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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Paulo, o PS está a começar a preparar-se para governar.
As mais puristas dirão aquela frase clássica: "Um partido como o PS tem de estar sempre preparado para formar governo e começar a governar já amanhã, se for possível, se for preciso, no dia seguinte". Também sabemos que na prática não é bem assim. Até porque o país é muito lento. É mais lento do que rápido na mudança de governo. Os prazos constitucionais são muito longos. Nós sabemos disso, quando há a queda de um governo, é preciso ir para eleições, demoram-se às vezes meio ano.
Sim, eu recordo-me sempre quando o Syriza venceu as eleições na Grécia, foi no dia a seguir.
Claro, na Inglaterra também é assim.
No Reino Unido, a Inglaterra também é assim.
De domingo há eleições, segunda-feira o governo toma posse.
Segunda-feira já começam.
Precisamos de mais um tempinho.
Exato. Para além disso, o PS lança agora uma plataforma de reflexão, a que se chama Soluções para um Futuro Melhor. No fundo, o partido diz que é preciso construir uma estratégia nacional. Trata-se aqui de aumentar o rendimento das famílias, valorizar o trabalho, atrair o investimento, no fundo, aproximar os salários portugueses dos níveis médios europeus, ou seja, o essencial daquilo que são os objetivos económicos de qualquer governo em Portugal. Aliás, diríamos deste e dos passados. Esta plataforma junta nomes de ex-governantes, de economistas da área socialista, e isto, se não parece a preparação de um programa de governo, então está muito mal disfarçado, porque tem todo o aspeto disso.
Os médicos tarefeiros estão metidos em trabalhos.
Estão, pelo menos agora, sujeitos a novas regras, Carla, e possivelmente à avaliação por parte das entidades contratantes. E começando aqui pelas regras, segundo o decreto-lei publicado anteontem em Diário da República, os médicos prestadores de serviços que faltem ao serviço numa unidade local de saúde, sem avisar com uma antecedência mínima de 48 horas, terão uma penalização de 50% no pagamento dos honorários correspondentes ao próximo turno, ou seja, no turno seguinte que realizarem, terão essa penalização. Contudo, o decreto-lei não esclarece se a penalização é aplicável caso o turno seguinte seja realizado numa outra ULS, porque estes médicos prestam serviços em diferentes unidades locais de saúde. Depois, há a novidade da avaliação. Os médicos prestadores de serviços serão avaliados periodicamente quanto à qualidade dos serviços prestados e ao cumprimento das obrigações contratualizadas, e só serão novamente contratados se tiverem uma avaliação positiva. Finalmente, o diploma também determina aqui vários casos de incompatibilidades. Por exemplo, o médico que tenha saído do SNS por iniciativa própria não poderá prestar serviços, pelo menos durante dois anos. O sistema vai continuar a precisar dos médicos tarefeiros, mas espera-se com este novo diploma, que a dependência do SNS em relação a estes profissionais não se agrave.
E também se espera que os médicos tarefeiros aceitem estas regras.
Claro, ainda falta essa parte.
Ainda falta essa parte. Paulo, já chegamos ao ponto em que a Justiça tem de contar com a boa vontade dos detidos?
Parece que sim, estamos aqui mesmo em plano inclinado e vão acontecendo coisas que são assim mais próprias de uma espécie de guerra do Salgado na versão da Justiça em Portugal. Vejam este caso, que aliás é contado pelo Expresso: um homem suspeito de violência doméstica contra a ex-companheira foi detido no dia 3 de junho pela GNR da Costa de Caparica. Ele passou dois dias detido e depois quando foi apresentado ao juiz, não havia procurador para o interrogar. Teve que ser libertado sem qualquer medida de coação, porque tinha passado o prazo legal para continuar detido sem ser ouvido por um juiz. O homem acabou por depois aceitar comparecer voluntariamente uma semana depois, já com uma procuradora presente. Quando houve uma procuradora que estivesse presente para o interrogatório, a Procuradoria-Geral da República não esclarece o assunto, não dá respostas. Também há assuntos que são difíceis de argumentar, de facto. E assim vamos, sujeitos à boa vontade daqueles que estão sob a alçada da própria Justiça.
Bruno, já ninguém quer ir à bola. Calma! Ninguém? O Paulo Ferreira não perdoa.
O Paulo vai a todas.
E esta camisola fica-lhe bem.
Não precisavas de ir de botas de caubói, só porque é no Texas.
É o chamado.
Desculpa.
Por São Lusa.
Fiquei a imaginar.
E o chapéu, não é?
E o chapéu a condizer.
É o JR. O JR e o Ingrid.
Mas com camisola da seleção portuguesa.
Sim, essa fica-te bem.
Aquela vintage. Desculpa, Bruno.
Não, assenta-te muito bem, é do Eusébio, muito bonita. Olha, isto é o chamado populismo às avessas, porque antes o populismo era quando toda a gente se queria aproveitar dos sucessos da seleção. Da seleção e não só, também dos clubes. Agora passamos de toda a gente ligada à política querer ir ver um joguinho qualquer da seleção nacional, aceitar convites de patrocinadores e outras entidades, a este súbito rebate de consciência, que começou por dar aos deputados da esquerda, mas acabou por se estender ao Chega. A Federação Portuguesa de Futebol endereçou convites aos cargos, não aos indivíduos, mas aos cargos, para assistirem ao jogo de estreia de Portugal no Mundial, hoje contra o Congo. O PS agradeceu o amável convite, mas por questões de agenda declinou e, por uma ou outra razão, PAN, LIVRE, JPP, PCP e Bloco de Esquerda fizeram o mesmo. O deputado do Bloco, Fabian Figueiredo, sugeriu mesmo que a Federação convidasse pessoas que há meses foram afetadas pelas tempestades e que raramente terão a oportunidade de ver a seleção. E o Chega, bem, o Chega esteve para ir, mas afinal também não vai. André Ventura recusou a oferta e Pedro Pinto, o líder do grupo parlamentar, recuou na intenção de assistir ao jogo. E passamos do toda a gente querer ir aos jogos para: "Pela televisão também se vê muito bem." Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.