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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta pare um parecido de errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

E há muitas perguntas sobre aquilo que se passou ontem, Bruno, o que esteve na origem do acidente no elevador da Glória.

Pois, Luís, de acordo com as primeiras informações divulgadas pelos bombeiros sapadores de Lisboa, que acorreram de imediato ao local do acidente, ter-se-á dado um problema que fez com que um cabo se soltasse, que o elevador perdesse o controlo, saísse dos carris e fosse embater num prédio. Qual a origem deste problema que terá resultado em que este cabo se soltasse, ainda não se sabe, como é óbvio. Agora é o tempo das investigações, das perícias técnicas, que permitam apurar a causa da falha, porque aquilo que não é suposto, de facto, é que um veículo vistoriado e com a manutenção em dia, como ontem foi assegurado pelo presidente da Carris, tenha uma falha desta dimensão e sem que entre em ação o chamado sistema de redundância, ou seja, que permita compensar a falha de algum dos elementos e evitar aquilo que aconteceu ontem no elevador da Glória. Já tinham sido apontados alguns problemas de manutenção, mas aquilo que se espera é que haja sistemas que compensem uma eventual falha para evitar uma tragédia desta dimensão. Mas, como dizia, neste momento ainda é muito cedo para ter conclusões. Agora é necessário e urgente que se encontre alguma justificação técnica para aquilo que sucedeu.

E Bruno, esta entra para a lista das grandes tragédias da cidade de Lisboa?

Sim, com óbvias diferenças. Claro, não estamos a falar do terremoto de 1755, nem do grande incêndio do Chiado, apesar de ter provocado mais vítimas, mas claro que são tragédias de uma outra dimensão, ainda que esta tenha um grande impacto até simbólico, porque desde logo ocorreu com um dos grandes ex-libris da cidade, uma das maiores atrações turísticas de Lisboa, que nos últimos anos se tornou um dos destinos preferidos para muitos turistas europeus e não só. Anualmente, os elevadores da cidade transportam cerca de 3,5 milhões de passageiros, uma grande parte, senão a maioria, turistas. Também resta saber agora se esta pressão de transportar tantos passageiros pode, de alguma forma, ter contribuído para o desgaste dos materiais. Havia um plano de manutenção e de verificação destes veículos, mas essa é outra pergunta que se pode fazer: será que estava adequada à pressão, ao número de passageiros que entretanto passaram a transportar todos os elevadores da cidade de Lisboa? É outra das perguntas. Agora, tem um impacto simbólico, até pela repercussão internacional que tem tido em todo o mundo.

E quais as consequências, Bruno, as consequências políticas deste acidente?

São quase inevitáveis. Por muito que nesta altura nenhum dos candidatos à Câmara Municipal de Lisboa queira fazer, obviamente, qualquer aproveitamento político. Vimos ontem pelas declarações de Carlos Moedas, o presidente da Câmara, pelo semblante carregado que apresentou quando falou aos jornalistas, que essas consequências políticas, esse efeito político, é praticamente inevitável, porque numa tragédia desta dimensão, com este impacto, o presidente de turno, os responsáveis políticos de turno, acabam sempre por, de alguma forma ou outra, ser atingidos. Todas as questões relacionadas com a manutenção do equipamento acabarão, mais cedo ou mais tarde, por entrar no debate político. Ontem não foram os candidatos, mas outras pessoas, que já tiveram até responsabilidades políticas, já fizeram alguns comentários desse gênero e a decisão de Carlos Moedas de suspender os restantes ascensores da cidade de Lisboa demonstra claramente que há aqui uma grande preocupação e que este acidente vai marcar os próximos tempos e condicionar o ambiente pré-autárquico.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta pare um parecido de errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.