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Está com a Rádio Observador, está com o Guerra Traduzido e nos próximos minutos vamos falar dos destaques da imprensa ucraniana. Connosco está a jornalista Diana Rosa e vamos começar com a viagem de Volodymyr Zelenskyy à Arábia Saudita. O presidente ucraniano vai estar reunido com o príncipe herdeiro nesta véspera das negociações entre a Ucrânia e os Estados Unidos da América. Negociações que têm como objetivo começar a trabalhar esse fim da guerra.
Sim, estávamos há pouco a receber aqui a informação de que Volodymyr Zelenskyy chegou há minutos à Arábia Saudita. O encontro entre os responsáveis norte-americanos e ucranianos que está marcado para esta terça-feira vai ser o primeiro desde a discussão entre Zelenskyy e Donald Trump na Casa Branca. Amanhã a conversa deverá focar-se também no acordo de minerais, que entretanto não foi assinado em Washington, precisamente por causa desse incidente. A imprensa internacional e ucraniana acreditam que Zelenskyy vai propor um cessar-fogo parcial, um acordo que inclua uma pausa nos ataques com drones e com mísseis de longo alcance, assim como nas operações de combate no Mar Negro. Ou seja, é uma trégua aérea e marítima, até porque Kiev acredita que este tipo de cessar-fogo é mais fácil de controlar. Com esta proposta, a Ucrânia convence ou tenta pelo menos convencer os Estados Unidos a retomarem a partilha de informações, bem como a ajuda militar.
A Ucrânia capturou nove soldados russos perto de Pokrovsk, no leste do país.
Com um alto-falante montado num drone, as forças ucranianas pediram aos soldados russos que estavam no interior do que foi descrito como um edifício industrial, para se renderem. As forças russas primeiro recusaram-se, só que os ucranianos fizeram explodir parte do edifício. De seguida, o que é que aconteceu? Os soldados russos acenaram com um pano branco e renderam-se. Isto de acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. Nas sequências desta operação, alguns dos soldados terão ficado feridos.
A Rússia, entretanto, intensificou os ataques à Ucrânia. Isto aconteceu já nos últimos dias. Desde ontem, pelo menos seis pessoas morreram na sequência de bombardeamentos russos. Há também registo de 22 feridos, dados publicados pelo Kyiv Independent.
Ataques a várias cidades ucranianas. Falamos da morte de civis em Donetsk, no leste do país. Três pessoas morreram e seis ficaram feridas, é o que adianta o governador da região. Já em Kharkiv, no norte da Ucrânia, na sequência de um ataque russo com recurso a um drone, foi registada a morte de dois homens e uma mulher. Em Kherson, nove pessoas ficaram feridas e em Dnipropetrovsk, duas. Uma mulher de 56 anos, que teve de ser hospitalizada, assim como uma jovem de 18 anos. Em Zaporíjia, também no leste do país, há registo de quatro feridos, um adolescente de 16 anos, dois homens de 65 e 67 e uma mulher de 79 anos. Durante a noite, a Força Aérea Ucraniana disse ter conseguido interceptar 130 dos quase 180 drones que foram lançados pela Rússia. Outros 42 não atingiram os alvos e acabaram por desaparecer dos radares ucranianos.
E o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, diz que a Ucrânia pode não sobreviver à guerra, mesmo com o apoio norte-americano.
Declarações de Donald Trump numa entrevista à Fox News, citada pelo Kyiv Independent. O chefe de Estado foi questionado acerca das declarações do homólogo polaco, Andrzej Duda, que disse que sem o apoio americano, a Ucrânia não vai sobreviver. Ora, a jornalista questionou Donald Trump se está confortável com essa possibilidade e com o facto de ter virado as costas à Ucrânia. E o presidente norte-americano fintou a jornalista e disse que Kiev pode não sobreviver de qualquer forma, com ou sem o apoio dos Estados Unidos. Pode mesmo acabar por perder a guerra. Portanto, Trump não tem propriamente um sentimento de culpa. Durante a entrevista, segundo o Kyiv Independent, o líder norte-americano voltou ainda a acusar Volodymyr Zelenskyy de não ser grato pelo apoio dos Estados Unidos, embora o presidente ucraniano já tenha agradecido dezenas ou centenas de vezes o apoio norte-americano. Diz Donald Trump que Zelenskyy tirou dinheiro aos Estados Unidos durante o governo de Biden, como se tirasse doces da boca de um bebé. Vamos ouvir, Miguel, aqui este excerto da entrevista.
"Foi como tirar o doce de um bebê o que ele fez. Ele é um tipo inteligente, é um tipo duro. Tirou dinheiro deste país sob a alçada de Biden como se tirasse a uma criança. Foi tão fácil e não acho que ele esteja agradecido. Na minha opinião, os Estados Unidos ofereceram-lhe $350 mil milhões e o Zelenskyy diz que eles voltaram. Bom, há uma valentia porque alguém tem de usar armas, mas e sem essas armas? Não se esqueçam, fui eu que lhes dei. Foi com elas que ele foi capaz de derrotar soldados. O Obama não lhe deu nada".
Este recado a Obama tem a ver com o facto de a Rússia ter invadido a Crimeia em 2014, na altura em que Barack Obama era presidente dos Estados Unidos e o Ocidente não foi além de uma ou outra sanção à Rússia aquando dessa invasão. Certo é que há um acordo de minerais que pode ser assinado por estes dias, pode ser na Arábia Saudita, mas Donald Trump parece não baixar o tom relativamente a Volodymyr Zelenskyy.
Guerra traduzida com os destaques da imprensa ucraniana.