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Começa agora a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, Nelson. Mais uma vez.

Vamos começar com a imprensa da Ucrânia e com essa grande notícia do dia. Vai finalmente haver uma reunião a três entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.

Zelensky diz que está quase tudo pronto para assinar esse acordo, assim como diz o enviado norte-americano, Steve Witkoff, diz que falta apenas discutir um ponto essencial para se chegar a um consenso. A reunião foi anunciada hoje mesmo pelo presidente ucraniano, que discursou no Fórum Mundial Económico, em Davos. Volodymyr Zelensky acusa a Europa de pensar muito no futuro, pouco no presente. Acredita que há falta de ação, em particular na grande dependência que o bloco comunitário continua a ter dos Estados Unidos. O presidente ucraniano lamenta que os Estados-membros ainda nem sequer tenham conseguido constituir um tribunal para julgar os crimes de guerra cometidos pela Rússia.

"O que falta? Tempo ou vontade política. Muito frequentemente, na Europa, há sempre qualquer coisa que é mais urgente que a justiça. Neste momento, estamos a trabalhar ativamente com os parceiros nas garantias de segurança e eu estou grato por isso, mas isso é para depois da guerra terminar. Em relação ao cessar-fogo, quem pode ajudar a concretizá-lo? A Europa adora discutir o futuro, mas evita agir hoje. Estas ações vão definir o tipo de futuro que vamos ter".

Zelensky admite que o apoio dos Estados Unidos é imprescindível, mas gostava de ver uma Europa mais preparada para se defender.

"A Europa depende da crença de que, se vier o perigo, a NATO vai agir, mas ninguém viu a aliança em ação. Se Vladimir Putin decidir invadir a Lituânia ou atacar a Polónia, quem vai responder? Atualmente, a NATO existe graças à crença de que os Estados Unidos vão agir, de que eles não se vão afastar e de que vão ajudar. Mas e se não o fizerem?"

Volodymyr Zelensky no Fórum de Davos.

Onde falou, de resto, também Donald Trump. Hoje esteve pessoalmente com Zelensky. O presidente norte-americano diz que a conversa correu bem, mas que ainda há um caminho a percorrer rumo a essa paz na Ucrânia.

Em declarações à saída do encontro, citadas pela CNN e depois replicadas na imprensa ucraniana, Trump diz que a guerra tem de acabar e sublinha essa esperança. Espera que acabe, diz que há muita gente a morrer e sem adiantar aos jornalistas qualquer detalhe sobre o conteúdo da conversa em Davos, Trump limita-se a acrescentar que as negociações de paz são um processo em curso.

A Ucrânia confirma que atacou um terminal petrolífero na Rússia. As estações de radar na Crimeia também foram atingidas.

Há registo de danos. O depósito de petróleo em Krasnodar movimenta petróleo bruto, mas também derivados e gases liquefeitos. O complexo é um dos maiores da região do Mar Negro. De acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, o terminal foi atingido em cheio, resultando em explosões e num incêndio. A extensão dos danos ainda está a ser avaliada. Uma fonte do Serviço de Segurança da Ucrânia informa ao Kyiv Independent que o ataque danificou oleodutos nos cais do terminal e vários tanques de armazenamento de petróleo. Esse incêndio que atingiu a região teve aproximadamente sete quilômetros quadrados. O Kyiv Independent estima perdas de cerca de 50 milhões de dólares.

Quase 3 mil edifícios residenciais em Kiev permanecem sem aquecimento devido à persistência das temperaturas negativas.

É o que afirma o autarca da cidade. Com mais de 3 milhões de habitantes, a capital ucraniana ainda luta para restabelecer o fornecimento de energia. Algumas casas estão sem aquecimento e luz desde 9 de janeiro, 9 deste mês. As equipes de serviços públicos e de energia estão a trabalhar de forma ininterrupta para restabelecer o aquecimento e a luz nas casas dos habitantes. A Rússia tem intensificado os ataques direcionados ao setor energético da Ucrânia, uma vez que as temperaturas têm permanecido abaixo dos 10 °C negativos.

Fica por aqui.

Se é que é, 10 °C negativos.

10 °C negativos, sim. Muito frio na Ucrânia, nesta zona da Europa. Fica por aqui a primeira parte da Guerra Traduzida. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.