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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Muito boa noite, Diana.
Boa noite, Zé.
Começamos com a imprensa ucraniana. Volodymyr Zelensky respondeu ao repto do Kremlin. O presidente russo mostrou-se disponível para se reunir com o líder ucraniano, desde que ele fosse a Moscovo.
O presidente da Ucrânia devolveu com um desafio: "Putin que vá a Kiev se tiver coragem", diz Zelensky. Salienta o chefe de Estado ucraniano que é absolutamente impossível deslocar-se ao Kremlin, está fora de questão e responde na mesma moeda. Diz que então se é assim, deixou o repto publicamente para que seja Putin a ir à capital ucraniana. O presidente da Ucrânia não rejeita a possibilidade de vir a encontrar-se com o homólogo russo, mas nunca em Moscovo. No entanto, Zelensky rejeita a realização de negociações tanto na Rússia quanto na Bielorrússia, porque diz que Moscovo é o agressor e Minsk é o parceiro. Diz ainda que não sabe quando é que vai ser a próxima reunião nesta nova ronda de negociações. Acrescenta que a data e o local podem mudar devido à situação entre os Estados Unidos e o Irão.
A Rússia, que não atacou as infraestruturas energéticas nas últimas horas, mas fez vítimas civis na Ucrânia. Diana, é a denúncia que nos chega das autoridades.
Uma pessoa morreu, cinco ficaram feridas num ataque aéreo russo na cidade de Kherson. É o que diz o Serviço de Emergência Estatal da Ucrânia. Zelensky confirma que não houve ataques a alvos do setor energético, mas a Rússia realizou um ataque com mais de 100 drones e um míssil balístico, de acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. Entre os alvos atingidos estão um edifício administrativo, que já tinha sido desativado, e um armazém perto de Kharkiv, assim como uma residência privada em Zaporizhzhia. Os ataques mataram também uma pessoa e feriram outra na região de Kharkiv. Por outro lado, as autoridades da região de Kherson adiantam que um ataque a um autocarro de passageiros matou o motorista e feriu cinco passageiros.
E voltamos a falar de Volodymyr Zelensky, que diz que a solução menos problemática para a questão das eventuais cedências territoriais é cada um ficar onde está.
Numa fase em que a Rússia já consolidou o controle sobre algumas áreas no Donbass, por exemplo, Zelensky mostra estar disponível para um compromisso que leva à perda do controle sobre esses territórios. Porém, o presidente ucraniano diz que para justificar que a Ucrânia faça cedências como essas, a Rússia também tem, do seu lado, de fazer algumas cedências. Caso contrário, não é uma negociação, diz Zelensky, é uma cedência unilateral que envolve ceder às duras exigências feitas pela Rússia.
E a União Europeia pretende aprovar o 20º pacote de sanções contra a Rússia. Quer fazê-lo no próximo dia 24 de fevereiro, data em que se assinalam quatro anos da invasão russa à Ucrânia.
A informação foi avançada pela chefe da diplomacia europeia. Kaja Kallas afirma que esse é o objetivo político do bloco europeu, embora reconheça que ainda não existe um acordo fechado entre os Estados-membros. De acordo com a responsável, continuam em curso negociações com os diferentes países a apresentarem propostas. Entre as medidas em discussão estão novas sanções ao setor energético da Rússia, também ao comércio de fertilizantes e a possibilidade de um embargo total aos serviços marítimos, que têm o objetivo travar a atividade da chamada frota-sombra dos petroleiros russos. Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de França defende um bloqueio completo aos serviços marítimos prestados à Rússia como forma de dificultar o escoamento de petróleo. Zelensky já indicou que Kiev vai propor que o novo pacote vise empresas e indivíduos russos que continuam a lucrar com os recursos energéticos, bem como responsáveis pelo rapto de crianças ucranianas e esquemas ligados à produção militar russa.
Fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.