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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos nos próximos minutos falar sobre as notícias que estão em destaque na imprensa russa e na imprensa ucraniana. Hoje com a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.
Boa tarde, Miguel.
Vamos começar com a imprensa russa e com uma ameaça do ex-ministro da Defesa. O risco de um conflito nuclear está a aumentar.
O alerta é deixado por Sergei Shoigu, que depois de deixar de ser ministro da Defesa, passou para secretário do Conselho de Segurança do Kremlin. Em entrevista à agência TASS, o responsável afirma que face ao contexto de um conflito crescente e também ao agravamento da rivalidade geopolítica no mundo, os riscos de um confronto violento entre grandes países, incluindo com a participação de potências nucleares, estão a aumentar. Na mesma entrevista publicada hoje, Shoigu salienta que a Bielorrússia está a ser vítima de tentativas de desestabilização interna e a Rússia está pronta para sair em defesa de Aleksandr Lukashenko. Lembra que o país, o mais próximo aliado da Rússia, está sob o guarda-chuva nuclear russo, pelo que se for atacado, pode haver uma resposta também nuclear, em defesa própria.
Apesar do risco, outro ator político da Rússia, o porta-voz do Kremlin, diz que Moscovo está disposto a negociar a quantidade de armas nucleares detidas pela Rússia, mas há uma condição.
A condição, Miguel, é que deve ser tida em conta a capacidade nuclear da França e do Reino Unido. A Rússia não quer ficar atrás e, portanto, a negociar esse tema com os Estados Unidos, essa condição tem de estar garantida. De acordo com Dmitry Peskov, é do interesse da Rússia lançar o processo de negociação o mais rápido possível. Peskov afirma que a bola está agora no campo dos norte-americanos, que suspenderam todos os contactos substanciais com Moscovo sobre este tema. O porta-voz do Kremlin acredita que é do interesse de todos os povos do mundo inteiro que o processo seja iniciado em breve.
E ainda nesta "Guerra Traduzida", destaque também para a Alemanha, porque chegam dúvidas de que Donald Trump consiga mesmo acabar com a guerra na Ucrânia.
O Izvestia publica hoje um vídeo de um debate entre Alice Weidel, da AFD, e Sahra Wagenknecht, da BSW, ambas candidatas às eleições legislativas da Alemanha. A candidata da extrema-direita tem sérias dúvidas de que o presidente norte-americano consiga levar por diante o plano de terminar o conflito.
"Donald Trump é imprevisível. Se ele acabar com a guerra na Ucrânia, será uma conquista, mas tenho pouca confiança de que ele consiga fazê-lo. A única coisa que eu acredito que ele consiga fazer é dar um abanão aos países da Europa, o que vai fazer com que se unam ainda mais para não fazerem tudo o que os americanos querem, como tem acontecido. E isto não é um antiamericanismo como podem sugerir, é apenas uma preocupação com os nossos interesses. Para acautelarmos 5% do orçamento para a defesa, são mais de 200 mil milhões de euros por ano. É uma loucura. Quando pedimos uma coisa deste gênero, temos de dizer às pessoas em que é que vamos cortar em termos de saúde e noutros sectores."
Precisamente sobre este investimento europeu no sector da defesa, os 5% pedidos por Trump, Weidel, da AFD, diz que se deve fortalecer o exército e Sahra, da BSW, diz que não há mais dinheiro para gastar na defesa.
Passamos para Dmitry Medvedev. Afirma que quase 450 mil russos assinaram contrato com o Ministério da Defesa em apenas um ano.
O ex-presidente da Rússia, actual responsável pela defesa do país, garante que além desse quase meio milhão que se alistou nas Forças Armadas, houve ainda 40 mil pessoas que se tornaram voluntárias e foram para a zona especial de operação militar. Significa que as pretensões de Putin para o exército em 2024 foram alcançadas. Medvedev acrescenta que, em média, mais de mil pessoas assinam contratos todos os dias com as Forças Armadas do Kremlin. Quanto aos planos para este ano, já foram definidos. A principal tarefa continua a ser manter o ritmo de guerra alcançado.
São os destaques da imprensa russa nesta "Guerra Traduzida", dia 24 de janeiro.