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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
Está na hora do Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta. Paulo Ferreira hoje fala-nos de Big Brother, batatas quentes, mas vamos começar por regras que mudam depressa.
É verdade, parece tudo a imensidade portuguesa, não é? Não é que bastaram apenas 24 horas para o governo alterar as regras aplicadas no estado de emergência.
Paulo, o governo deve ter pensado melhor nalgumas restrições, não é?
Pois pensou, parece que sim, mas é pena que não tenha pensado melhor antes de anunciar essas medidas. No sábado à noite, já madrugada, o primeiro-ministro anunciou que não se pode sair de casa a partir das 13h ao sábado e domingo. As exceções são mesmo para um passeio higiênico ou ir trabalhar. Mas ontem o decreto publicado, também já a noite e a longa, já tem uma alteração importante. Afinal, pode-se ir às compras ou supermercado mesmo durante a tarde ou fim de semana. Até pode fazer sentido, mas fica sempre a ideia de serem medidas preparadas assim um pouco em cima de esbolho e sem evidência científica que o suporte. E pronto, uma exceção já está.
Provavelmente até na próxima semana vamos ter outras exceções.
É, pode haver na próxima semana, logo a seguir, e há uma batata quente que o governo já tem em mãos. O Congresso PCP está marcado para o final do mês e vai poder ser feito sem restrições ou vai estar sujeito às regras em vigor na altura?
Não é uma decisão muito fácil.
Pois não, não é nada fácil e promete, mais uma vez, ser polêmica. O Congresso dos Comunistas está marcado para os dias 27, 28 e 29 de novembro, a realizar em Loures. Loures é um dos conselhos de elevado risco, que desde hoje está sujeito a restrições de circulação e recolher obrigatório, que ainda por cima são as regras mais apertadas ao fim de semana. É verdade que estas regras só estão em vigor durante duas semanas, por isso terminam ainda antes do congresso. Mas olhando para trás, foi 25 de abril, 1º de maio, jantares e comícios do Chega, Festa do Avante, peregrinações a Fátima, espetáculos, Fórmula Um. Enfim, foi uma bagunça de contradições, exceções feitas à medida, explicações duvidosas, critérios nada transparentes e seguramente mais políticos do que científicos. Portanto, estão criadas todas as condições para mais uma vez termos aqui uma enorme confusão a propósito de mais um evento partidário.
As redes sociais vão gostar disso.
Sem dúvida.
Paulo, mas nada se compara a uma confusão que ainda vai do outro lado do Atlântico.
E o que é que o sistema eleitoral americano tem a aprender com o Big Brother?
Estás a falar do reality show, certo? Há alguma coisa a aprender com isso?
Então não há. A facilidade com que se expulsam concorrentes da casa do concurso televisivo é muito mais eficaz do que nos Estados Unidos, como se está a ver. Donald Trump não reconhece a derrota, diz que houve batota, não aceita o resultado da votação e por isso ameaça ficar ali agarrado à cadeira da Sala Oval. É uma imagem embaraçosa do país mais poderoso do mundo. Até parece que estamos a falar de uma qualquer democracia duvidosa num país mais obscuro.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
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