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"Guerra Traduzida: Especial Irão" na Rádio Observador, o programa em que passamos em revista os destaques da imprensa do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é curada pelo jornalista Carlos Pedro. Carlos, seja muito bem-vindo. Já vamos falar dos constrangimentos no estreito de Ormuz. Começamos primeiro a falar sobre a situação no Líbano, até porque continuam os ataques de Israel.

Mais concretamente no sul do Líbano, a Al Jazeera conta que os ataques se intensificaram entre a noite de quinta-feira, entre a noite de ontem e esta manhã. O mesmo portal fala em contínuos ataques aéreos, tiroteios e demolições. Isto tudo apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. A Agência Nacional de Notícias do Líbano deu conta de movimentos de tanques e viaturas militares em direção a Birket al-Aman, em Khiam, no Líbano. Também várias casas em Kafrkoura foram incendiadas pelos militares israelitas, diz a Al Jazeera. O Ministério da Saúde do Líbano contabiliza que desde o dia 2 de março já houve mais de 4300 mortos e 12 mil feridos no país.

Estes últimos ataques levaram o presidente e o chefe do exército do Líbano a uma reunião.

Sim, Joseph Aoun esteve reunido com o comandante Rodolphe Ayoub. Em cima da mesa esteve matéria de segurança no país em geral e no sul do Líbano em particular.

Mas não foi só isso, Carlos.

Exato. O presidente e chefe de exército abordaram também os preparativos em curso para a implementação do que está previsto no documento relativo às zonas-piloto designadas no Líbano, para onde se prevê que o exército libanês se desloque em simultâneo com a retirada israelita dessas mesmas zonas. É o que se pode ler no breve comunicado redigido pela presidência libanesa.

E já daqui a pouco, como prometido, vamos falar do Irão, mas para já, Carlos, a Al Jazeera aponta para uma queda drástica do apoio norte-americano a Israel. Por quê?

A guerra em Gaza, neste caso, é o motivo. De acordo com uma pesquisa, apenas 52% dos americanos têm agora uma visão favorável sobre o povo israelita. Trata-se, portanto, de uma queda em relação aos 63% registrados em 2022. A pesquisa constata também que a maioria dos inquiridos têm uma visão negativa sobre o governo de Netanyahu, a autoridade palestiniana e também sobre o Hamas. A diferença entre gerações é ainda mais acentuada. Entre os norte-americanos com menos de 30 anos, 58% têm uma visão favorável dos palestinianos, em comparação com apenas 32% que expressam uma visão positiva sobre os israelitas.

Há também diferenças, Carlos, uma diferença maior, aliás, entre os jovens democratas.

Exato, dos quais 72% têm uma visão favorável dos palestinianos, enquanto apenas 26 dizem o mesmo sobre os israelitas. Já os jovens republicanos agora veem os palestinianos e os israelitas em níveis semelhantes, o que representa uma mudança drástica em relação ao verificado anteriormente, quando eles eram significativamente mais favoráveis à população de Israel.

Como prometido, vamos então falar do Irão, nomeadamente do estreito de Ormuz. O fundador do Instituto de Perspectivas Árabes diz, Carlos Pedro, que o estreito de Ormuz é o principal ponto de conflito entre Washington e Teerão.

A análise é de Zeidan Al-Khinnani, que acredita que o Irão quer aumentar a soberania em torno de Ormuz. Já os Estados Unidos, diz este analista, querem limitar essa soberania e, por consequência, expandir a influência norte-americana no estreito. Os Estados Unidos querem garantir que qualquer competição contra a presença americana no estreito de Ormuz traduza em uma ameaça direta à segurança do Irão. Trata-se de uma estratégia militar clara para assegurar que o conflito não se centralize apenas no estreito de Ormuz, mas que também inclua implicações diretas para a segurança do próprio Estado iraniano. É o que escreve Zeidan Al-Khinnani numa análise citada pela Al Jazeera. Acrescenta também que os países do Golfo estão a traçar estratégias para reforçar a longo prazo as relações na região.

E continuamos no estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo quase estagnou após o retomar das hostilidades entre Estados Unidos e Irão.

É, de resto, mais um golpe para os mercados energéticos, que já sofrem com a maior interrupção de fornecimento da história. Num vídeo publicado na rede social X pelo serviço de informações marítimas Lloyd's List, vê-se uma diminuição do número de navios a passar pelo estreito de Ormuz entre quarta-feira e o dia de ontem. A mesma plataforma mostra também que as embarcações que navegavam pela rota designada pelos Estados Unidos a Omã praticamente pararam.

Ponto final neste episódio da "Guerra Traduzida: Especial Irão", hoje com o Carlos Pedro. Nós estamos de regreso amanhã com mais destaques da imprensa sobre este conflito no Médio Oriente.