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"Guerra Traduzida", programa em que detalhamos o que está escrito na imprensa russa e na imprensa ucraniana. Notícias em tempo de guerra. Connosco esta tarde temos a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.
Olá, Miguel. Boa tarde.
Começas pela imprensa russa e por uma gravação de uma conversa de Donald Trump, uma conversa divulgada hoje pela CNN norte-americana, que está a irritar o Kremlin.
É um áudio registrado no ano passado num jantar privado durante a campanha presidencial norte-americana. Vamos ouvir aqui o registro, que parece ter sido captado à distância ou dentro de um bolso. Já vamos perceber pela qualidade do som.
"Ao Putin, eu disse: 'Se entrares na Ucrânia, eu bombardeio Moscovo. Estou a avisar-te, não tenho escolha'. E ele respondeu: 'Eu não acredito em ti, nem pensar'. E eu disse-lhe: 'Sim'. Ele insistiu que não acreditava, mas eu sei que ele acreditou 10%."
A esta conversa, agora revelada, Miguel, e que parece foi gravada sorrateiramente, juntam-se as declarações do presidente norte-americano ontem na Casa Branca, e que também foram notícia, em que Trump diz que o que vem de Putin é treta.
"We get a lot of bullshit thrown at us by Putin, for you want to know the truth. He's very nice all the time, but it turns out to be meaningless."
O presidente norte-americano a dizer também que Putin é sempre muito simpático, mas no final de contas, acaba por não ter qualquer significado.
O Kremlin já reagiu a estas declarações. A equipe de Vladimir Putin diz que está calma face ao endurecimento da retórica de Donald Trump.
Dmitry Peskov diz que Trump tem um estilo bastante duro em termos das frases que utiliza, citado pela Ria Novosti, o porta-voz do Kremlin diz que não sabe se a gravação do discurso com as ameaças de Trump é falsa ou não. O porta-voz russo admite que atualmente há muitas falsificações, mais até do que informações verdadeiras. Ainda assim, na conferência de imprensa diária, Dmitry Peskov diz que não houve nenhum telefonema entre Putin e Trump durante o tempo em que o norte-americano não liderou o país. Recomenda, por isso, que questões sobre este caso sejam dirigidas à Casa Branca.
A Rússia reivindica ataques contra instalações militares ucranianas.
Mais concretamente, a base aérea. Isto aconteceu depois de o presidente ucraniano ter acusado Moscovo de realizar o maior ataque ao país desde o início da invasão. O Ministério da Defesa da Rússia disse que as Forças Armadas realizaram de fato um ataque com armas de precisão de longo alcance, incluindo mísseis hipersônicos e aparelhos aéreos não tripulados contra bases aéreas militares na Ucrânia. De acordo com a mesma declaração, o objetivo do ataque russo foi alcançado. O presidente do Conselho de Segurança da Rússia afirmou ainda que as forças de Moscovo conseguiram novas conquistas territoriais na região do Donetsk, no leste do país. As autoridades ucranianas não comentaram esta informação.
A ameaça de ataques com drones ucranianos levou, nos últimos dias, ao cancelamento de voos e interrupções de internet em várias regiões da Rússia.
Foram quase 500 os voos cancelados e 1900 que se atrasaram nos aeroportos por toda a Rússia. Moscovo, São Petersburgo e Nizhny Novgorod foram as regiões mais afetadas, mas o enclave russo de Kaliningrado e Vladivostok, no leste do país, também sofreu transtornos. Estima-se que o colapso do setor da aviação tenha custado às companhias aéreas cerca de 20 mil milhões de rublos, perto de 250 milhões de euros em danos, dizem os especialistas do setor. E é interessante sublinhar, Miguel, que o sistema de transporte deste que é o maior país do mundo, depende quase inteiramente de Moscovo. Por quê? Porque as viagens aéreas e de comboio entre algumas regiões são impossíveis sem uma conexão na capital ou então, noutros casos, em São Petersburgo.
Falamos ainda da União Europeia, que considera criar um fundo de apoio de 100 mil milhões de euros. É um apoio para a Ucrânia.
Foi uma notícia de há pouco. Caso a medida seja aprovada, o montante deve estar disponível a partir de 2028. A Hungria já se posicionou contra esta alocação de fundos, avançou a agência de notícias russa TASS, que cita o assessor do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán. Desde o início da guerra, em 2022, a União Europeia contribuiu com 160 mil milhões de euros para apoiar a Ucrânia.
Destaques da imprensa da Rússia.