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Estou no Centro de Interpretação e Informação de Montemor-o-Novo e Paiva. Comigo tenho o técnico deste centro, Telmo Ferreira. Muito bom dia.
Muito bom dia.
Nós temos aqui uma sala dedicada a um dos recursos mais importantes, não só para o país, mas sobretudo para a região de Castro Daire, que é o rio Paiva.
Que é o rio Paiva. O nosso rio Paiva, que é um recurso fantástico, foi considerado durante muitos anos o rio menos poluído da Europa. É um recurso muito importante para o turismo, quer para o ambiente, porque está classificado no âmbito da Rede Natura 2000 como sítio de importância comunitária, albergando inúmeras espécies, quer de fauna, quer de flora. Relativamente à fauna, nós temos uma espécie no rio que para nós funciona como bioindicador do nível da poluição, que é a lontra. Nós ainda temos, felizmente, lontras no rio, o que nos indica que a qualidade da água ainda é boa. A lontra consegue o seu alimento ainda no rio, porque esta espécie é extremamente sensível. Quando o nível da poluição aumenta ou o seu alimento deixa de estar no rio, o alimento desaparece, a lontra, como é óbvio, não consegue sobreviver e também acaba por se extinguir. Para além da lontra, temos também as trutas, a salmo-truta ou truta-fário, que é a truta que tem a pintinha laranja, que também dá azo a uma das iguarias da nossa gastronomia típica, que são as trutas do rio Paiva em molho de escabeche. É algo que também é muito apreciado por quem nos visita. Temos inúmeras espécies, desde o lagarto d'água, temos uma ave muito bonita, que é o guarda-rios, que é um pássaro como podemos ver ali no painel, que é azul e amarelo. Temos a rã-ibérica, temos a salamandra-lusitânica, ou seja, como eu também referi, o rio estando classificado nesta rede de conservação, nós, quando recebemos aqui grupos de diferentes faixas etárias, desde grupos seniores a grupos escolares, promovemos o rio Paiva enquanto recurso importante para o turismo, importante a nível ambiental também, e alertamos sempre para a preservação deste recurso e os diferentes habitats das nossas espécies, quer de fauna, quer de flora.
Quem visita este espaço, o centro, que tem aqui, como já referimos, uma sala dedicada ao Rio Paiva, como é que pode descobrir nesta sala todas essas informações? Como é que funciona esta atividade interativa?
Nós temos, como podemos também observar, este vídeo promocional em que mostramos imagens onde o rio apresenta diferentes características. Temos também uma mesinha interativa, onde as crianças vêm aqui ao centro, gostam muito de explorar. Podem ver também as diferentes espécies, quer da fauna, quer da flora. Relativamente às espécies da flora, nós temos nas margens do rio, mesmo muito junto ao rio, espécies como o freixo, o salgueiro e o amieiro. Por exemplo, a nossa arte da tamancaria, os nossos artesãos que trabalhavam nessa arte iam ao rio colher a madeira do amieiro para fazer os tamancos, que era uma madeira que se tornava leve e também era fácil deles conseguirem moldá-la para produzirem os tamancos. Temos também ao longo do rio, neste momento, temos tido a preocupação em recuperar esse tipo de património. Temos vários moinhos instalados, moinhos de água, que eram muito importantes para a sobrevivência das populações, isto remontando a alguns anos atrás, que elas podiam moer o seu cereal, estava na base da sua alimentação. Estamos a falar de questões também de subsistência. E nós falamos também aqui, quando recebemos grupos, do local onde nasce o rio Paiva, que nasce na serra de Leomil e tem uma extensão de 110 km até encontrar a margem esquerda do rio Douro, em Castelo de Paiva. Estamos perante um afluente do rio Douro.
Uma biodiversidade que pode ser explorada e também esclarecida aqui numa sala própria no Centro de Interpretação e Informação de Montemor e Paiva. Telmo Ferreira, muito obrigada.
Muito obrigado.