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Guerra traduzida na Rádio Observador, dia 2 de setembro de 2025. Temos conosco em estúdio o jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, boa tarde. Vamos começar esta guerra traduzida com a imprensa russa, que hoje destaca um chá entre Vladimir Putin e Xi Jinping.
É o artigo em destaque no Komsomolskaya Pravda, no dia em que Vladimir Putin está de visita oficial à China. Encontrou-se com o líder chinês para celebrar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e também a vitória da China sobre o Japão. Escreve este jornal russo: é um marco tão importante para os chineses como o dia 9 de maio, chamado Dia da Vitória, é para os russos. Este dia foi dedicado ao encontro dos chefes de Estado da Rússia e da China. Os planos incluem negociações, assinatura de documentos e, claro, um chá da tarde. É uma das tradições preferidas de Xi Jinping, discutir assuntos de Estado e política mundial enquanto tomam uma chávena de chá. E do que podemos ler na KP, já é possível perceber sobre o que se debruçaram nesta conversa. Pouco tempo depois do fim desta primeira reunião, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China anunciou a introdução de um regime de isenção de visto para russos a partir do dia 15 de setembro, isenção de visto para entrar na China. Além disso, Rússia e China assinaram um memorando sobre a construção de mais um gasoduto que vai transportar até 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano.
E Vasco, entretanto, o presidente russo também já se encontrou com o líder eslovaco em Pequim e não deixou de falar sobre a situação na Ucrânia.
Garante Vladimir Putin que o único objetivo da Rússia na Ucrânia é proteger os próprios interesses. Qualquer pessoa que esteja sã sabe muito bem que Moscovo não vai atacar ninguém, é o que diz Vladimir Putin. Garante também que o Kremlin foi forçado a proteger pessoas que ligaram o seu destino à Rússia, ou seja, pessoas que viviam na Ucrânia, mas que queriam ser cidadãs russas. Lembrou ainda que há muito tempo que Moscovo tolera ataques das Forças Armadas ucranianas às instalações energéticas russas e agora começou a responder mais a sério. Assume também que no Alasca discutiu com Donald Trump opções para garantir a segurança da Ucrânia depois deste conflito acabar e garante Putin que é possível encontrar um consenso para garantir a segurança do país.
E nesta conversa, Robert Fico, o primeiro-ministro da Eslováquia, deixou críticas internas à União Europeia.
"Um sapo no fundo de um poço" é a analogia encontrada pelo líder eslovaco para lembrar ou para mostrar o isolamento do grupo dos 27. Lembrando que a Eslováquia faz parte da União Europeia, diz Robert Fico que tal como o sapo no fundo do poço, a União Europeia é incapaz de imaginar o mundo que está lá fora, garante que o globo está completamente diferente, que está decepcionado porque as potências europeias estão sendo incapazes de reagir aos mais recentes desenvolvimentos mundiais. Nesta conversa com Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Eslováquia frisou também que Bratislava assumiu uma posição firme contra os ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera, ataques que considera inaceitáveis e planeia discutir esta mesma questão numa futura reunião com Volodymyr Zelensky.
Continuamos a falar desta cimeira em Pequim. A Rússia, Vasco, está a considerar a implementação de projetos conjuntos com a China e também com os Estados Unidos em várias áreas.
Um acordo entre as maiores potências do globo, é o que diz o presidente executivo do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev. Foi ontem à noite esta entrevista na televisão russa Zvezda. Estes projetos podem acontecer na região do Ártico, mais especificamente no setor energético. Diz Dmitriev que os planos de desenvolvimento não se devem limitar a acordos bilaterais entre Rússia e China ou Rússia e Estados Unidos e, por isso, Moscovo vai agora explorar que investimentos conjuntos são possíveis entre os três países. É uma notícia que está em destaque na agência estatal TASS.
Olhamos também para o que escreve a imprensa independente da Rússia, o Moscow Times destaca o envolvimento de soldados norte-coreanos na guerra da Ucrânia.
Isto porque sabe-se hoje que cerca de 2 mil soldados de Pyongyang morreram a lutar pela Rússia, números que são avançados pela Coreia do Sul, aqui trazidos para manchete pelo Moscow Times. Agências de inteligência sul-coreanas e ocidentais dizem que Pyongyang enviou mais de 10 mil soldados para a Rússia no último ano, principalmente para a região sudoeste de Kursk, região que esteve ocupada pela Ucrânia a certa altura, em conjunto com projéteis de artilharia, mísseis e também sistemas de longo alcance. Seul acredita que a Coreia do Norte planeia mesmo mobilizar mais 6 mil homens pra frente de batalha na Ucrânia. Lembro que Rússia e Coreia do Norte assinaram um pacto de defesa o ano passado durante a visita do presidente Vladimir Putin a Pyongyang.
Fica por aqui este episódio da guerra traduzida, versão Rússia. Já a seguir, olhamos para o que dizem os jornais da Ucrânia.