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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Então parece que os professores não querem fazer sumários.
É, Carla, dizem que sim. Anda o país distraído com as presidenciais e não se repara nas coisas importantes. O Ministério da Educação e os professores não se entendem por causa dos sumários. Há quanto tempo eu não pensava em sumários.
Sumários, meu Deus.
O ministério quer que o estatuto...
Saudades.
Elas têm mais saudades do que nós.
Eles têm muito mais saudades.
Mais para trás. O ministério quer que o Estatuto da Carreira Docente contemple a obrigatoriedade do registro dos sumários pelos professores e a Federação Nacional de Educação rejeita que isso seja obrigatório. É isto que está em causa, é incluir a obrigatoriedade do registro dos sumários no Estatuto da Carreira Docente ou não. Os professores alegam que o ministério quer apenas um instrumento de controle para, e vejam bem a perfídia da tutela, perceber as ausências dos professores e o seu impacto. Onde é que isto já se viu? É inadmissível que o Ministério da Educação queira controlar as ausências dos professores e o seu impacto, obrigando-os a essa tortura física e psicológica de registrarem os sumários. Libertem os professores.
Libertem já!
Já, imediatamente.
Vocês lembram-se daqueles sumários que era revisão da matéria dada?
Esse era ótimo.
Antes do teste ou em preparação para o teste.
Ou para qualquer coisa.
Eu fiquei traumatizado com o primeiro sumário da primeira aula de inglês no quinto ano, porque a professora mandou-me ao quadro para escrever summary e eu escrevi só com um M. E até hoje. Portanto, eu dou muita importância à questão dos sumários.
E a questão da remodelação, Paulo, é quando o primeiro-ministro quiser.
É um pouquinho como o Natal, quando um homem, uma pessoa quiser. As remodelações são assim, quando ele quiser e só quando ele quiser. Nenhum primeiro-ministro gosta, de facto, de mudar o elenco governativo sob pressão. E ontem Luís Montenegro voltou a deixar isso bem claro quando disse no Parlamento que Ana Paula Martins continua e vai continuar no seu cargo de Ministra da Saúde. Aliás, Montenegro começou logo por aí a sua intervenção no debate quinzenal, antecipou-se logo ao que ele adivinhava que os partidos iam dizer, pedir, protestar de alguma maneira. E não é seguro que uma mudança numa equipa ministerial, neste caso na saúde, conseguisse resolver o complicado puzzle do setor. O problema é muito complexo e profundo e duvida-se que o ministro tenha hoje os instrumentos para o resolver. Enfim, mas isso é outra história.
Bruno, depois da extração, com aspas, estou com os dois dinhos no ar, de Nicolás Maduro, o governo da Venezuela vai agora libertar prisioneiros?
Foi isso que anunciou ontem o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, George Rodríguez.
É irmão.
Desculpem, é George Rodríguez.
Rodrigues.
Rodrigues, pronto, facilitando. Que é irmão da presidente interina.
Da Dulcineia Rodrigues.
Da Dulcineia. Delcy Rodríguez, porque isto das ligações familiares não é só para o Trump e para o genro dele e para a filha. George Rodríguez falou na libertação de um número significativo de prisioneiros, venezuelanos e também alguns estrangeiros, algo que era reclamado há muito pela oposição e que agora o poder da Venezuela classifica como um gesto de paz. O governo bolivariano entende que é uma contribuição para que a República continue a sua vida pacífica e em busca da prosperidade, palavras dos próprios. Mas fica aqui a pergunta: o que estavam a fazer na cadeia estes prisioneiros cuja libertação foi agora anunciada? Não devem ser prisioneiros de delito comum. Querem que digam que a Venezuela de Nicolás Maduro mandava opositores políticos para a prisão?
Não, não é possível.
O mundo não para de nos surpreender. De facto, todos os dias uma surpresa.
É. E isto aplica-se agora ao ex-deputado Miguel Arruda, mas eu diria a todos os homens. Por quê? Em concreto, por que o Miguel Arruda não deu ouvidos ao que lhe dizia a mulher?
Olha, tens toda a razão, é verdade.
Diz que sim, Paulo.
Concordas comigo, não concordas?
Sim, absolutamente. Concordo contigo e com qualquer mulher que venha dizer o que quer que seja. É verdade, a mulher do Miguel Arruda bem o avisou, bem foi avisando. "Miguel, tu sabes que há câmeras nos aeroportos, não faças mais isso".
"Está calada!"
"Olha que medo que eu tenho de ser apanhado, que vergonha". E o Miguel ignorava e respondia: "Tu não tens nada a ver com isso. Ou queres as roupas ou me está a vender."
Eu quero isto na Netflix. Desculpa lá, Paulo, eu quero isto na Netflix.
Está tudo na acusação agora. Isto está tudo na acusação. O Ministério Público induziu ontem as trocas de mensagens. O Ministério Público induziu agora a acusação e obviamente o processo está aberto e uma parte da prova são as trocas de mensagens entre Miguel Arruda e a sua mulher, porque ele cada vez que furtava uma mala, tirava fotografias e enviava para a mulher, no fundo para lhe mostrar o conteúdo e comentavam logo ali o conteúdo, se eram coisas boas ou não.
E a mulher escolhia.
E a mulher escolhia as roupas. Exatamente.
Era uma Vinted particular, privada.
Sim, o que ela não queria para a Vinted, daí esta mensagem: "Ou queres..." Do Miguel Arruda para a mulher, ou vendo.
E a empregada dava ou vendia?
Dava, devia oferecer.
Devia ser pagamento.
Pagamento em gêneros.
Em gêneros. Toma lá umas cuecas usadas.
Por isso que quando foi fazer a busca à casa, encontrou a empregada vestida completamente dos pés à cabeça com roupas que teriam sido, alegadamente...
Alegadamente, supostamente. Triplo degraus.
Furtadas.
Está ouvindo ao Bruno também.
Sim. O ex-deputado Chega foi agora acusado. E de facto, essas trocas de mensagens entre a Ana Arruda e a mulher estão lá. O Ministério Público contabiliza o roubo de 21 malas em quatro meses. Atenção que cinco destas malas foram desviadas de uma só vez.
Tomou-lhe o gosto.
O que em termos logísticos não é uma coisa fácil de se fazer. É preciso, se calhar, dois carrinhos de bagagem.
Isto é como os serial killers. Começam assim devagarinho e depois é às cinco de uma vez.
E o processo tem detalhes curiosos, que ele preferia no início voos que vinham de fora da zona Schengen, em que as pessoas, por regra, demoravam mais tempo a chegar ali, vinham com mais bagagens, porque são voos mais longos, as pessoas vêm de mais longe, de alguma maneira.
E também demoram mais tempo a passar.
Exatamente. As malas estavam ali ainda à espera de dono, se quisermos, nos tapetes, mas depois começou a aligeirar e até chegou a levar, certamente por engano, malas que vinham no seu próprio voo. Enfim, isto é degradante, muito degradante. Ou então é um problema de foro psiquiátrico. Acho que não há outra possibilidade, não achas?
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.