Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Bruno, tudo está bem quando acaba bem?

Não é bem assim, porque aquilo que acontece pelo meio também interessa. A verdade é que depois de uns primeiros dias do concurso de acesso ao ensino superior, da primeira fase, em que o número de candidaturas ficou muito aquém do que se verificou no ano passado, agora tudo indica que o número final vai ser superior ao de 2025. A três dias do final do prazo da primeira fase, que este ano foi mais alargada, já se registaram 47.960 candidaturas, contra um total de 49.595 em toda a primeira fase do concurso do ano passado. E aqui está a prova da incerteza gerada por um processo de correção digital, que levantou muitas dúvidas e veio pôr em causa um sistema que, de uma maneira ou de outra, sempre tinha funcionado até aqui. Por muitas que fossem as dúvidas, ninguém iria deixar de concorrer ao ensino superior, ainda para mais havendo uma terceira fase de exames. Só que as dúvidas foram suficientes para atrasar todo o processo e gerar toda esta incerteza. O facto de tudo aparentemente acabar bem não significa que tenha tudo corrido bem.

Paulo, e então?

Então.

Então muda o CEO da maior empresa do país e nem se dá por isso.

É verdade, Carla. Houve algumas notícias sobre o assunto, mas nada que faça justiça à importância desta mudança.

Não eram claramente exageradas.

Não eram claramente exageradas, antes pelo contrário, desvalorizadas. Bom, afinal trata-se da entidade que fatura cerca de 110 mil milhões de euros por ano. Isto é o equivalente a um terço do produto interno do país, de tudo aquilo que produzimos num ano. Mas atenção, esta é uma faturação muito peculiar, tem as suas características próprias. Esta é uma empresa que não precisa de vender nada, porque as cobranças que faz são basicamente coercivas. Não tem clientes, tem contribuintes. Falamos aqui, obviamente, da Autoridade Tributária ou da AT, a Autoridade Tributária e Aduaneira. Desde sábado que Mário Campos, 51 anos, é o novo líder dos impostos, é o diretor-geral. Ele substitui Helena Borges, que dirigiu o fisco durante 11 anos. O mandato dura cinco anos e durante este período o novo dirigente terá como missão reforçar a transformação digital, que dizemos nós, já é muito boa na Autoridade Tributária, a transparência e o combate à evasão. Isto é, no fundo, o caderno de encargos, a carta de missão que o governo lhe deixa com objetivos a atingir até 2031. Deixa-nos acrescentar mais um, que é este: a Autoridade Tributária não se substitui ao legislador nas decisões polêmicas de querer atirar a tudo o que mexe, com mais impostos, com interpretações muito duvidosas da lei. De resto, que seja um bom mandato para Mário Campos.

E a Iniciativa Liberal, quer um presidente mais interventivo?

A Iniciativa Liberal espera que o presidente não continue a remeter-se ao silêncio, no caso a envolver o ministro da Administração Interna. E independentemente de outras considerações, aquilo a que assistimos foi a uma óbvia degradação da autoridade política do ministro e, na opinião da presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, a um degradar das instituições. Perante isto, os liberais querem António José Seguro a exercer a sua magistratura de influência para não se tornar conivente com a fragilização institucional. O presidente, de acordo com algumas notícias, tem tentado fazer aqui uma gestão tática, não hostilizando o governo e o primeiro-ministro, ao mesmo tempo que está a acompanhar de perto a evolução do caso. Mas se o poder do Presidente da República é o poder da palavra, o facto de não ter utilizado esse poder até agora, de uma forma clara, significa uma excessiva cautela para talvez não contribuir ainda mais para o degradar das instituições, ou então é recusa em comprar uma guerra, e uma guerra com o governo, de que não tem a certeza de poder sair vencedor.

Paulo, será que os grandes eventos musicais são locais seguros?

Bom, todos queremos acreditar que sim. Até porque os locais de diversão não devem ser locais de risco também. Mas a frequência com que se têm verificado problemas deve levar-nos a refletir. Este fim de semana em Lisboa atuou o DJ e produtor francês, o David Guetta. Foi no Parque Papa Francisco, em Loures, e os 35 mil espetadores tiveram uma hora e meia para sair do recinto. Aliás, mais daqui a pouco tu vais falar sobre isto. E há dois meses, o Norte Festival, que se realizou na Maia. Houve queixas de extrema sobrelotação, sensação permanente de insegurança, maus acessos, longas filas, enfim. Podemos, de facto, andar aqui um bocadinho a brincar com o fogo. E não é por falta de entidades reguladoras. Num evento destes há, no mínimo, seis entidades públicas que têm que dar luz verde e aprovar e verificar isto e aquilo, desde questões ligadas à segurança, como é evidente, e ao recinto, até questões como direitos de autor. Mas há alguma coisa.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.