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Guerra traduzida. Trazemos agora os destaques da imprensa ucraniana com a ajuda da Diana Rosa. Diana, vamos começar com estas alegadas pretensões dos Estados Unidos em ficar com a central nuclear de Zaporíjia. É a maior da Europa. Os jornais ucranianos adiantam que mesmo que Zelensky quisesse, era muito difícil que isso viesse a acontecer.

São grandes os desafios. A Casa Branca afirmou que o controle norte-americano sobre a central nuclear representa a melhor proteção para essa infraestrutura, mas há obstáculos legais. A notícia é do New York Times, citada pelo New Voice of Ukraine. O presidente dos Estados Unidos terá falado sobre o tema durante a conversa telefônica com o chefe de Estado ucraniano. Trump terá sugerido uma assistência significativa por parte dos Estados Unidos na gestão da central, dada a expertise em energia e serviços públicos. A proposta surpreendeu as autoridades ucranianas e especialistas em energia, embora Zelensky tenha deixado claro que a central nuclear pertence ao Estado e não pode ser privatizada. Para o presidente ucraniano, a única hipótese em aberto é apenas caso os Estados Unidos queiram afastar a Rússia de Zaporíjia e, para isso, invistam e modernizem as instalações. Só que a central pertence à Energoatom, uma empresa estatal, e a lei ucraniana proíbe a privatização. Além disso, uma operação como estas podia levar até mais de dois anos, porque os seis reatores da central estão desligados por causa dos bombardeamentos russos. Portanto, para diminuir o risco de um acidente nuclear, foram desativados.

Mudamos de tema. A Ucrânia acusa a Rússia de genocídio depois de Putin ter dito que quer expulsar cidadãos ucranianos dos territórios ocupados.

Territórios esses que são ucranianos, precisamente como disseste, embora a Rússia considere que lhe pertencem. Ou seja, Putin, tal como falamos aqui ontem, quer expulsar estas pessoas da própria casa porque considera que muitos deles estão ilegais no seu próprio território. O porta-voz dos negócios estrangeiros ucranianos já reagiu à pretensão do presidente russo. Hryhory Tytyk fala numa clara violação do direito internacional, um ato legalmente nulo e mais um passo na campanha russa de discriminação, perseguição e deslocamento forçado de cidadãos ucranianos da sua terra natal. É algo que faz parte do genocídio praticado pela Rússia, como diz o porta-voz ucraniano. Além disso, o diplomata sublinha que este é mais um sinal de que a Rússia não está pronta para uma resolução pacífica do conflito. A notícia está na RBC Ucrânia.

Diana, a Rússia recrutou uma jovem ucraniana de apenas 14 anos para cometer um ataque terrorista suicida perto de uma esquadra da polícia em Ternopil, na Ucrânia. A informação está a ser avançada pelo Serviço de Segurança Ucraniano.

A jovem terá sido contactada depois de ter pesquisado uma forma de ganhar dinheiro de maneira rápida em canais do Telegram. O telefone desta jovem foi alvo de acesso ilegal. A rapariga foi então chantageada com a ameaça de ver as suas fotografias divulgadas na internet. A adolescente acabou por concordar em trabalhar para a Rússia. Não tinha outra opção, quer dizer, tinha, mas era difícil. Seguiu instruções para fazer um explosivo improvisado que colocou na mochila. O plano era detonar a bomba remotamente com a mira na própria jovem, que deveria aproximar-se do máximo de pessoas possível. As autoridades conseguiram localizar e neutralizar o dispositivo. A jovem de 14 anos acabou por ser presa, está acusada de tentativa de terrorismo e está em prisão domiciliária. Pode enfrentar até 10 anos de prisão. A notícia é do New Voice of Ukraine.

O Centro de Exposições da Ucrânia está a planear, Diana, abrir um museu sobre a era soviética.

Estão a ser convidados especialistas para pesquisar a história e as raízes ideológicas. A iniciativa, proposta pela primeira vez em 2016, alinha-se aos esforços da descomunização em andamento na Ucrânia desde 2014, desde a Revolução Maidan, em que os ucranianos manifestaram o desejo em aproximar-se mais da União Europeia, com o objetivo de reinterpretar o legado soviético do complexo de exposições. O estudo conta com especialistas em patrimônio cultural e pesquisadores com experiência em projetos visuais e analíticos sobre a cultura e as artes soviéticas. Os funcionários do Centro de Exposições afirmam que a pesquisa e o museu vão misturar preservação com reinterpretação. No fundo, é contar a história da era soviética à maneira dos ucranianos do Ocidente e procurar provas, procurar factos para contar essa mesma história, uma história que não seja contada pela Rússia.

Fica por aqui este episódio da Guerra Traduzida, que está de regresso na próxima semana.