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Ao vivo, na Rádio Observador.
Gonçalo Mendonça na guitarra, Pedro Monteiro no contrabaixo, aqui em representação de Gonçalo Mendonça Manouche Swing Teté. É um dos espetáculos que vai poder ver também nos próximos dias no Festival Todos. Tenho comigo o Gonçalo Mendonca e também o diretor do FestivalTodos, o Miguel Abreu. Muito obrigado por terem vindo. Vou começar pelo Gonçalo, porque acabamos de escutar uma belíssima música. Qual é o título? Recorda-me.
Chama-se Chic Ovarvey.
É um pequeno excerto do que poderá ser esse espetáculo no festival Todos deste projeto do Gonçalo Mendonça. Para quem não está muito familiarizado com este termo, queres tu explicar o que é Jazz Manouche?
Muito bem. Olá, Nelson, obrigado pelo convite. Jazz Manouche, o grande protagonista desse gênero de música é um senhor que se chama Django Reinhardt.
Que é uma lenda.
É uma grande lenda.
Anos 30.
Anos 30. Viveu na primeira metade do século XX.
E dizem que é um dos melhores guitarristas de todos os tempos.
Eu sou suspeito, mas dizem que sim. E viveu na primeira metade do século XX. Ele era franco-belga, cigano, de etnia manouche. E ele apropriou-se do swing norte-americano. Na altura tocava-se swing nos Estados Unidos. Louis Armstrong e Duke Ellington eram nomes sonantes na altura, e o Django Reinhardt era fã desse gênero de música. Sendo ele cigano, apropiou-se do gênero swing americano com a herança cigana e daí designar-se de jazz manouche como conhecemos hoje.
É um gênero tão antigo, até pela contextualização que fizeste, como é praticá-lo hoje em dia? Tu, no projeto do Gonçalo Mendonça SwingTet, tens uma abordagem que pode introduzir lives de alguma modernidade nesse tipo de jazz?
É um desafio, porque hoje em dia quem toca esse género de música procura muito essa modernidade. Eu gosto muito de ir à tradição, gosto muito de beber na fonte, porque é o que me dá mais gozo. Mas o desafio também passa por aí: manter a tradição e mantermo-nos fiéis à origem, não perdendo a sua essência e cativando as pessoas. Acho que a nossa mensagem passa por isso.
Gonçalo, já vamos abordar melhor o que será este teu concerto no Festival Todos. Miguel Abreu, enquanto diretor artístico do festival, e esta é uma missão que já assumes há alguns anos, o Festival Todos também já granjeou um espaço na agenda cultural da própria cidade e do próprio bairro. Fala-me um pouco da edição deste ano, porque continuamos com esta ideia de coexistência urbana, de uma interculturalidade que tem de se afirmar também numa programação artística.
Exato. A nossa missão é essa: passar o valor da interculturalidade aos lisboetas, principalmente, e também aos imigrantes que escolheram Lisboa para viver e trabalhar. É, sobretudo, um valor de negociação, de partilha, de espaço de encontro e convívio, e o nosso festival procura fazê-lo pelas vias da proximidade, da rua, do espaço público e do one to one. É um tricô que se faz aproximando pessoas que muito provavelmente sem as oportunidades criadas pelo festival não se conheceriam e que conhecendo esquecem muito rapidamente por via dos projetos em que participam e dos convívios que criamos e estimulamos, as origens de cada qual ou ficam com muita curiosidade sobre as origens de cada qual e passa a ser uma curiosidade boa in vez dum preconceito mau. Portanto é isso que nós procuramos: limpar preconceitos.
Arroios continua a ser o palco deste festival este ano?
Este ano é o terceiro ano em Arroios. Nós trabalhamos três anos em cada freguesia para termos tempo para trabalhar diretamente com as pessoas, era difícil fazê-lo na dimensão toda da cidade de Lisboa. E depois de já termos passado por vários bairros voltámos a Arroios onde tudo começou em 2009. O primeiro concerto do Festival Todos há 17 edições atrás, esta é a 18ª, começou no Lar do Intendente donde este ano vamos ter também grande concerto celebratório do festival com os Terracotta no dia 12, no mesmo dia que o Gonçalo vai também tocar no Mercado Forno do Tijolo, a culminar a Marcha de Todos, que é o grande projeto que em Arroios nós construímos e que nasce em Arroios, que é a marcha dos imigrantes que celebram a sua vida em Lisboa congratulandose por estarem em Lisboa, que é uma mensagem muito importante e contraria muito o preconceito de que há muito ódio contra os imigrantes e muita perseguição, o que é verdade mas também é verdade o outro lado que é muitas vezes esquecido; que há muitos imigrantes que se integraram muito bem, trouxeram as suas famílias especificamente pra Portugal después já terem estado noutros países da Europa e escolheram pra trazer a família o nosso país e que agradecem a Lisboa o estarem aqui e que na nossa marcha celebram com música, dança, gastronomia, espírito de festa esta presença na cidade. Portanto o dia 12 sábado é um dia de celebração começa à 13h no mercado Forno do Tijolo, que tem variadíssimas atividades: gastronomia artesanato, dança oficinas de desenho, música ondem vão eles atuar duas vezes teatro e dónde parte a marcha que culminará no lar do intendente com depois o concerto dos Terra cotta.
Miguel como é que-- isto é um pouco complicado perceber como é que se cria também um espaço de diálogo, como é que se faz trabalho que imagino que seja prévio de envolvimento da própria comunidade local de Arroios para que participe neste festival e que não seja aqui depois corpo estranho no próprio bairro?
Faz porque se trabalha na rua. Nós somos umas pessoas que o escritório está na rua permanentemente Faz-se num encontro da esquina, na padaria, na loja, no centro cultural com os funcionários da junta com as associações de-
Conhecendo essas realidades.
Todas essas realidades é falando aliás as pessoas muitas vezes perguntam qual é a técnica do trabalho intercultural pois a técnica é precisamente escutar muito as pessoas Escutar as pessoas antes demais implica conhecê-las e conhece-las implica ir onde elas estão. Muita da oferta artística e cultural que también promove valores da interculturalidade acontece em espaços cénicos, onde muitos dos imigrantes não entram porque nem sabem o que fazer prala daquela porta têm medo têm vergonha muitos estão em vias semi legais portanto é preciso ir ao encontro das pessoas elas ganharem confiança em nós e nós nelas e avançarmos em conjunto para fazer qualquer coisa de novo nestas relações que chamamos de interculturais.
O Festival todos já arrancou no dia 25 mas ainda decorre até treze de setembro Toda a programação está em festivaltodos ponto com Mas queria fazer teuma pergunta difícil Consegues destacar momento da programação que tem tantas artes do cual particularmente te orgulhas este año sei que deve ser difícil responder.
Nós temos muita oferta para o público brasileiro porque hoje tem muitos brasileiros a viver eu destacaria dois espetáculos completamente diferentes pra públicos brasileiros també diferntes e pros públicos de todas as outras nacionalidades obviamente Um é o espectáculo da Lucélia Santos A eterna escrava Isaura que as pessoas da minha geração pa mais velhas celebrarão Da novela né Que foi uno dos maiores sucessos da novela brasileira até hoje E que pela primeira vez ela Lucélia Santos se apresenta como atriz de teatro em Portugal no espetáculo Vozes da floresta Chico Mendes vive é uma homenagem muito sentida a um primeiro homem assassinado no Brasil pelos fazendeiros por ter defendido a Amazônia ter se posto contra a desmatação da amazónia que a lucelia santos conheceu pessoalmente que morreu foi assassinatoDepois dela lhe ter feito uma entrevista quatro dias depois e ela fez este espetáculo só depois da pandemia nunca mais teve coragem de mexer naquelas gravações durante a pandemia mexeu naquilo reviveu esse passado e fizeste espetáculo de homenagem que é também grito de alerta sobre a importância da Amazónia para todos nós cidadãos do mundo e o outro espetáculo é espetáculo de dança da Alice Ripol dança contemporânea chama se Puffe e é interpretado por jovem bailarino que já não é novinho já tem sete años de trabalho nesta companhia mas que a Alice Ripoll descobriu numa favela do Rio de Janeiro que há extraordinário intérprete extraordinário bailarino e que demonstra que a importância de projectos como todos e outros que nascem da vontade íntima e pessoal de cada pessoa de ir à procura do outro Ela Alicia Ripola coreógrafa se não tivesse ido à Favela procurar talentos que não vão às escolas de dança consagradas ó que pras quais têm que pagar Ela vai descobrir os seus talentos lá e trouxe o pra este proyecto dela e ele é bailarino hoje que circula pelo mundo inteiro e portanto tambemé um sinal que nós damos através do todos independentemente da origem quando os encontros de boas pessoas se dãotambém há milagres que acontecem e todos os dias
Miguel Abreu diretor artístico do festival todos toda a programação em festivaltodos ponto com gonçalo muito rápidamente quem é que tu vais acompanhar porque aqui estiveres só com Pedro Monteiro no contrabaixo mas no dia doze às 14 h30 e às 16h no mercado forno do tijolo traz uma formação maior
A formação é quarteto sou eu na guitarra o pedro monteiro no contrbaixona outra guitarra Alcides Miranda e no saxofone tenor Francisco Menezes
É formato maior Aqui fica uma amostra de Gonçalo Mendonça Manucha Swing tette convidado tambien deste Ao Vivo que teve em destaque o festival todos Muitos parabéns Muito obrigado Obrigado
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