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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isto quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Paulo, então cada governo tem a sua bazuca?

É verdade, António Costa teve a sua bazuca, bazuca que teve origem e que veio da União Europeia, e Luís Montenegro aparentemente não quis ficar atrás. Se Bruxelas não queria o megapacote para financiar investimentos, então o Governo português junta várias fontes de fundos para criar a sua bazuca. Um chamou-se PRR, o Programa de Recuperação e Resiliência, o outro chama-se PTRR, o plano Portugal Recuperação, Transformação e Resiliência. Um veio como consequência da pandemia, o outro chega como consequência das tempestades e até os montantes são muito semelhantes, pouco mais de 22 mil milhões de euros.

Descubra as diferenças.

Descubra as diferenças. Agora só falta garantir que têm mesmo o impacto real na economia, que é aquilo onde vamos falhando sempre.

Paulo, e há sempre mais uma dificuldade na eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional.

Sempre. Parece que havia um entendimento já entre os principais partidos.

Quando parece que está quase.

Está quase. Há sempre qualquer coisa que aparece depois e que estraga tudo. Havia esse entendimento entre os principais partidos, mas agora veio o presidente atual do Tribunal Constitucional complicar tudo. Porquê? Os partidos entenderam-se para nomear quatro juízes, os três que já estão em falta e o lugar do presidente. Porquê? Porque José João Abrantes, o presidente em exercício, fez saber que quer sair numa data próxima, deixando o mandato a meio e, portanto, era importante que agora se decidisse, porque os partidos marcaram para o início de maio a eleição parlamentar dos juízes. Mas agora José João Abrantes não se decide, não formaliza a sua saída e não se sabe ao certo quando é que o magistrado poderá abandonar o seu cargo, uma vez que ele diz agora que não quer alimentar polémicas. Ou seja, o presidente do Tribunal Constitucional lança ele próprio a polémica dizendo que quer sair. Agora não se define. Os partidos decidem em função disso e agora parece estar Paris à cadeira. Isto não se entende, de facto.

E há momentos em que a nossa justiça parece a guerra do Salgado?

Parece uma rábula. Há coisas que parecem mesmo uma rábula como essa do Salgado. Todos sabemos dos €75 mil e mais uns trocos que as autoridades encontraram no gabinete de Vítor Escária, o chefe de gabinete do então primeiro-ministro António Costa, quando fizeram as buscas na sequência da operação Influencer. O Ministério Público quis investigar a origem desse dinheiro e ordenou a recolha de impressões digitais aos envelopes e a uma caixa de champanhe onde estavam as 1994 notas que compunham esses €75 mil. Ora bem, de quem são as impressões digitais que foram encontradas? São de quatro agentes da PSP que trabalharam sem luvas na recolha daquele material. Há mais impressões de uma quinta pessoa, mas não consta da base de dados nacional, o que pode indicar que é uma pessoa de fora do país. Ora bem, se isto não é o processo de Raul Salgado.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isto quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.