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Pergunta, mas ela não é pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Então faz. Faço? Não, Bruno, fazes tu.

Faço eu.

Não, tu fazes a pergunta.

Eu faço a pergunta. Eu vou tentar dar a resposta.

Então tenta. Hoje é dia de São Bruno.

Hoje é dia de São Bruno. Vocês já não sabem fazer as coisas. Como é que São Bruno terá sido morto? São sempre mártires, geralmente.

Olha, tu és um mártir.

Eu sou um mártir das gripes.

Sabes como é que foi, Bruno? Num estúdio com colegas que, enfim...

Foi num estúdio. Sabe Deus. A Santa Apóstola Apolónia sei que lhe arrancaram os dentes todos, por isso é a padroeira dos dentistas.

Ai, credo!

É verdade. Mas foi sem anestesia, por isso é que ela foi mártir.

Sabes o que eu te digo?

Não, pronto, vamos lá.

Isto sem anestesia tudo dói-me mais.

Com este material todo, o teu próximo livro vai ser porreiro, Bruno.

Nem imaginas.

Material de primeira.

Um problema de base.

Eu estou aqui a preparar um lançamento tão apropriado. Portugal tem um problema de base.

Tem um problema de base, tem um problema com a base das Lajes, porque enquanto houver base das Lajes, vai sempre haver alguém a defender que não devia haver base das Lajes, que não devíamos ter este acordo com os Estados Unidos, seja por causa de aviões que abastecem nas Lajes e não deviam, ou de aviões que param nas Lajes antes de serem entregues a Israel, seja por outro motivo qualquer, seja porque é uma base norte-americana no meio do Atlântico, em território português. O problema da esquerda com a base das Lajes é o problema da esquerda com as alianças do Estado português, nomeadamente com os Estados Unidos, mas até tiveram uma boa oportunidade para acabar com essa submissão ao grande Satã americano durante o revolucionário governo da Geringonça. Não sei porque é que não acabaram. Agora, não é tanto tapar o sol com a peneira, como diz Rui Tavares, a propósito das declarações do primeiro-ministro sobre aquilo que se sabia e não se sabia sobre a utilização da base das Lajes. No fundo, é atirar mais areia para os olhos e criticar aquilo que é um problema de base para alguma esquerda e não um problema com a base das Lajes.

Paulo, este pode ser o orçamento de Estado menos dramático em muitos anos.

Até certo ponto vai ser, certamente, e até certo ponto já está a ser nada dramático. Já ouviram falar do orçamento de alguma maneira, aqui ou ali.

Aqui ou ali. E mais ali do que aqui.

Seguramente mais ali.

Muito mais ali.

E acolá e acolí também.

E este ano temos autárquicas.

Isso é um ponto.

Disfarça um bocadinho.

Mas repare, estamos a cinco dias da entrega. Sexta-feira é o fim do prazo, dia 10 de outubro. O tempo passa, Bruno. Ainda na outra dia estávamos a festejar a passagem de ano.

Em Portugal já se festeja o Natal.

E já estamos aqui à beira do 10 de outubro. E de facto, também por causa das eleições, como é evidente, as atenções mediáticas têm estado focadas noutros pontos. Mas reparem, o ano passado começou em março, abril, as ameaças, o agarrem-me se não eu chumbo e linhas vermelhas e quantos pontos é que isto teria de ser. Tudo diferente. Agora não há ameaças, não há histórias de reuniões que podem ser públicas ou mais discretas e quando são tornadas públicas, são polémicas. Ninguém fala de linhas vermelhas, não há gritaria. Entretanto, vai-se sabendo que o IRS vai voltar a descer e que a ciência, por exemplo, vai ter um reforço de 40 milhões. Isto são as poucas notícias que vai havendo aqui e ali. Claro que vai haver aqui uma discussão e debate um pouquinho lá mais para a frente, mas será já com o documento apresentado na Assembleia da República e apostamos aqui que não vai ser aquela coisa do agarrem-me se não eu chumbo.

Bruno, na escala das tragédias, que lugar ocupa o incêndio no lar de idosos em Mirandela?

Não ocupa praticamente lugar nenhum, nem espaço praticamente nenhum. Morreram sete pessoas e esta tragédia ocupa, de facto, um lugar muito modesto na nossa consciência coletiva, porque ninguém quer saber do que se passa lá onde Judas perdeu as botas em Trás-os-Montes. Não foi notícia internacional, votos também não deve dar muitos e de repente ninguém quer saber das causas do incêndio, querem saber os familiares, mas até ao momento não têm resposta. As famílias das vítimas ainda não conhecem quais as causas do incêndio, não receberam qualquer indemnização ou ajuda, a não ser com as despesas para os funerais. Parece que nestas escalas há tragédias e há tragédias. Algumas ficam no ângulo morto e só aqueles que sofreram diretamente o impacto dessas tragédias é que parecem dar-lhes alguma importância.

É verdade. O plano de Trump para Gaza começa a fazer caminho. Hoje então vai ser um dia importante. Será que é desta, Paulo?

Vamos ver. Ao longo de décadas, já houve vários avanços e recuos neste conflito. Há sinais positivos, pelo menos até agora nenhuma das partes está a rejeitar negociar. O Hamas, se quisermos, não rejeita negociar, uma vez que o plano foi desenhado com Israel. O Hamas até vai aceitando alguns dos 20 pontos apresentados por Washington. A primeira resposta foi positiva e hoje, de facto, como disseste, todos os olhos vão estar postos nas negociações que arrancam no Cairo. A prioridade será a libertação dos reféns, por troca com a libertação de prisioneiros do Hamas que estão detidos em Israel, e também o fim dos ataques por parte de Israel. Mas propostas de paz e mesmo acordos de cessar-fogo já tivemos com fartura, não só neste conflito como nos conflitos das últimas décadas, sem sucesso, como se vê. Portanto, esperemos que seja desta vez e que a solução seja duradoura.

Rádio Observador.

Pergunta, mas ela não é pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.