. No entanto, é uma informação que ainda não foi confirmada pelo Ministério da Defesa da Rússia.

E seguimos agora, Diana, com uma notícia em destaque na agência TASS: a União Europeia quer impor mais sanções à Rússia.

E não só, também à Bielorrússia, ao Irão e à Coreia do Norte. A TASS cita um documento do Conselho Europeu que saúda a adoção do 13º pacote de sanções e apela a novas medidas para enfraquecer a capacidade da Rússia de continuar a agressão na Ucrânia. O Conselho Europeu apela a Josep Borrell, o alto representante europeu, para que o Irão seja altamente sancionado caso forneça mísseis balísticos à Rússia, uma vez que Putin serve-se deles depois para atacar território ucraniano. Esta é uma preocupação da União Europeia, que diz estar preparada para responder rapidamente caso se materialize.

E o FSB diz ter detido sete guerrilheiros pró-Ucrânia em Moscovo.

O FSB diz ter detido sete guerrilheiros, tal como dizias, guerrilheiros que pertencem supostamente a uma das milícias que têm levado a cabo ataques em cidades russas, em particular na zona fronteiriça. A notícia está em várias agências estatais citadas pelo Moscow Times. Estas declarações acontecem poucos dias depois de o presidente russo ter dado ordens ao FSB para que trave uma repressão implacável às unidades voluntárias que lutam ao lado da Ucrânia. Para Putin, são os traidores. Avança a imprensa estatal que os residentes detidos em Moscovo mantinham contacto com o corpo de voluntários russo.

E pela primeira vez, Diana, o porta-voz do Kremlin fala do conflito na Ucrânia como uma guerra e não como uma operação especial, que era a abordagem que tinha sido usada até aqui.

Exatamente. Foi numa entrevista a um jornal pró-Kremlin, o Argumenti i Fakti, hoje de manhã, que Dmitry Peskov afirmou que a Rússia está em guerra com a Ucrânia. Assume que Moscovo se refere oficialmente à invasão em larga escala como uma operação militar especial, numa tentativa de minimizar o impacto do conflito junto da população russa. Certo é que, ao mesmo tempo, milhares de cidadãos enfrentam processos judiciais ao abrigo das leis de censura, porque não podem falar de uma invasão. Mas Peskov retira culpas à Rússia, claro. Diz que a princípio era mesmo só uma operação especial, só que com a intervenção do Ocidente, tornou-se numa guerra aberta. Nesta entrevista, o porta-voz do Kremlin fala ainda dos recentes ataques ucranianos a infraestruturas russas. Diz que a Rússia não pode permitir a existência de um Estado vizinho que tenha a intenção de ocupar a Crimeia ou outras regiões fronteiriças, como se a Crimeia, aliás, não tivesse sido anexada à Rússia de forma ilegal.

E a Ucrânia conseguiu destruir uma infraestrutura de telecomunicações em Belgorod, na Rússia.

Informação avançada pelo governador da região, no Telegram, num comunicado citado pelo Komsomolskaya Pravda. Gladkov publicou um alerta nas redes sociais onde escreve que os nazis ucranianos, isto obviamente a citar, estão a lançar vários ataques na região. Como resultado, essa infraestrutura de comunicações na aldeia de Nikitskoye foi danificada por um drone kamikaze e há várias povoações que correm o risco de serem atingidas. Para já, não há registo de vítimas.

E com esta notícia terminamos mais este episódio da "Guerra Traduzida". Voltamos na próxima semana.