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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos olhar para os destaques da imprensa russa, o que dizem os jornais estatais e o que dizem os jornais livres na Federação Russa. É o que nos vai dizer o André Maia, está conosco aqui em estúdio. André, vamos começar esta guerra traduzida russa com uma espécie de guerra traduzida feita na Rússia. Isto é uma reportagem do The Moscow Times.

Exatamente, boa tarde. É isso mesmo, é tal e qual como disseste. Aliás, o título da reportagem do jornal diz tudo e podia ser o título de um episódio da Guerra Traduzida aqui na Rádio Observador, porque diz o título: "Beco sem saída de Zelensky", é uma citação, "mídia russa minimiza o encontro entre a Ucrânia e Trump na Casa Branca". E de seguida passam a elencar alguns momentos dessa minimização, no fundo, a traduzir as notícias tal como nós aqui o fazemos na Rádio Observador.

Certamente não tão bem.

Esperamos que não. Em primeiro, o papel da televisão estatal russa, que escreve o The Moscow Times, minimizou os resultados desta reunião. Diz que a mídia russa até sublinhou mais vezes o fato de Trump ter interrompido a reunião para ligar a Putin do que todo o resto da reunião em si. No caso da televisão estatal, o The Moscow Times sublinha que todos os noticiários desta terça-feira descreveram e foram abertos com a notícia da descrição do telefonema entre Putin e Trump, como um telefonema muito produtivo, ao mesmo tempo que os telejornais retratavam sempre o encontro de Zelensky com os líderes europeus e Trump como um momento em que não houve espaço para sorrisos. Tivemos o caso, por exemplo, da emissora estatal Russia 1, que abriu o seu telejornal com comentários do assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, sobre este telefonema entre Putin e Trump, em que Ushakov diz que teve tudo como objetivo começar os preparativos para um encontro entre Putin e Zelensky. Descrevendo também a reunião entre Trump e Zelensky, e também os líderes europeus, este correspondente do Russia 1 diz que as decisões que os países ocidentais terão de tomar nos próximos dias não prometem nada de bom, nem para eles próprios, nem para Kiev. Já, por exemplo, pegando num jornal fora as televisões, num jornal estatal, o jornal que é pró-Kremlin, pró-Putin, o Komsomolskaya Pravda, publicou um artigo intitulado: "O beco sem saída de Zelensky. Trump entrou em choque com o chanceler alemão Frederick Merz sobre a Ucrânia na Casa Branca e ligou também para Putin". Sendo que depois dão aqui uma nota, o The Moscow Times, sobre aquilo que foi dito no KP. Estou a citar: "Na foto do grupo, toda a gente parecia mais sombria do que uma nuvem de tempestade", é o que dizia o artigo. Portanto, no fundo, aqui o The Moscow Times fez a guerra traduzida por nós, faz aqui uma passagem pros jornais estatais e aquilo que eles disseram neste dia, neste pós-reunião, pós-cimeira na Casa Branca.

Uma peça da guerra traduzida, sem falar no Izvestia, que obviamente também falou desta cimeira. E André, chama a atenção sobre algo que ainda não mencionamos, o fato de Zelensky.

Exatamente. Para esta nova visita, Zelensky mudou o guarda-roupa, já sabemos. Apareceu com uma espécie de fato, não com uma gravata, mas uma camisa preta, calças pretas também, sendo que aqui o Izvestia dá um destaque muito grande, faz mesmo uma peça, uma reportagem só sobre o fato. Diz, por exemplo, que foi desenhado pelo estilista Viktor Anisimov, que já tinha usado também em outros eventos deste ano, como o funeral do Papa Francisco, por exemplo, ou também um encontro com Keir Starmer, o primeiro-ministro britânico, e também quando reuniu com a cúpula da NATO. O New York Times descreveu, e aqui o Izvestia sublinha este lado que o New York Times fala, descreveu o traje de Zelensky como uma espécie de zona desmilitarizada, localizada entre dois lados do estilo militar e clássico, e sublinham também a ausência da gravata. E, portanto, é interessante ver que no meio de uma guerra, um jornal russo e até agora só na imprensa russa é que existe.

Há espaço para a polícia da moda russo?

Sim, de certa forma, a meio do conflito e quando há tanto para dizer sobre a reunião de ontem, obviamente que há sempre esta parte também quase semiótica, do que é que significa a parte corporal, a parte das vestimentas, mas aqui é interessante que apenas a imprensa russa chamou a atenção sobre isso.

Vamos avançar não tanto para falar de moda, porque o TASS chama a atenção para a Crimeia.

Exatamente. Outro jornal estatal diz que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou ontem na tal cimeira, na tal reunião, que é impossível devolver a Crimeia à Ucrânia, ou é impossível também que Kiev se junte à NATO. Diz o jornal TASS que Trump terá dito nesta reunião que Zelensky deve demonstrar uma flexibilidade nas negociações com a Ucrânia. E também aqui não é inocente, a única citação feita neste artigo do TASS é à Fox News, que é normalmente associada a Donald Trump, que diz o jornal TASS, Donald Trump terá dito à Fox News que as duas coisas são completamente impossíveis, tanto devolver a Crimeia como também esta questão da Ucrânia se juntar à NATO.

E é o ponto final. Em mais uma edição da Guerra Traduzida na Rádio Observador. Nós voltamos amanhã. Mais destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa sobre a guerra na Ucrânia. A Guerra Traduzida fica, como sempre, disponível lá em podcast.