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Guerra traduzida na Rádio Observador: o que diz a imprensa russa e ucraniana em tempo de guerra. Hoje com o jornalista João Costa Campos. Boa tarde, João.

Tarde, Miguel.

Hoje vamos começar pela imprensa da Ucrânia. Os serviços secretos ucranianos revelam que perto de metade do armamento usado pela Rússia vem de Pyongyang.

Informação que a agência de notícias Ukrinform nos traz esta manhã é prova de que a aliança entre Moscovo e Pyongyang tem ainda muito pra dar. Oleh Aleksandrov, um operacional dos serviços de informações da Ucrânia, revela esta manhã que entre 35% e 50% do armamento usado pela Rússia vem todos os meses da Coreia do Norte. Falamos de um grande volume de entregas de armamento que rondam as 260 mil munições por mês, armamento de todo o tipo, mísseis de curto e longo alcance.

Mas João, o que é que ganha a Coreia do Norte ao enviar tanto armamento pra Rússia?

Há duas respostas, Miguel, pra essa pergunta, segundo o Ukrinform. Por um lado, é uma forma de apoiar um aliado muito próximo, a Rússia, mas, por outro, as secretas ucranianas dizem que este aparente gesto de bondade com a Rússia traz água no bico. É, na verdade, uma forma de testar e melhorar a produção de armamento norte-coreano. No fundo, Kim Jong-un aproveita o conflito na Ucrânia para testar o armamento que produz.

Sendo que, para além de armamento, a Coreia do Norte continua a enviar também tropas pra Ucrânia.

Sim, a agência de notícias estima que no mês passado, setembro, cerca de mil militares norte-coreanos foram emprestados à Rússia. Mas não só. Segundo as secretas ucranianas, o Kremlin vai também contratar civis norte-coreanos para trabalhar na indústria russa, substituir as baixas de guerra. A indústria russa que tem perdido, ao longo dos últimos anos, muita mão de obra.

Olhamos agora, João, para o Kyiv Independent, dá conta de uma vitória ucraniana na frente de batalha em Belgorod.

Quarenta mil russos sem eletricidade. É o resultado do ataque ucraniano desta madrugada à central elétrica de Belgorod. O Kyiv Independent fala numa operação que conseguiu desestabilizar de forma profunda a cidade russa de Belgorod e os registros que nos chegam através das redes sociais são prova disso. Vamos escutar. Acabamos de ouvir um som retirado de um vídeo onde se pode ver claramente uma grande explosão nesta central elétrica de Belgorod. As secretas ucranianas dizem ter interceptado conversas telefônicas entre funcionários desta central russa, onde terão admitido que os danos são profundos e vão levar tempo a ser reparados.

E a fechar a nossa revista de imprensa ucraniana. Foi detido um menor que ajudou a planear vários ataques terroristas na Ucrânia.

Apenas com 16 anos, Miguel, e já era agente das forças especiais russas. Este jovem foi detido na Polônia, deportado para a Ucrânia e, apesar de trabalhar pra Rússia, tem nacionalidade ucraniana, é de Kharkiv. Este rapaz começou em 2024 a circular pela União Europeia com o objetivo de contratar pessoas dispostas a cometer atos terroristas na Ucrânia.

Sendo que é realmente muito jovem, 16 anos, uma forma de, porventura, esconder esta intervenção russa.

Precisamente. E as pessoas que contratava eram também muito jovens. Pela idade, este agente russo tinha grande facilidade em convencer os mais jovens a alinhar nos ataques terroristas. Fazia-o também através das redes sociais. A Justiça ucraniana acusa-o de ter contratado dois outros rapazes de 15 anos que cometeram os atentados de Slobozhanske e Kolomak, em 2024. Este agente dos serviços especiais russos de 16 anos foi esta manhã detido, acusado dos crimes de conspiração e terrorismo. Arrisca 12 anos de prisão.

Voltamos já a seguir para a segunda parte com os destaques da imprensa russa.