Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

E esta segunda-feira falamos de trancas à porta, separação de facto, previsões para todos os gostos, mas começamos por sobrevivência política.

É, Bruno, o PCP resiste a tudo?

A tudo e a todos, Carla. E talvez só não resista, às vezes, ao que os militantes dizem. Foi mais um congresso, mais um capítulo da interminável saga da anunciada decadência do Partido Comunista Português, que mesmo assim, lá está, resiste e jamais aceita reconhecer ou confessar um erro. Para os comunistas, o mundo está errado, o partido está certo e quanto mais se espera uma rendição, mais os comunistas resistem e reagem. E desta vez a reação foi apontar armas ao secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que já foi o socialista mais amado na Soeiro Pereira Gomes, nos tempos da Geringonça, e que agora é um autêntico saco de pancada dos comunistas e é acusado do mais terrível dos crimes: ser cúmplice da direita. Será este discurso suficiente para impedir o declínio eleitoral do PCP? Não sabemos ainda, mas lembra-nos que antes de procurar os erros próprios, o partido ainda tem muitos alvos exteriores para que se virar.

Paulo, e voltamos a ter as previsões do Banco de Portugal a animar o debate político?

Voltamos. Isto nem sequer é nada de novo. É mesmo um clássico, sobretudo quando a liderança do Banco de Portugal sai entregue a alguém que é visto como pertencendo a outro quadrante partidário, diferente do governo. E é o caso. Nós sabemos, por mais que Mário Centeno exerça o seu mandato com isenção e distanciamento, ele não se pode livrar de lhe vermos uma espécie de um pin do PS ao peito. As opções que tomou, saiu do governo diretamente para o banco central e depois esteve disponível, como sabemos, para substituir António Costa à frente do governo há um ano, quando o governo se demitiu. E essas opções, obviamente, têm os seus custos. Por isso, estes avisos deixados por Centeno na sexta-feira sobre o aumento da despesa e o déficit estão a ser vistos como uma entrada no campo da habitual briga partidária. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e Mário Centeno vestiu.

Bruno, eu não gosto nada quando isto acontece, quando as pessoas se separam antes de casarem.

Antes de casarem. Havia um casamento anunciado.

O Chega e o almirante.

É aquela história de um divórcio antes de ter havido sequer casamento. A possível candidatura do almirante Gouveia e Melo assustou muita gente, ainda assusta. Gente essa que, por sua vez, quis assustar muita gente e nada melhor do que colar o almirante ao Chega para conseguir esse efeito. E na verdade, Gouveia e Melo até teria alguns elementos que agradariam ao Chega. Alguém fora do sistema partidário, que é sempre tão vilipendiado pelo partido de André Ventura, a farda como símbolo da autoridade e uma certa vontade de impor ordem e limpar os cantos à casa. Mas depressa se percebeu que Gouveia e Melo não estaria na disposição nem de ser a barriga de aluguer, nem o testa de ferro do Chega. E no partido, o que era um embevecimento com a figura do almirante, logo se transformou numa espécie de aversão. "Ah, não queres nada conosco? Então também não queremos nada contigo." E tudo leva a crer que o Chega irá anunciar um candidato próprio. Resta saber se será o André ou o Ventura.

Escolha difícil.

Não é fácil.

Estão divididos. E Paulo, e depois da fuga de Vale de Judeus, diz-me que já colocámos trancas à porta.

Parece que sim. Embora não se possa estabelecer aqui uma relação direta de causa e efeito entre o que aconteceu com a fuga de seis presos de Vale de Judeus, isto há cerca de dois meses, e a alegada prevenção de uma fuga de Coimbra nos últimos dias que estaria a ser preparada. Bom, sobre este último caso, batem informações contraditórias, porque o Sindicato dos Guardas Prisionais revela pormenores da preparação dessa fuga, que teria sido abortada, mas a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais diz que não se verificou qualquer tentativa de evasão. Pode haver aqui uma questão semântica sobre se chegou a haver tentativa ou não, ou se estava só a ser preparada. Mas a parte boa é que os membros do PCC, que é o brasileiro Primeiro Comando da Capital, um gangue a quem são atribuídas ações com grande violência, é que esses membros que estariam envolvidos nesta tentativa de fuga continuam atrás das grades. Bufa. Melhor assim.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.