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Seja muito bem-vindo ao "Aprender a Comer". É o episódio extra que todas as semanas esclarece dúvidas de nutrição dos nossos ouvintes. E foi o que fez a Maria, que enviou um e-mail para marianachaves@observador.pt. Mariana, a Maria tem aqui uma dúvida sobre pudins que têm o rótulo a dizer "protéicos". Há vários: de caramelo, de baunilha, de chocolate. Será que são mesmo protéicos? É isto que a Maria quer saber, porque pelo que percebi, tem um filho que gosta muito de iogurtes e destes pudins, e quer perceber melhor as diferenças. Eu imagino que sejam muitas, não é, Mariana?
Sim, são algumas, mas eu agradeço à Maria este e-mail que ela enviou, porque realmente eu acho que o público em geral ainda não percebe bem a diferença. Parece que se está a falar de produtos que são todos iguais e é muito comum serem adorados por muitos, porque são muito apelativos pelo sabor e textura. Mas eu quero esclarecer a questão da palavra "protéico", que virou moda e que muitas vezes está associada automaticamente a algo saudável, eu penso, pelos consumidores.
Também acho.
O que nem sempre é verdade. Portanto, vale a pena perceber melhor realmente por que o chamar protéico e em que circunstâncias é que se pode chamar.
Há legislação para isso?
Sem dúvida. E portanto, não podemos duvidar de que quando está lá protéico, realmente eles acautelaram isso. E a verdade é que segundo a legislação, um alimento ou um produto alimentar pode ser designado fonte de proteína, e portanto protéico, se tiver pelo menos 12% das suas calorias vindas da proteína. E se tiver 20% ou mais destas calorias vindas da proteína, pode ser considerado rico em proteína. E é de facto, muitos destes pudins. Aliás, eu fui analisar vários rótulos e todos eles têm mais de 20% das calorias obtidas através da proteína. Ou seja, quando vocês veem lá as gramas, isto é um cálculo feito por nós, nutricionistas. Quando vocês veem lá a quantidade de proteína de 12, de 15, de 16 gramas em 100 gramas de produto, na verdade, quando estamos a falar é de calorias. Portanto, a caloria da proteína são quatro calorias por grama de proteína. Isto é a conta técnica, só para entenderem que realmente satisfaz isto de ter mais de 20% das suas calorias em proteína.
Mas se calhar é para o resto, não é?
Sem dúvida. Podem ter muitas outras coisas para além da proteína. Eu acho que a razão é o que resta, porque o facto de ser protéico não quer dizer que não seja um ultraprocessado. E eu acho que a Maria quando escreveu, era exatamente esta a preocupação dela. Porque a quantidade da proteína está lá, certo. A quantidade global do produto é que é essencial. Por exemplo, se nós pensarmos noutro produto alimentar, o skyr, que também é vendido ao lado destes pudins protéicos, que é naturalmente rico em proteína, mas tem uma lista de ingredientes mais curta. É um leite magro, fermentos lácteos, portanto não tem os adoçantes, os espessantes, os conservantes, e isso faz toda a diferença. Não estou a dizer que não tem. Às vezes tem, mas também existem opções de skyr que não têm. Vamos ser ainda mais corretos nesta informação.
E por norma, os pudins protéicos têm isso que falavas?
Por norma, para além da proteína, para dar aquele sabor, aquele doce, textura de sobremesa, tem uma composição mais artificial e portanto, o desejo por doce fica ali um bocadinho preso. Não há aqui reeducação. Nós não podemos dizer que eles têm açúcar adicionado, porque não têm açúcar adicionado. Este pudim.
São adoçantes?
São adoçantes, mas não deixamos de considerar uma sobremesa. Portanto, temos a sucralose, que vão manter o quê? Um sabor doce, altamente doce. E portanto, apesar daquela associação quase com o rótulo fit, o pudim funciona mais como uma sobremesa. E além disso, é menos saciante do que alimentos naturais. O que pode reforçar aqui uma relação quase emocional com o doce.
Temos que evitá-los ou temos que ler bem os rótulos? Há deles que podem ser mais saudáveis ou não em contexto?
Olha, não sei se é entre eles uns que são mais saudáveis. Eu não sou apologista de extremismos e, portanto, a questão para mim não é evitar por completo, mas é mais saber quando e como consumir.
Ok.
Portanto, entre eles, eu acho que é uma questão de gosto. Agora, para ser uma escolha ocasional, ou seja, um substituto pontual de uma sobremesa, isso tudo bem. Agora, não deve ser encarado como um lanche saudável, diário, que é uma alternativa a um iogurte. Um iogurte que mesmo que tenha aromas, claro que o iogurte natural será sempre o mais saudável, o iogurte de aroma poderá vir a seguir, mas o skyr também é protéico, portanto, quando se procura um produto protéico, que seja o mais natural possível.
O skyr é a melhor opção?
É um alimento que é mais funcional neste aspecto, ou seja, tem uma densidade protéica elevada, que muitas vezes as pessoas procuram isso para ficarem mais saciadas. E nós até temos um episódio sobre isso, que se chama "Skyr, o iogurte islandês da moda é uma boa opção?" Vocês podem procurar. Mas realmente, ele pode ajudar a reeducar o paladar para sabores menos doces, que é isso que nós não temos aqui no pudim. Pode perpetuar o desejo por doces e não ajuda a reeducar o paladar, especialmente por pessoas que têm já um consumo elevado de açúcar. Portanto, o palato está habituado ao sabor doce.
E nunca consumido dessa forma diária, de lanche.
Como lanche, não, como uma sobremesa. Assim como existem outras sobremesas. Eu acho que é assim que temos que encarar e eu até acho que é assim que o produto se posiciona. Eu acho que as pessoas começaram ao vê-lo ao lado dos iogurtes.
Era isso que ia te dizer, pode ter muito a ver com a posição que está na prateleira, no supermercado.
Eu acho que sim, porque o rótulo em si do produto se posiciona mais como uma sobremesa e não tanto como alternativa ao iogurte. Mas as pessoas veem ali ao lado, que realmente precisa de refrigeração, e de repente parece que é uma hipótese de lanche, mas não. Pensar aqui que a marmelada não é uma hipótese de lanche. E não precisa de refrigeração, pode estar ali ao pé dos produtos frescos.
Isto é um bocado também uma tendência que acontece muito com os produtos alimentares terem um determinado rótulo. Já fizemos vários programas sobre isto, uns que são fits ou light, podem procurar, mas isto do proteico, tu sentes que é uma tendência, que é mais ou menos recente e que tem aumentado?
Sim, eu acho que tem aumentado. Acho que a literacia alimentar tem aumentado.
O problema são as pessoas do ginásio que querem proteína e então as marcas tentam fazer um produto proteico.
Eles precisam de proteína, é real. Nós também. Na verdade, como dizíamos num programa extra anterior sobre o pequeno-almoço, que a torradinha ao pequeno-almoço não chega. A verdade é que nós precisamos de proteína e estamos mais informados. Agora, ao estar mais informado onde é que se encontra a proteína, também estamos mais sensíveis a estes apelos de "é rico em proteína". Temos é que não nos focar só nessa alegação nutricional, que é assim que nós dizemos, mas também no outro conteúdo do rótulo, portanto a lista de ingredientes é sempre a solução final, que é o que lá está dentro para além de ser realmente rico em proteína.
Claro. Pudim proteico. É mesmo proteico? Foi isso que tentamos responder à Maria, que nos enviou um e-mail para marianachaves@observador.pt com esta dúvida, porque o filho dela adora estes pudins proteicos, mas já percebemos que eles têm que ser, de facto, mais olhados como uma sobremesa do que propriamente para um lanche diário. Envie também as suas questões para marianaachaves@observador.pt. Uma vez por semana, eu e a Mariana esclarecemos aqui as dúvidas dos nossos ouvintes. E para a semana, já temos tema, Mariana.
Já.
É mais ou menos parecido com este. Vamos falar de sobremesas de fruta saudável, é isso?
Claro, exatamente. Ou seja, inspirados aqui nesta dúvida, vamos criar aqui um tema que faça sentido. Temos fruta ótima nesta época do ano.
Pois é.
Então vamos pensar aqui em sobremesas saudáveis feitas com fruta.
E dá para pôr no gelo, fazer gelado.
Vamos falar tudo isso.
Não percam o próximo episódio do "Aprender a Comer", sempre aqui na Rádio Observador, com a nutricionista Mariana Chaves. Até para a semana.
Até para a semana, Nelson. Obrigada.