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Este programa tem o apoio da AEG. Não existe planeta B. Estamos fartos de ouvir esta verdade, que sejamos sinceros, assusta. Mas o que temos feito no nosso dia a dia para deixar o planeta mais limpo, mais verde, mais habitável? A sustentabilidade ambiental tem estado na ordem do dia das agendas de grandes marcas, empresas e pessoas. É o caso da AEG. Eu sou a Joana Barrios e estou preocupada com o futuro do nosso planeta. Por isso, estou aqui com a AEG e a Rádio Observador para falarmos precisamente sobre sustentabilidade neste podcast chamado "AEG Green Affair". Para isso, ao longo de quatro episódios, vou ter comigo quatro convidados para falarmos sobre como é possível ser mais sustentável no dia a dia, em diferentes áreas. Como primeiro convidado, tenho o prazer de receber à minha frente Nuno Baltazar, nome incontornável do design de moda em Portugal. Olá, Nuno. Bom dia.
Olá, Joana.
Bem-vindo.
Obrigado por me receberes.
Começamos pelo início. Como é que chegaste à moda?
Na verdade, a moda entrou pela minha vida adentro e eu pela vida da moda também, de uma forma muito pouco consciente. Foi observar revistas de moda dos anos 50, em que os editoriais ainda eram feitos por desenho, não por fotografia como são hoje em dia. E, portanto, a paixão começou pelo desenho. Comecei a fazer desenhos idênticos, até que houve aquele típico professor que os viu e percebeu que havia ali qualquer coisa e me ajudou a desenvolver essa paixão e me orientou para aquilo que é hoje a minha profissão.
Muito bem, então vou começar já por te fazer uma pequeníssima provocação. Aliás, já desmontamos esta provocação em off. Pode ler-se muitas vezes que a moda é cíclica, ou seja, que aquilo que os nossos pais já usaram, os nossos avós já usaram, já é possível dizer isso. Já existe esse mapeamento tão comprido. Tudo aquilo que já se usou voltará novamente à ordem do dia. Partindo deste princípio, por que a moda não se torna mais sustentável?
Eu acho que o princípio, na verdade, está um pouquinho errado.
Concordo. Eu também não concordo com esta ideia.
Eu não concordo muito com a ideia de que a moda é cíclica. Eu acho que é muito mais uma questão de reinterpretar, porque se a moda fosse cíclica, acabaria por ser pouco criativa.
E aquilo que eu acho que acontece também, isto não sei, para te continuar a provocar, é que não é uma questão de ciclo, mas é uma questão de geracionalmente, como é que nós olhamos para aquilo que está para trás.
É a chamada cultura de moda.
Sim, vou olhar para os anos 80 mais rapidamente do que olho para os 70, porque são mais próximos e porque se calhar tenho mais afinidade com eles. E se calhar a pessoa que nasceu a seguir a mim, geracionalmente mais 10 anos, ou seja, em 95, se calhar já olha para os anos 90, em vez de olhar para os anos 80. Então daí vem esta lógica deste ciclo interminável.
E também tem a ver um pouco com a forma como a tua própria família se relaciona com moda e com a qualidade da roupa que tem, porque obviamente é muito fácil tu voltares a usar ou a reinterpretar um blazer da tua mãe ou da tua avó, se ele estiver em condições. Se ele tiver qualidade, se ele estiver bem cuidado e tu tiveres essa cultura que te permita reinterpretar, não necessariamente procurando uma imagem daquela década dos 70 ou dos 80, por exemplo, mas como é que aquele blazer poderá ser uma peça Joana Barrios aos dias de hoje.
Há um sociólogo que diz, e eu aprendi isto enquanto andava a estudar crítica de cinema e música pop, imagina tu, que nós nos relacionamos com os objetos que estão próximos da nossa data de nascimento, na seguinte ordem cronológica: cinco anos antes da nossa data de nascimento e cinco anos depois. Foram muitos estudos e muitas coisas que culminaram nisto, para criar esta relação entre os filmes, por exemplo, e a música e aquilo que nos toca mais o coração e aquilo que não nos toca mais o coração, e tem a ver com essa história da cultura de moda. Eu acho que esta coisa da reinterpretação também tem muito a ver com este lado muito afetivo da moda, em que procuramos, quase sempre, recuperar a memória da nossa mãe quando era nova, da nossa tia quando era nova, quando eram pessoas muito giras.
É esse fascínio que elas exercem sobre nós e essa memória.
Eu só comecei a ter roupa minha já muito tarde, porque gostava muito de usar a roupa da minha tia, da minha mãe, as coisas que a minha avó continuava a guardar e que elas guardaram. Aliás, tenho coisas da minha mãe ainda que uso, nomeadamente uma saia que tem quase 50 anos.
Mas isso é curioso, porque depois também ao mesmo tempo, e na adolescência acontece muito isso, as pessoas que rejeitam a identidade próxima da dos pais e depois vão recuperá-la muito tempo depois.
Muito mais tarde.
Cada pessoa se relaciona com a imagem de uma maneira completamente diferente.
Portanto, abolimos aqui já os ciclos e esta coisa da moda cíclica.
Mas reinterpretar é sempre uma coisa positiva.
E inspiracional.
E que acrescenta.
Claro. O mundo da moda é um mundo de desperdício, de muito lixo, muito se fala de como a indústria de moda tem esse impacto, as peças que se acabam e não se utilizam, as peças que acabam por não se vender e que vão para tantos aterros ao ar livre, causam tanta poluição, não só pela presença em si, mas por todos os materiais que libertam, materiais tóxicos, tudo aquilo que também é a fase de construção da peça. Como é que tu te relacionas com isto?
Olha, eu relaciono com responsabilidade, no sentido em que apesar de saber e sentir que pertenço a uma subcultura daquilo que é a indústria da moda, e não me considerando parte dessa indústria gigantesca e poluente, porque eu equiparo-me mais a uma indústria muito manual, quase de artesanato, aquilo que eu faço, e portanto, onde o desperdício é muito controlado, mas não deixa de ser uma indústria da qual eu faço parte e que, ainda que não tendo essa responsabilidade, tenho o dever de falar em nome da indústria também, e de alertar as pessoas da forma como devem encarar estas novas formas de consumo. Porque eu acredito mais na mudança de consumo do que na mudança da indústria propriamente dita, em que os interesses são tão fortes, que será mais fácil, eventualmente, fazer a mudança do paradigma através do consumo. E nós, efetivamente, precisamos de consumir menos. No meu caso, eu tento sempre que o design seja um design inteligente. Aconteceu isso na última vez na Moda Lisboa, de desenhar, às vezes, até para o próprio desperdício. Eu faço isso muitas vezes. Eu tenho bocados de tecido, restos de tecido, que são desperdício, em qualquer outro sítio estariam no lixo, por muita qualidade que tenham. E eu desenho para aquele pedaço de tecido que vai ser uma peça, em vez de ir pro lixo. E o upcycling, que também é um exercício de design muitíssimo interessante e que recupera peças que estariam mais estanques ou com uma imagem demasiado marcada e que podem ser muitas outras coisas.
A única diferença aqui é realmente esta coisa da indústria. Porque na tua escala é completamente diferente.
Sim, é mais fácil.
E não tens essa pressão. Dizes muitas vezes, já disseste isto em entrevistas, já conversamos sobre isto várias vezes: não precisamos de ter tanta roupa. Aqui, como já referiste, é um problema da nossa relação com o consumo. O que tu achas que nos leva a querer ter tanta roupa?
Eu acho que nós somos claramente muito influenciados para este consumo desenfreado e principalmente com esta quase que compulsão para os saldos, para os preços baixos e que nos esquecemos que isso acontece quase sempre à custa de mão de obra barata em países de terceiro mundo e às vezes até no nosso próprio país, em que nós chamamos isto a democratização da moda, mas a democratização da moda não é o consumo desenfreado, que é aquilo que acontece hoje em dia.
E não é transversal.
E não é transversal. Eu acho que as pessoas podem e devem ter aquilo que trabalham para ter, mas todos temos a obrigação de ser conscientes e ter aquilo que precisamos de ter e que é construído sobre uma base social justa.
Temos de criar essa consciência coletivamente, é isso que estamos a fazer aqui no AEG Green Affair. Tu foste recentemente mentor do AEG Fashion Challenge. Estamos aqui a falar de upcycling, portanto, esta parte foi bastante visada. Este concurso tem como objetivo abordar estes temas de consumo sustentável, de reinterpretação de peças. Como é que isto aconteceu pra ti? O que isso trouxe?
Foi uma experiência mesmo incrível. Enquanto embaixador da AEG para a área de care, foi uma oportunidade de poder desenvolver uma ideia que envolvesse toda a gente. Tivemos concorrentes, por acaso, todas mulheres. Espero que numa próxima edição possam também estar homens, mas de diferentes faixas etárias, diferentes zonas do país, já com um trabalho nesta área, nenhuma delas foram pessoas que nunca tinham feito upcycling. Isto já é a realidade pra algumas pessoas e levantou a curiosidade a muitas outras que depois, entretanto, querem também ter a oportunidade de participar. E aqui, ao mesmo tempo, foi uma oportunidade de comunicar também a gama AEG Eco Line, que promove equipamento que é muito mais ajustado aos dias de hoje. Através de uma etiqueta energética que é superior à classe A, que permite poupar energia e poupando recursos com um desempenho muito acima da média. Portanto, foi uma forma de conseguirmos ajustar a comunicação que nós precisávamos para mudar o consumo no tratamento da roupa e, ao mesmo tempo, integrar as pessoas num projeto que muda também a sua relação com a forma como vestem a roupa, como compram e a transformam.
Já falamos aqui sobre o AEG Fashion Challenge, por isso, se quiserem ver, acho que deviam ver, é só ir a aeg.com.pt e ver estes quatro episódios. Têm menos de 10 minutos, portanto veem-se num instante. Se não estiverem ao tanto do que é o upcycling, podem ficar e começar a aguçar a vossa curiosidade. Se já estiverem ao tanto, será maravilhoso, porque podem dar a vossa opinião, podem inspirar-se ou não.
E começar a preparar-se para outras edições e começar a fazer as suas coisas. Eu acho que isso é superimportante, que seja inspirador.
Falando deste concurso no upcycling, já falamos sobre ele, estamos fartos de falar agora aqui sobre ele. Queres deixar-nos um bocadinho do que é a tua opinião, por que é que és tão fã desta ideia de upcycling? Uma pergunta que te provoca talvez um pouquinho mais: como é que tu consegues fazer negócio, porque esta parte é importante, não nos podemos esquecer que tu és designer. Como é que se torna rentável esta ideia de upcycling?
Se for com qualidade, e o upcycling também parte, para mim, de um princípio que é uma peça de qualidade, mesmo que seja vintage, ou que já tenha uma série de anos, é muito mais fácil de transformar do que uma peça que já foi comprada com uma qualidade muito baixa. E há uma apetência grande para isso. Eu, por exemplo, no final do concurso, tive uma conversa com as três finalistas e tenho a certeza absoluta que se elas decidissem optar por um negócio, até online, de transformação de peças de outras pessoas, seria um negócio superinteressante. Aliás, para mim, o grande pioneiro de tudo isto em Portugal é o Dino Alves com o Hospital da Roupa. É um projeto que o Dino tem em que recebe peças de roupa das pessoas que o procuram para transformar. Aqui um grande abraço ao Dino.
E os muitos parabéns ao Dino.
E muitos parabéns ao Dino, ele merece. E que foi o grande precursor desta ideia do upcycling na moda de autor. Eu acho que isto é perfeitamente possível, é um desafio criativo interessantíssimo e que nós podemos e devemos promover. E quando as pessoas têm interesse, isso pode se transformar num negócio.
Mas eu acho que aqui a coisa mais importante é que existe um lado de autenticidade quando falas de upcycling, quando falas de vintage, porque é uma peça que não pode ser repetida.
É uma peça única.
Essa parte, que é um movimento completamente contrário à lógica industrial, em que tu tens milhares, senão milhões de repetições da mesma peça em vários tamanhos. Aqui, fazes uma escolha clara sobre teres uma coisa que não existe mais.
E valorizá-la por isso.
Exatamente.
Porque isso vai ajudar a definir a tua identidade de uma maneira muito mais autêntica e pessoal.
Para além disso tudo, agora vamos chegar aqui a uma parte complicada, que é esta parte de como é que nós cuidamos da nossa roupa. Falavas da qualidade, a qualidade tem um papel preponderante aqui nesta ideia de como é que se cuida. Mesmo uma peça que tem pouca qualidade pode ter uma vida mais estendida. Esta coisa de cuidar bem da roupa, isto é importantíssimo.
É muito importante.
Lavamos mais do que o precisamos?
Lavamos mais do que o precisamos, mas também é importante, para mim, esclarecer. Não há milagres. Isto é, não é possível fazer milagres com peças que não têm qualidade nenhuma logo à partida. Portanto, tudo isto é quase como um eletrodoméstico. Quer dizer, tu vais ter melhores resultados num eletrodoméstico que à partida até pode ter um custo menos baixo do que outro qualquer, mas que a performance vai compensar altamente aquilo que é a longevidade e a performance do equipamento. Neste caso, a roupa é a mesma coisa. Isto é, quando nós apostamos em roupa de qualidade e temos essa obrigação, porque se nós podemos ter 20 peças de baixo custo, podemos optar sempre por ter duas de um custo médio, já não estou a falar de uma coisa super cara. Ou até vintage, de segunda mão. E sem dúvida que é nossa responsabilidade ajustar os nossos hábitos a uma nova consciência coletiva, que nos ajuda a poupar e a cuidar do planeta. E até te posso dar aqui alguns exemplos, se me permites. Por exemplo, com a AEG, temos toda a tecnologia PowerClean, que potencia a eficácia do detergente, promovendo uma limpeza eficaz a 30 graus. E outras coisas, como por exemplo, a AutoDose, que é uma gaveta, basicamente, em que nós pomos detergente e a máquina lê o peso da carga e ajusta o detergente. Portanto, além da economia da energia, o detergente que poupamos e que depois sai menos para o ambiente, o filtro de microplástico, que nós já somos fãs.
Eu ia começar.
Já falámos disso várias vezes. E depois, para mim, desculpa a minha expressão, mas o meu xodó aqui, que é a tecnologia ProSteam, porque de facto, usando esta tecnologia, podemos vaporizar a peça, refrescá-la em apenas 25 minutos com uma poupança enorme de água. Acabamos por ter uma peça completamente refrescada, sem vincos e muitas vezes até sem necessidade de engomar. Por isso é, sem dúvida, algo que muda completamente o paradigma da forma como nós nos relacionamos com a roupa.
Com a roupa, exatamente.
Porque, por exemplo, quando não lavamos, nós estamos a poupar em todos os níveis.
Estás a poupar a peça, o desgaste da peça.
O desgaste da peça e, principalmente, uma coisa que é também, ao colocar uma peça numa lavandaria, ela é sujeita a químicos.
Exatamente.
Que com este tipo de limpeza a vapor, a agressão à peça é muito menor e, portanto, para o ambiente e para a nossa carteira, o resultado é, sem dúvida, muito mais eficiente.
Eu vou fazer-te uma pergunta para a qual eu própria tenho uma lista infinita de respostas, que é: se tu pudesses contribuir para um planeta mais verde, através da implementação de medidas de sustentabilidade, quais seriam as primeiras que tu irias implementar?
Eu acho que nem sequer seria preciso uma varinha de condão para isso. Eu acho que é preciso vontade.
A fazer um esforço acrescido.
Da indústria têxtil e principalmente ser menos ganancioso, porque eu acho que passa tudo por aí. Porque a partir do momento em que nós conseguirmos implementar regras, que seria aquilo que eu faria, para que a indústria da moda fosse mais justa, até na questão da criação, da confeção e do consumo, tudo mudaria. Agora, era preciso que os grandes grupos estivessem disponíveis para um lucro mais ajustado e muito menos desigual.
Obrigada. Aqui para deixar umas notas finais. A indústria têxtil é considerada uma das mais poluentes, já falámos sobre isto, desde a produção ao fabrico, passando pelo transporte e até ao uso da própria roupa, que implica lavar, secar e engomar. A boa notícia é que há cada vez mais marcas e designers como Nuno Baltazar e a AEG, com preocupações a nível ambiental e que, por isso, inovam para definir o futuro das peças de roupa e do planeta. Mas será que o comportamento dos consumidores também está a mudar a favor do ambiente? Convido-vos desde já a ouvirem o último episódio, que fala precisamente sobre os hábitos de lavagem de roupa dos europeus, incluindo os portugueses, através do estudo publicado pela AEG, "The Truth About Laundry". Nuno, foi um prazer ouvir-te falar. Falámos da longevidade das peças de roupa, da forma como consumimos. Também devemos falar aqui de uma coisa importantíssima: a longevidade dos eletrodomésticos AEG, já que este é o palco para eles. Tens mais alguma coisa para nos dizer?
Quero aproveitar este momento para te dizer que também tu és uma inspiração. Mesmo antes de te conhecer, a primeira coisa que eu me apercebi relativamente a ti é a forma como tu te relacionas com a roupa, com o vintage, com a história, como te divertes com o vestuário, mas de uma forma tão consciente e que é verdadeiramente inspiradora para todos aqueles que te veem.
Obrigada.
Por isso, agradecer-te poder estar aqui contigo neste momento e tudo aquilo que nos inspiras.
Muito obrigada, Nuno. No próximo episódio, temos aqui na Rádio Observador, mais uma convidada, que eu não vou dizer já quem é, só para vos deixar aqui com muita curiosidade. Podem ouvir o AEG Green Affair aqui na Rádio Observador, em Google Podcast, Spotify e Apple Podcast. E não se esqueça de fazer muitas escolhas mais sustentáveis.
Este programa tem o apoio da AEG.