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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
E esta quarta-feira falamos de uma guerra anunciada, a realidade a imitar a ficção, muito Estado e pouco Conselho, mas começamos por uma estreia.
Uma estreia, o novo secretário-geral da NATO. O que é que ele pode esperar, Bruno?
Longe vão os tempos, Carla, em que ser secretário-geral da NATO era um cargo bem tranquilo. Não se aparecia muito, ninguém sabia o nosso nome. Com a guerra na Ucrânia, isso infelizmente mudou. Desde logo, passámos a ver Jens Stoltenberg muito mais vezes e é muito provável que o mesmo aconteça com Mark Rutte, antigo primeiro-ministro neerlandês e que é desde ontem o novo secretário-geral da NATO. Mas não vai ter de se preocupar apenas com a situação na Ucrânia. Ainda há países membros da NATO que não cumpriram a meta dos 2% do PIB para a defesa. É possível que a partir de 2025, Donald Trump, que sempre foi muito crítico do empenho dos países europeus com a NATO, esteja de volta à Casa Branca e há ainda, claro, a situação explosiva no Médio Oriente. Rutte diz que está preparado para trabalhar com qualquer candidato às presidenciais norte-americanas que seja eleito e que agora está concentrado no esforço de guerra e na ajuda à Ucrânia. Mas são muitos e muito difíceis os trabalhos que o esperam.
Então e por cá, Paulo, do Conselho de Estado há novidades?
Do Conselho de Estado, o costume. Lá conversaram todos, neste caso durante dois pares de horas, sobre um tema tão aberto e tão intemporal como, e era este o mote da conversa, a situação económica e financeira internacional e nacional. O que dá para tudo e também não dá para nada. No final, há o comunicado lacónico, seis linhas, que não diz mais nada senão que o Conselho de Estado se realizou, já sabíamos, obrigado, e que foi feito voto de pesar pelos incêndios e pelas suas vítimas. O presidente da República, de facto, nunca admitiu que o Orçamento do Estado fosse o mote desta conversa, embora a data que escolheu para a reunião, precisamente a nove dias da entrega do documento, o torne demasiado óbvio que o orçamento tenha sido tema. E pronto, mas oficialmente ficamos por aqui. Se quiserem saber mais, oficialmente têm de esperar pelas atas, que serão libertadas 30 anos após o fim do mandato.
Ainda vamos estar frescos a ler.
Após o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Portanto, lá para 2056 vamos saber tintim por tintim quem disse o que ali dentro daquela sala.
Podemos anunciar aqui na Rádio Observador.
Os explicadores.
Entre as nove e meia de 2056.
Eu vou marcar já.
Marquem para as 10h.
Tens canalizador antes.
Eu tenho canalizador.
Bruno, nas negociações do orçamento, já chegamos àquela fase das propostas irrecusáveis, das propostas indecentes?
É uma das frases mais famosas do cinema: "Vou fazer-lhe uma proposta que ele não pode recusar". Não saiu da boca de um primeiro-ministro, nesse caso, mas quase, do chefe da família Corleone, Don Vito, em O Padrinho. Mas agora sim, temos primeiro-ministro a prometer levar para as negociações com o líder da oposição uma proposta irrecusável. Muito provavelmente não envolverá cabeças de cavalo, até porque Luís Montenegro afirmou que é em nome de princípios como o interesse nacional, a boa-fé ou a responsabilidade, que vai apresentar a tal proposta irrecusável. Mas quem decide se a proposta é mesmo irrecusável ou não é Pedro Nuno Santos. Entre a espada e a parede, o secretário-geral do PS pode preferir a espada, pode não acreditar na boa-fé de Montenegro e rejeitar a tal oferta irrecusável. A partir daí, seja o que Deus quiser, porque estes homens não se entendem.
Não se entendem. Voltamos ao Médio Oriente, Paulo. Já chegamos à fase da escalada imprevisível?
Acho que já lá estamos. Ontem percebemos isso desde o ataque terrorista contra Israel, que originou o reinício das hostilidades, agora desta vez, que havia de facto o receio do alargamento do conflito a outros atores da região. Isso aconteceu ontem, quase um ano depois do ataque do Hamas, e aconteceu ontem com uma chuva de mísseis iranianos sobre cidades israelitas. E a entrada do Irão no conflito era precisamente aquele que gerava mais receio. Telavive vai responder, o que é demasiado previsível, e teremos entrado então num terreno demasiado perigoso de alargamento do conflito. Os Estados Unidos, como sempre, também dizem-se preparados para ajudar Israel a defender-se contra-ataques e a proteger cidadãos americanos na região. Estamos, portanto, no início de mais uma guerra, mais uma, num conflito que dura quase desde o final da Segunda Guerra Mundial. A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.