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Segunda parte da Guerra Traduzida, agora com destaque para o que diz a imprensa da Rússia. O jornalista André Maia continua conosco. André.
Boa tarde.
Começamos com o jornal estatal Izvestia, que hoje fala dos desenvolvimentos positivos das forças russas em Pokrovsky.
Sim, bem ao estilo do Izvestia, o jornal destaca obviamente o lado positivo do percurso militar, é um jornal estatal.
Sendo um jornal estatal.
Exatamente. Muita adjetivação, por exemplo, escreve o jornal que os militares das Forças Armadas da Federação Russa estão a avançar de forma ativa e com sucesso na direção de Pokrovsky. E mesmo a fonte que é utilizada para esta informação é adjetivada. O Izvestia diz que foi informado pelo herói da Rússia, o capitão Sari Tkhak. Diz ele que estão a ser bem-sucedidos, que os militares russos estão a progredir muito bem, estão a consolidar-se na posição inimiga. Diz que a maior parte da cidade já está cercada e o capitão Sari Tkhak observou também, diz que as Forças Armadas russas, entre outras coisas, estão a seguir para o norte, isto para expandir a linha de frente inimiga e o objetivo é desmantelar a linha ucraniana.
E ainda o Izvestia, André, pega num ângulo além-fronteiras, a ligação da Rússia à China, isto por causa das celebrações do aniversário 80 da vitória na Segunda Guerra Mundial.
Sim, o título diz logo tudo, Vasco. Estou a citar: "Calendário virado de cabeça para baixo. Os diplomatas da União Europeia não vão comparecer ao desfile militar na China no dia 3 de setembro". E depois, no restante corpo da notícia do Izvestia, são muito duros os russos para com esta ausência da União Europeia no desfile chinês. Diz o Izvestia que os embaixadores da União Europeia decidiram boicotar, é mesmo esta a expressão utilizada, o desfile militar na China por ocasião do 80º aniversário da vitória da Segunda Guerra Mundial. De acordo com os relatos conseguidos apurar pelo Izvestia, decidiram os europeus não participar no evento por causa da presença de Vladimir Putin. O presidente russo vai estar na marcha, como é óbvio. E tendo em conta que também há a possível participação, é o que diz o Izvestia, de militares russos na marcha, a União Europeia não vai estar presente. O artigo do Izvestia diz que esta medida pode afetar mesmo as relações entre Pequim e as capitais europeias. Este jornal estatal russo cita o South China Morning Post, que diz que o embaixador da União Europeia na China, Jorge Toledo, não vai sequer ele próprio participar ou comparecer no desfile. Quanto aos outros países da União Europeia, vão seguir o mesmo exemplo e diz mesmo o Izvestia que há algumas destas figuras-
Gozaram.
Exatamente, gozaram e vão estar de férias. Não é só o fato de estarem em trabalho, é o fato de terem colocado mesmo férias, especificamente neste período, só para não estarem presentes.
André, por último, vamos ao jornal independente, o Moscow Times, e não ficamos muito longe da China. Hoje é notícia neste jornal que Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, premiou os soldados que lutaram pela Rússia na guerra da Ucrânia.
Exatamente. O jornal cita os jornais norte-coreanos, que mostram as imagens do líder Kim Jong-un ajoelhado à frente de vários retratos dos soldados que morreram nas linhas da Ucrânia. Relembro que foram sensivelmente 10 mil soldados pra Rússia em 2024, para além de muitos carregamentos de mísseis, de artilharia, sistemas de foguetes de longo alcance. Estamos a falar de muita artilharia que foi enviada para a Rússia por parte da Coreia do Norte. Para além disso, cerca de 600 soldados norte-coreanos foram mortos, milhares ficaram feridos também. Isto são dados que nos chegam de Seul e não propriamente da Coreia do Norte.
De Pyongyang.
Exatamente, porque já sabemos que muito dificilmente teríamos acesso a esses números. Ora, esta cerimônia, que aconteceu hoje, ou pelo menos foi noticiada hoje, foi realizada na sede do Partido dos Trabalhadores em Pyongyang. Nas fotografias conseguimos ver Kim Jong-un entregar medalhas, também colocar flores junto às fotografias dos soldados que morreram, também a consolar alguns soldados que regressaram, mas que ficaram feridos. E saudou também os heróis, estou a citar: "Heróis que sacrificaram as juventudes e as suas vidas". Kim Jong-un elogiou os soldados que regressaram à casa com grande honra, depois de, e aqui vou também citar: "Terem suportado a chuva de balas e bombas da guerra de vida ou morte num país estrangeiro". A verdade é que foi apenas voluntário este serviço dos norte-coreanos, tendo em conta que a Coreia do Norte, como disse no ano passado, enviou daquilo que a Coreia do Sul conseguiu apurar, porque não sabemos do lado da Coreia do Norte, mas terá enviado mais de 10 mil soldados pra Rússia.
E é com essa homenagem do líder norte-coreano que fazemos aqui o ponto final em mais uma edição da Guerra Traduzida na Rádio Observador, esta semana com o André Maia. Voltamos já na próxima segunda-feira com mais destaques da imprensa ucraniana e russa sobre esta invasão.