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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte com um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Luís Montenegro tem de acertar mesmo no próximo ministro da Administração Interna.
Tem de ser certeiro.
Tem de bullseye. Um primeiro-ministro, para seu próprio bem e do governo que lidera, deve acertar em todos os ministros. Isto é o ideal. Não sendo possível o 13 no Totobola, convém pelo menos acertar à segunda feira ou, se não à segunda-feira, à segunda tentativa. E foi isto que não aconteceu nesta escolha de Luís Montenegro para o Ministério da Administração Interna. É o segundo falhanço. Depois de Margarida Blasco, Montenegro optou por Maria Lúcia Amaral, com um perfil de certo modo semelhante à sua antecessora. Mas agora está à vista, se é que já não estava, que este é um ministério que exige um perfil muito mais operacional e outra destreza política do ocupante do cargo. Com estes dados, o primeiro-ministro tanto pode socorrer-se de algum homem ou mulher de confiança política, como se pode virar para fora para evitar essa maior pressão política que resulta de desguarnecer a blindagem política do governo. Mas aqui a palavra exata é pressão. Vai haver muita pressão sobre o próximo ministro da Administração Interna e, por consequência, também sobre o primeiro-ministro, qualquer que seja esse ministro.
E sobre isto, Paulo, será que vem uma remodelação mais ampla?
Nós nunca sabemos o que vai na cabeça de nenhum primeiro-ministro. Sobre remodelações, Luís Montenegro tem sido particularmente reservado sobre essa matéria. O que é certo é que o primeiro-ministro vai ter que encontrar um nome para substituir Maria Lúcia Amaral na Administração Interna. Coloca-se desde já uma questão: isso vai acontecer já, e o já é nos próximos dois ou três dias, se quisermos, uma vez que é o primeiro-ministro que está a assumir essas funções e que isso é insustentável a prazo, como é evidente. Isso vai acontecer já ou apenas quando esta emergência terminar a partir da próxima semana, eventualmente, quando o estado do tempo nos der algumas tréguas. Resta também saber se esta mudança obrigará as tais outras mexidas. A solução para a Administração Interna pode estar dentro do próprio governo, na solução de Luís Montenegro, e aí vai ser preciso mexer noutras pedras. Isto é, se for uma pessoa que já está em funções com outra pasta. De qualquer forma, Luís Montenegro devia iniciar este ciclo político de coabitação com o novo presidente, António José Seguro, com o governo sem fragilidades. E nós sabemos que a área da saúde, para além da administração interna, é a primeira que vem à cabeça quando se fala disso.
Bruno, do governo para a Câmara Municipal de Lisboa, a segunda vereadora do CHEGA foi a salvação de Carlos Moedas.
Pois, e quem diria que aquela novela das recontagens, que ainda ocupou bastante tempo após as eleições autárquicas e que neste caso opôs CHEGA ao PCP, jogaria a favor de Carlos Moedas, o presidente da Câmara. Nós já sabemos que há muitos eleitos pelo CHEGA, eleitos autárquicos, que têm a tendência para se incompatibilizar com o partido. E foi isso que aconteceu com Ana Simões Silva, que não demorou muito tempo a dizer adeus ao partido de André Ventura e que, por assim dizer, ficou no mercado. E Carlos Moedas não perdeu tempo. Ofereceu-lhe pelouros nas áreas da saúde e do desperdício alimentar. E assim, pela primeira vez desde 2017, o executivo da autarquia da capital tem uma maioria, governa em maioria. É curioso que um dos pelouros seja o do desperdício alimentar, porque há aqui um aproveitamento dos restos, politicamente falando. Ou seja, em política tudo se perde, tudo se ganha e de vez em quando há algumas coisas que se transformam.
A lei do "la base". Ou de Moedas.
Ou Moedas. Mais Moedas.
Paulo, estamos preparados para proibir as redes sociais aos mais jovens?
Pois é, uma grande questão que se vai colocar. A lei deverá ser aprovada hoje no Parlamento, por isso é bom que estejamos mesmo preparados. É um diploma do PSD, deverá ter o apoio do PS, por isso parece ter a aprovação garantida, pelo menos nesta fase. Trata-se então de proibir o livre acesso às redes sociais e às plataformas online a menores de 16 anos. Falamos aqui do Instagram, TikTok e por aí fora, daquelas habituais. E entre os 13 e os 16 anos, este diploma prevê que o acesso seja permitido após o consentimento parental expresso e verificado. Isto é, não é só entregar o telemóvel para as mãos da criança, os pais também têm que de alguma forma certificar isto. Tudo poderá ser controlado através da chave móvel digital. Será que isto vai funcionar? Será que os jovens vão superar esta restrição ou vai ser um inferno lá em casa, basicamente, sem eles poderem usar o telemóvel? Não sei. Mas é uma tendência que começa a desenhar-se em muitos países.
Sim, é uma discussão importante.
E é uma discussão até, sem dúvida, porque há obviamente inconvenientes nisto e nesta tendência quase global, nós não seremos aparentemente uma exceção.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte com um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.