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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Poderá Tolentino Mendonça chegar a Papa?
Laudetur Jesus Christus.
Saudações fraternais. A Rádio Vaticano a transmitir o seu Rádio Journal em língua portuguesa.
Dom José Tolentino Mendonça vai ter um novo cargo na hierarquia da Igreja Católica. O cardeal português foi chamado pelo Papa Francisco para ser o responsável pelo ensino e pela cultura. Uma notícia em destaque na Rádio Vaticano.
A semana começa com novas nomeações na Cúria Romana, entre elas a do português José Tolentino Calçada de Mendonça. Nesta segunda-feira, o Papa nomeou o cardeal como prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Até então, o arcebispo era arquivista e bibliotecário do Vaticano, cargo que agora será ocupado por Amante Biscardi.
Tolentino Mendonça é agora o prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação do Vaticano. Vai ser responsável pela área do ensino. O padre poeta, como é também conhecido, tem subido rapidamente na hierarquia da Igreja Católica e é hoje um dos cardeais mais jovens e com direito a voto no próximo conclave. Que poder têm hoje os prelados portugueses na Cúria Romana e na Igreja? E a cada promoção surge de novo a pergunta: poderá a Igreja voltar a ter um papa português? Vou conversar com o João Francisco Gomes. É jornalista do Observador, acompanha assuntos religiosos e é autor do livro "Roma, Temos um Problema", sobre a forma como a Igreja tem lidado com os abusos de menores. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vindo, João Francisco.
Olá, Ricardo.
João, podemos dizer que a Igreja Católica tem uma dimensão espiritual e outras dimensões mais terrenas. Por exemplo, o que é a Cúria Romana?
Na prática, a Cúria Romana é aquilo que podemos comparar ao governo civil de um país. Tal como Portugal ou qualquer outro país tem um governo, a Santa Sé, que é a entidade de direito internacional que tem relações internacionais com-
O Estado.
O Estado, digamos assim, que tem relações diplomáticas com múltiplos Estados e que é também a entidade que tem soberania sobre o território do Vaticano, mas o Vaticano e a Santa Sé são entidades diferentes. A Santa Sé, no fundo, é a entidade estatal ou internacional que dá corpo à Igreja Católica, que tem presença em todo o mundo. E a Igreja Católica, por via da Santa Sé, é governada pela Cúria Romana. O chefe é o Papa e tem vários ministérios.
E o Papa Francisco tem sido o protagonista de uma tentativa de mudança, de reforma. Não sei se podemos usar o termo reforma numa questão ligada à Igreja Católica.
Podemos perfeitamente. Neste caso concreto, o Papa tem, de fato, promovido uma reforma profunda da Cúria Romana, que aliás, vem em linha com aquilo que foram as congregações gerais de 2013, antes do conclave em que o Papa Francisco foi eleito. Havia uma noção muito clara de que a Cúria Romana se tinha transformado numa instituição pesada, com muitos organismos, com muitas pessoas e pouco ágil a responder aos desafios contemporâneos.
Ou seja, com muitos ministérios, muitas secretarias de Estado, direções-gerais. É esse o sentido?
Exatamente. Muitos organismos diferentes, com nomes diferentes, as congregações, os conselhos, os comitês, as academias, etc., que eram tudo organizações com nível hierárquico ligeiramente diferente, todos eles com muitas estruturas, com muitas pessoas e, sobretudo, que já não estavam a ser capazes de dar resposta aos desafios de hoje. Eu dou um exemplo concreto. A Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora da Inquisição, historicamente considerada o grande organismo da Cúria Romana. Atualmente, nesta reforma, e já podemos ir um pouco à reforma, integra a Comissão para a Proteção de Menores, que é aquele organismo criado pelo Papa para dar resposta a esta crise que a Igreja tem vivido. Mas antes desta reforma, esta comissão estava ali um pouco a navegar no meio dos vários organismos da Cúria Romana, não se conseguia impor a nenhum. Aliás, foi esse o motivo pelo qual aquela comissão, no início, não conseguiu trabalhar muito bem, porque ninguém respeitava as orientações da comissão, porque ela não via lugar na estrutura, porque a estrutura se tinha tornado numa coisa muito difícil de manobrar. E o Papa, nessas congregações, quando faz o discurso aos cardeais em que apresenta a sua visão para aquilo que deve mudar na Igreja, e que ainda é visto como o grande documento programático do Papa Francisco com vista à sua eleição, apresenta uma proposta de reforma e renovação da Cúria, que foi o grande objetivo do pontificado do Papa Francisco e que foi concluído este ano, foi implementado no verão deste ano.
De resto, a Congregação para a Doutrina da Fé teve à sua frente o cardeal Ratzinger, que depois vem a ser eleito Papa Bento XVI. O que mais mudou na Cúria?
O Papa Francisco determinou Em primeiro lugar, o fim, a abolição das congregações e das comissões. Todos os organismos da Cúria Romana actualmente chamam-se dicastérios. São 16. Muitos foram concentrados, outros foram extintos, reorganizados, de modo a que a estrutura seja mais pequena e haja uma igualdade entre todos os departamentos. Além disso, fica consagrado na nova Constituição que os cargos de topo, o prefeito de cada um destes dicastérios pode ser um sacerdote, um cardeal, um bispo, mas também pode ser um leigo. E isto é uma novidade muito interessante que o Papa Francisco introduz, porque ele já o tinha feito, já tinha nomeado um leigo para liderar um destes organismos, mas agora fica especificado nesta nova Constituição que estes cargos tanto podem ser ocupados por clérigos como leigos. É claramente uma mudança de mentalidade no modo como a cúpula da Igreja Católica é interpretada e como é colocada ao serviço da Igreja em todo o mundo e não como instituição onde se concentra o poder clerical da Igreja.
É muito interessante essa mudança. E que cargo ocupava o cardeal Tolentino Mendonça até agora?
Até agora, o cardeal Tolentino Mendonça era o arquivista e bibliotecário da Santa Sé. Ele tutelava o arquivo do Vaticano, o antigo arquivo secreto, cujo nome foi mudado pelo Papa Francisco, justamente porque se acreditava que era um nome que estimulava muito-
Estimulava a imaginação.
Exatamente. E também tutelava a Biblioteca Apostólica do Vaticano, que é a biblioteca mais antiga do mundo. Juntos, estes dois arquivos guardam alguns dos tesouros mais preciosos da história da humanidade.
Têm tesouros incríveis. E agora, o que é que vai fazer?
Agora o cardeal Tolentino Mendonça vai ser o prefeito, ou seja, o ministro do dicastério para a cultura e a educação. Ele vai tutelar estas duas áreas que até agora estavam separadas numa congregação e numa comissão e que agora foram fundidas num único dicastério.
E agora estão juntas e dentro dessa lógica do governo, vai responder diretamente ao Papa Francisco?
Sim, diretamente ao Papa Francisco, que é o chefe do governo.
E que competências vai então ter Tolentino Mendonça?
O Dicastério da Cultura e da Educação, como o nome nos permite intuir, vai estar dividido em duas secções, uma da cultura e outra da educação. No que toca à secção da cultura, o cardeal Tolentino Mendonça vai ficar com todas as responsabilidades que cabiam ao Conselho Pontifício para a Cultura, que é um organismo que promove o diálogo entre a Igreja e o mundo das artes, o mundo da cultura, o mundo da literatura. É também o organismo que é responsável, por exemplo, pelos esforços de preservação do património arqueológico, dos edifícios, das obras de arte, etc, que existem nas igrejas de todo o mundo. Serve para, a partir de Roma, a partir do Vaticano, coordenar o trabalho de todas as dioceses do mundo neste aspecto, quer do diálogo com os atores culturais, quer da preservação do património. Por outro lado, no âmbito da educação, Tolentino Mendonça fica com a tutela de tudo aquilo que é o universo educativo da Igreja Católica em todo o mundo. Eu posso dar alguns números.
Escolas, universidades.
Justamente. Estamos a falar de 1360 universidades católicas em todo o mundo.
1360.
Sim, e 487 universidades eclesiásticas e ainda 217 mil escolas.
Isso são quantos estudantes?
Em termos de estudantes universitários, estamos a falar de 11 milhões.
11 milhões.
E alunos das escolas, daquilo que em Portugal conhecemos como os colégios católicos, por exemplo, estamos a falar de 62 milhões de alunos em todo o mundo. Ele vai tutelar tudo isto. É um trabalho de um grande ministério da Educação, com milhões e milhões de alunos. E além disso, é também responsável, por exemplo, por outras coisas mais acadêmicas. É a organização que aprova os professores que podem ensinar teologia, que emite os certificados das faculdades pontifícias. É um conjunto de competências no âmbito educativo que Tolentino Mendonça vai ter.
Já voltamos à conversa com o jornalista João Francisco Gomes. Vamos olhar para o percurso de José Tolentino Mendonça e tentar perceber se o clero português tem, por esta altura, mais poder no Vaticano.
O Brasil está dividido.
Não tem mais espaço para ladrão em nosso país.
Que esse fascista que está governando esse país. Às segundas, ao meio-dia na Rádio Observador, Sara Antunes de Oliveira, Cátia Bruno e João Gabriel de Lima sentam-se à mesa do Café Brasil.
Acho que se podia dizer sambando na cara dos inimigos.
Fala sério! Todas as semanas, um convidado diferente para analisar a campanha e os candidatos. O seu governo foi o governo mais corrupto da história do Brasil. O país que eu deixei é um país que o povo tem saudade. Café Brasil, na Rádio Observador e em podcast.
Estamos de volta à conversa com o João Francisco Gomes, jornalista do Observador, é especialista em assuntos religiosos. João, Tolentino Mendonça vem da Madeira, agora está no Vaticano. Vê lá se consegues responder a este desafio, tentar resumir uma vida de 56 anos aqui num minuto ou menos de um minuto.
É um desafio difícil, mas eu vou começar já.
Então vamos a isso.
Tolentino Mendonça nasceu em 1965, na Madeira, mas foi para Angola com a família quando ainda tinha um ano de idade. Voltou só depois do 25 de abril, quando tinha nove anos de idade, com toda a família, e cresceu na Ilha da Madeira. Foi na Ilha da Madeira que contactou com a literatura pela primeira vez, inicialmente pela voz quer da avó, quer de uma zeladora de igreja analfabeta. E ele faz muita questão de dizer que a avó dele, que não sabia ler nem escrever, foi a sua primeira biblioteca.
Isso é muito interessante.
Contava-lhe histórias de livros que sabia de cor. Ainda em criança entrou no seminário, tinha 11 anos de idade, e começou logo na altura uma certa produção literária. Ele escreveu o primeiro poema com 16 anos, o primeiro poema que está publicado. Depois disso, foi estudar Teologia, acabou por ser ordenado padre em 1990. Daí foi diretamente pra Roma pra fazer o seu mestrado e quando voltou, foi colocado como professor na Universidade Católica e como capelão. Ele, até 2018, até a altura em que foi nomeado para ocupar cargos no Vaticano, era vice-reitor da Universidade Católica e era também capelão da Capela do Rato, em Lisboa.
Um local muito importante na história contemporânea. E é apresentado como padre poeta. Ele é um homem de cultura, não é?
Sim, o padre e o poeta, em Tolentino Mendonça, confundem-se, não se separam e ele próprio faz questão de dizer que quando escreve poesia não está a pregar e quando está a pregar, também não está necessariamente a fazer poesia, mas também está a fazer tudo ao mesmo tempo. E ele classifica-se, de modo muito interessante, como um cristão que escreve poesia. E, portanto, não que a poesia seja propriamente cristã ou que tenha um intuito de evangelização, digamos assim, mas ele apresenta-se como um cristão que escreve poesia. E o próprio papa Francisco, na sua nomeação cardinalícia, quando Tolentino Mendonça lhe pergunta o que é que aconteceu ali.
Porque é que lhe telefonaram.
O próprio papa diz-lhe: "Tu és a poesia", que é uma frase muito interessante.
Porque ele defende que os padres devem ouvir música, devem ver cinema, devem ler.
Justamente. Ele defende um diálogo entre aquilo que é a tradição da Igreja e a cultura contemporânea. Ele diz que um bom biblista tem que ver cinema, ler livros, etc, porque a própria Bíblia é uma biblioteca. A própria Bíblia é um livro que tem uma dimensão literária importantíssima.
É o livro dos livros.
Justamente.
E como é que foi o percurso no Vaticano?
O percurso de Tolentino Mendonça no Vaticano começa, na verdade, ainda em Portugal. Em 2017, ele foi convidado pelo papa Francisco para orientar o retiro anual de Quaresma do papa e da Cúria Romana. Em fevereiro do ano seguinte, em 2018. Ele aceitou, naturalmente, mas inicialmente com algumas reticências. Não percebia exatamente porque é que um simples padre tinha sido escolhido pra uma função que é de uma grande honra no Vaticano. Mas lá foi, ele escreveu um ciclo de reflexões sobre o elogio da sede, que aliás foram publicados depois em 2018 em livro. E o retiro foi de facto um grande sucesso. O papa Francisco ficou fascinado com a forma como Tolentino Mendonça estabelece as pontes e faz este diálogo entre o Evangelho e a cultura contemporânea. Ele cita escritores, cita músicos, cita filmes e tudo isto aliado à força do Evangelho que ele propôs aos membros da Cúria Romana, fez crescer no papa Francisco a ideia de que este era um homem de cultura, mas ao mesmo tempo um homem da Igreja, e que seria a figura certa para liderar estes destinos da cultura no Vaticano atualmente. E, portanto, logo em 2018, ele foi elevado a arcebispo e foi convidado pelo papa Francisco para ser o bibliotecário arquivista do arquivo do Vaticano.
E é só depois que é elevado a cardeal.
Sim, ele primeiro foi durante cerca de um ano apenas arcebispo e foi o arquivista e bibliotecário do Vaticano. E em 2019 foi elevado à dignidade cardeal, e na altura foi até o segundo elemento mais novo do Colégio Cardinalício. Portanto, é um percurso que em menos de dois anos, ele foi de padre a cardeal, que é muito interessante.
Pode-se dizer que foi uma subida ou uma ascensão em flecha?
Seguramente uma ascensão em flecha. Não há notícia de uma ascensão desta rapidez.
E foi o papa Francisco quem o descobriu ou terá sido recomendado?
Quando eu entrevistei Tolentino Mendonça, há quatro anos, depois deste retiro, perguntei-lhe como é que isto aconteceu, como é que o papa se tinha lembrado de o convidar pra orientar o retiro, e ele, na altura, especulava que teria a ver com o facto de vários dos seus livros estarem publicados em italiano, de na altura, ele escrever uma coluna semanal num jornal italiano, e que provavelmente por isso o papa Francisco tenha entrado em contacto com o seu pensamento teológico. Mais recentemente, por exemplo, o jornal "Sete Margens" dizia que teria sido dom Carlos Azevedo, bispo português que trabalha em Roma como delegado do Conselho Pontifício para a Cultura, quem sugeriu o nome Tolentino Mendonça ao Papa Francisco.
Há um tema que está na ordem do dia, já falaste dele aqui neste episódio da História do Dia, a questão dos abusos de menores. Tu, João Francisco, és autor de um livro, "Roma, Temos um Problema", que aborda a forma como a Igreja se tem relacionado com este problema ao longo de 2 mil anos. É conhecida alguma posição pública de José Tolentino Mendonça sobre esta questão?
É conhecido, embora Tolentino Mendonça não se pronuncie extensivamente sobre este assunto. Normalmente, os seus pronunciamentos públicos são mais sobre a dimensão cultural da Igreja. Mas para dar um exemplo, numa entrevista ao Público em 2018, justamente na altura em que toda esta mudança na sua vida aconteceu, Tolentino Mendonça dizia que uma coisa é certa, e estou a citar: "O Papa Francisco é o ponto de referência de uma Igreja que assume a necessidade de purificar-se de desvios, erros e crimes passados, e que transporta para o presente uma exigência de coerência evangélica". Portanto, Tolentino Mendonça, muito próximo do Papa Francisco, sobretudo nestes últimos anos tornaram-se aliados. Claramente, tornou-se um poderosíssimo aliado do Papa Francisco e nesta questão da crise dos abusos, é muito taxativo ao dizer que o Papa Francisco está a transformar a Igreja Católica e a resposta da Igreja a esta crise.
E numa altura em que se especula sobre a hipótese de uma resignação do próprio Papa Francisco, Portugal tem três cardeais eleitores, ou seja, três cardeais que podem participar no eventual conclave e escolher ou serem escolhidos para Papa. É isto, João Francisco?
Sim, e é inédito. Pela primeira vez, Portugal, se houvesse hoje um conclave para escolher o próximo Papa, tinha três cardeais com direito de voto. Além de Tolentino Mendonça, também o Cardeal Patriarca de Lisboa, dom Manuel Clemente, e o antigo bispo de Leiria-Fátima, dom António Marto.
Perdem esse direito de voto aos 80?
Aos 80 anos.
E sempre que as portas da Capela Sistina se trancam com chave, conclave, é isso que quer dizer conclave, há especulação sobre quais os cardeais mais papabili, para usar aqui a expressão em italiano. Dom José Tolentino Mendonça estará nessa lista?
É uma especulação muito difícil de fazer. Acho que é importante dizer isto, sobretudo neste contexto concreto em que um próximo conclave acontecerá. O Papa Francisco, além da reforma da Cúria Romana, tem feito uma reforma muito profunda do Colégio dos Cardeais. Ao nomear cardeais que já não são na sua maioria europeus ou italianos, ao nomear cardeais das periferias do mundo, da Ásia, da América Latina, da África, etc, ele está a transformar o Colégio Cardinalício num mundo muito diverso de pessoas. E isto tem uma vantagem óbvia, a Igreja está muito mais representada naquele Colégio Cardinalício do que estaria se aquilo fosse 100 italianos.
É menos medievo nesse sentido.
Justamente, mas ao mesmo tempo traz um problema prático, que é a maioria daquelas pessoas não se conhecem. A maioria daquelas pessoas que vão entrar no próximo conclave só se conheceram naquelas duas ou três vezes que foram a Roma para passar um dia ou dois em reuniões. Ao contrário do que acontecia antes, em que aquelas pessoas viviam todas em Roma ou aqui na Europa e passavam a vida juntas. E, portanto, esta lógica dos papabili, que é uma especulação sempre feita quando há necessidade de um conclave, poderá ser muito mais difícil da próxima vez. Naturalmente, vai havendo uma lista com muitos dos cardeais que estão no topo da Cúria Romana. Há um nome que se fala com bastante insistência, que é o do cardeal Luís António Tagle, é um cardeal filipino bastante novo, que poderia ser, por exemplo, o primeiro papa asiático da história da Igreja. E, naturalmente, Tolentino Mendonça, enquanto um dos homens referenciais do Papa Francisco neste processo de reforma da Cúria, é um dos operacionais do Papa, digamos assim, neste processo, naturalmente poderá ser visto como um continuador do trabalho do Papa Francisco, sempre tendo em conta que se Tolentino Mendonça fosse escolhido, estaríamos a falar de um Papa com um perfil intelectual, acadêmico, teológico, que provavelmente o Papa Francisco poderá querer que a escolha do seu sucessor vá numa direção mais pastoral para dar uma continuidade ao seu trabalho.
Mais prática.
Mais prática. Mas é uma especulação que é sempre difícil de fazer e não quero ser eu a comprometer-me com nenhuma ideia.
Obrigado, João Francisco Gomes.
Muito obrigado.
João Francisco Gomes é jornalista do Observador, é especialista em assuntos religiosos e é autor do livro "Roma, Temos um Problema: Como a Igreja Católica Lidou com 2000 Anos de Abusos Sexuais". Esta foi a História do Dia. A sonoplastia é do Bernardo Almeida, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.