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"Guerra" traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Está conosco a Diana Rosa. Boa noite.

Boa noite, Laura.

Começamos pelos jornais ucranianos e com o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos a Kiev. "Incontornável" é a manchete no Kyiv Independent, a mensagem que Volodymyr Zelensky transmitiu hoje ao país, numa altura em que diz ser a mais difícil desde o início da guerra.

Trump deu até quinta-feira, Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, para Zelensky decidir. Num vídeo endereçado aos ucranianos, Zelensky lembra a promessa que fez ao país há seis anos, mas reconhece que agora está entre a espada e a parede num dos capítulos mais difíceis da história da Ucrânia.

Este é um dos momentos mais difíceis da nossa história. A Ucrânia está sob forte pressão e tem de fazer uma escolha muito difícil. É a perda da dignidade ou o risco de perder um parceiro-chave. São 28 linhas difíceis de aceitar ou um inverno extremamente rigoroso. É o mais elevado risco de uma vida sem liberdade, sem dignidade, sem justiça. E eu, no dia 19 de maio de 2019, prometi fidelidade à Ucrânia. Eu, Volodymyr Zelensky, escolhido pelo povo ucraniano, tenho a obrigação de defender a soberania e independência deste país.

Zelensky diz que o interesse nacional da Ucrânia deve ser tido em consideração, promete um diálogo tranquilo com os Estados Unidos e todos os outros parceiros.

O presidente da Ucrânia explica também que falou com António Costa, Ursula von der Leyen e ainda com Mark Rutte, secretário-geral da NATO.

Zelensky dá conta de vários telefonemas feitos hoje. Um deles foi pro nosso ex-primeiro-ministro, actualmente presidente do Conselho Europeu. A ele e a todos os líderes do bloco comunitário, o presidente ucraniano esteve a colocá-los a par das propostas norte-americanas. Diz Zelensky que continua a valorizar a América e o compromisso de Donald Trump para acabar com a guerra e quer que esse plano seja alinhado entre todos.

Precisamente os líderes europeus rejeitam o acordo de paz surpresa com a Ucrânia e reafirmam o apoio a Kiev.

Foi emitida uma declaração conjunta com a afirmação de que a atual linha da frente deve ser o ponto de partida para qualquer entendimento e que as Forças Armadas Ucranianas continuam capazes de defender de forma eficaz a soberania da Ucrânia. A declaração, que surgiu depois de uma conversa telefónica entre os líderes de França, Alemanha, Reino Unido e o presidente ucraniano, também afirmou que, embora acolhessem favoravelmente os esforços dos Estados Unidos, qualquer acordo que afete os países europeus, a União Europeia ou a NATO, requer uma aprovação dos parceiros europeus ou um consenso entre os aliados. Ainda ontem, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, afirmou que qualquer plano de paz deve ser apoiado pela Ucrânia e pela Europa. A pressão deve recair sobre o agressor e não sobre a vítima. Recompensar a agressão só vai incentivar mais violência. É o tema que ocupa a maioria do espaço dos jornais ucranianos e dos russos também.

E por isso voltamos já a seguir para falar da imprensa russa.