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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Hoje, com o José Rafael Lopes. Boa noite, Zé.
Muito boa noite, Beatriz.
Vamos começar pela imprensa ucraniana, que dá novidades na linha da frente.
Um dos principais destaques de hoje é o balanço oficial da frente de combate. O portal RBC Ukraine cita o Estado-Maior Ucraniano. Escreve que desde o início do dia de hoje houve 76 confrontos na linha da frente. As forças russas estão a atacar em quase todas as direções, com os combates mais intensos na zona de Pokrovsk. No norte, perto de Kursk, registraram-se 13 confrontos, enquanto a artilharia russa lançou 11 ataques aéreos e 21 bombas guiadas, além de 195 ações de fogo contra posições ucranianas. O artigo cita outras localidades que estão debaixo de fogo constante por parte das Forças Armadas Russas. A imprensa sublinha este quadro como uma prova da escala da ofensiva russa, mas sublinha que as linhas da frente se mantêm.
Zé, ligado a este tema, a Ucrânia escreve que as perdas russas ultrapassaram um milhão.
Estamos a falar de perdas acumuladas desde o início da guerra. A imprensa ucraniana dá grande relevo ao balanço das perdas russas, sendo que só no último dia o exército russo terá perdido perto de 9 mil soldados. É o que dizem os dados publicados pelo Ministério da Defesa. Estes números são acompanhados de um inventário de material destruído: um tanque, oito veículos blindados, 28 sistemas de artilharia e 77 drones que foram inutilizados nas últimas 24 horas. Alguns meios ucranianos recordam também que julho foi apresentado como o mês recorde em termos de perdas russas. Morreram mais de 42 mil soldados. Isso em investigações que apontam para centenas de milhares de mortos no lado russo.
E há ainda um tema sobre segurança interna em destaque na imprensa ucraniana.
Que dá conta de novas operações do SBU contra a Rússia e a limpeza dos serviços secretos. É o termo utilizado. Em causa o anúncio de Zelensky de novas operações do SBU, o Serviço de Segurança da Ucrânia, contra a Rússia. Nestas declarações do presidente ucraniano, é dito que há uma clara necessidade de reforçar a eficácia dos serviços de segurança e de purgar elementos que não correspondem às exigências de guerra. A mesma publicação lembra que, nas últimas semanas, o SBU reivindicou uma série de ações contra infraestruturas russas, incluindo refinarias, um tema que Kiev apresenta como operações de sabotagem. A imprensa do país liga estas declarações a um esforço mais amplo para reformar os serviços de informação e segurança, num contexto em que a guerra se vai prolongar sem um fim à vista.
Continuamos nesta edição a falar do presidente da Ucrânia.
Sim, uma vez que na frente política a imprensa ucraniana acompanha as declarações de Zelensky em torno do Conselho de Segurança Nacional e Defesa. O presidente indicou as expectativas em relação aos próximos meses e quer mais propostas concretas por parte das autoridades. Em paralelo, o primeiro-ministro da Ucrânia é citado numa mensagem em que fala de um novo plano de Putin para o inverno, onde sublinha que é difícil viver mais de três dias sem água, numa referência ao risco de ataques à infraestrutura de abastecimento, e deixa um aviso que não passa despercebido na imprensa ucraniana. O portal escreve também que Zelensky e o governo estão a analisar cenários de mobilização russa e sinais de que Moscovo está a preparar o terreno para novas vagas de recrutamento. Zelensky já tinha deixado essa indicação no passado.
Está feita a "Guerra Traduzida" versão Ucrânia. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.