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Já aqui está o Pedro Lino, que vai continuar esta semana a falar dos PPR, dos Planos Poupança Reforma, numa altura em que muita gente se lembra, de facto, de os subscrever ou de reforçar. Pedro, nós estamos aqui a lembrar os 10 mitos dos PPR. Na semana passada falámos dos cinco primeiros, vamos agora falar dos outros cinco. Vamos começar então pelo mito seis.
Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade. Mito seis: se fizer reforços mais tarde, não conta para efeitos fiscais, não conta para benefícios fiscais. Errado. Todos os reforços podem beneficiar da dedução em IRS até aos limites dos € 400, 350 ou € 300.
Conforme a idade.
Conforme a idade. Ou seja, o máximo que se pode investir num PPR para este efeito são os € 2.000 e se tivermos menos de 35 anos, temos acesso aos € 400. E eu posso fazer isso de uma forma faseada, eu posso fazer reforços.
Exato. Não só quando constituis o PPR, mas nos reforços anuais.
Exatamente.
Se todos os anos lá colocares € 2.000, todos os anos vais ter, no caso das pessoas abaixo de 35 anos, os tais € 400 de abate no IRS.
Sim, e muitas pessoas pensam: "Eu fiz o PPR, pronto, está lá".
É só quando se faz.
É só quando se faz. Não.
Qualquer entrega de dinheiro é suscetível de ter o benefício fiscal de entrada. Vamos ao mito sete.
Ter mais do que um PPR não faz sentido. Muito pelo contrário, faz todo o sentido ter dois, três, cinco PPR ou cinco subcontas de PPR. Por quê? Permite diversificar o risco, ou seja, eu posso ter dentro da minha conta um PPR mais moderado, mais conservador, outro mais equilibrado, outro mais agressivo, mais exposto às ações. E isso faz parte do nosso portfólio de PPR. Às vezes quando falamos: "Eu tenho um PPR". Não, eu posso ter um portfólio de PPR, tal como posso ter um portfólio de ações.
De ações ou de outros investimentos.
Ou de TIF, ou de tudo o que for. Por isso, isso permite o quê? Ajustar, diversificar, diminuir o risco, ajustar horizontes temporais, definir objetivos de vida. Por exemplo, quero ter um PPR para a educação dos meus filhos, outro para uma entrada de uma segunda casa, outro para um outro objetivo de vida. Isso pode ser feito em subcontas com o mesmo PPR ou vários PPRs.
Claro, e aí pode-se ajustar o nível de exposição ao risco que queremos, em função do horizonte temporal também, para esses PPRs. Mito oito.
O PPR só serve para quem ganha muito. Falso. O PPR é uma das ferramentas mais sociais e eu diria, mais democrática que existe, porque permite a quem tem €20, investir €20, ou quem tem 20 milhões, investir 20 milhões. Isto é igual para tudo. O limite é que são mesmo € 400.
O do benefício fiscal. Mas há pouco demos o exemplo dos € 2.000, que é o que dá acesso aos € 400. Mas se as pessoas quiserem constituir ou reforçar em 3.000, 4.000 €, tudo bem. Mas a única coisa que vai contar, o teto para o benefício fiscal são os 2.000 €.
Nós temos muitos clientes que têm milhões nos PPRs. Por quê? Porque é o benefício à saída, que também já falamos, porque o que lhes interessa é, a longo prazo, pagar, em vez dos 28%, os 8% a 8,6% sobre os lucros.
Isso é uma grande diferença.
Isso é uma grande diferença. E quando estamos a falar de muito dinheiro, isto faz muita diferença. Por isso, é esse planeamento fiscal que muitas vezes é feito. Por isso, hoje em dia, com 20, 30 ou 40 € por mês, consegue-se constituir e subscrever um PPR.
Portanto, é para todos, o importante é poupar, de facto, com o horizonte de longo prazo. Mito nove.
Transferir um PPR é complicado. Nada disso. Muito simples.
Transferir de uma instituição para outra.
De uma instituição para outra. Eu tenho minha gestora, não estou satisfeito, ou o meu PPR está num banco ou na seguradora, não estou satisfeito, quero mudar. Hoje em dia é um processo supersimples. Ou seja, eu vou à entidade onde quero ter o futuro PPR, abro a minha conta e digo a essa entidade: "Olhe, eu tenho um PPR no banco ou na seguradora ou na gestora X, a apólice é tal e quero transferi-lo para aqui". E é essa entidade que vai tratar de tudo.
Contacta a entidade onde está o PPR.
É essa entidade que vai contactar quem tem o PPR. Ou seja, eu, como cliente, não tenho que ir ao gestor de conta, não tenho que ir à seguradora, não tenho que fazer nada. O processo é supersimples, porque é a entidade gestora que o cliente escolheu, onde vai ter o futuro PPR, que vai tratar de tudo.
E o PPR vem com os montantes todos, obviamente, e com os direitos todos.
Exatamente. Vem com o histórico, migra o histórico, migram os direitos, por isso não há lugar a pagamento de impostos. E mais, normalmente é gratuito. O máximo que se pode cobrar por lei é 0,5%, pela transferência, mas normalmente as gestoras cobrem esse custo.
Para ganharem mais um cliente.
É para ganhar mais um cliente. É o custo de aquisição de cliente, por isso, na verdade, estas transferências acabam por ser gratuitas e fáceis, porque eu não tenho que me deslocar ao banco e às vezes o gestor de conta tentar convencer que afinal tem outro produto. Não, isto é tudo tratado pela entidade onde tem a nova conta. Por isso é supersimples.
A contagem dos prazos, nomeadamente para efeitos fiscais, não é interrompida.
Não.
Portanto, se o PPR tiver cinco anos, no momento da transferência, transporta esses cinco anos.
Exatamente. Imagina que eu tenho um PPR há 20 anos e todos os anos fiz reforços. Eu vou ter 20 reforços anuais. Esses 20 migram para a nova sociedade gestora com a antiguidade de 2005, 2006, 2007, 2008, por aí em diante, com os direitos todos adquiridos.
Muito bem. Mito 10.
Mito 10: quando chegar aos 60 anos, devo levantar tudo ou quero levantar tudo. Isto é perigoso.
Ou seja, aos 60 ou 65.
Aos 60 ou 65. Quer levantar tudo aos 60, porque há umas condições que permitem aos 60 anos levantar tudo, mas depois aos 65 ainda mais. Isto é perigoso, porque levantar tudo significa perder o poder do juro composto que já foi acumulado até aí. E depois, muitas vezes, eu pergunto às pessoas: "Mas o que vai fazer ao dinheiro?" Vai pôr em depósitos a prazo? Vai fazer um novo PPR? Vai fazer um novo fundo? É que já está a beneficiar da tributação dos 8% à saída, ou 8,6. E, por isso, está a cometer um crime ao PPR, ao seu investimento.
Não precisando do dinheiro.
Não precisando do dinheiro, exatamente. Muitas vezes, a melhor estratégia do PPR é transformá-lo numa fonte de rendimento. Por exemplo, nós quando estamos na vida ativa, o que fazemos é contribuir para esse PPR para ele ir crescendo. Quando estamos na idade da reforma, é fazer um débito direto ao contrário.
Ir tirando.
Ir tirando mensalmente um valor que permita o PPR continuar a crescer, mas que permita eu ter uma vida melhor, que na realidade é para isso que fazemos isso.
Dar-nos liquidez. Muito bem.
Sim, e estas poupanças servem para isso mesmo. Quando estamos na idade da reforma, quando queremos depois fazer uma viagem, etc., poder ter ali-
É para utilizar o dinheiro
...para utilizar.
Basicamente. Desta vez, um bolo maior do que aquele que se foi lá colocando, expectavelmente.
Sim, e temos de pensar o seguinte: aos 60 anos, tudo corra bem, aos 65, a nossa esperança média de vida ainda vai ser mais 20 ou 25 anos. Ou seja, nós não podemos pensar: "Eu agora tenho aqui acesso, vou levantar e vou estourar tudo". Cuidado.
Ainda há futuro.
Há muito futuro, e futuro que é necessário cuidar, porque os cuidados de saúde crescem à medida que nós vamos avançando.
Muito bem, Pedro. Muito rapidamente, vamos então resumir agora os 10 mitos.
Os 10 mitos. Número um: não é só para a reforma. Dois: não fica preso. Três: não perde dinheiro. Quarto: não são todos iguais. Quinto: o PPR pode render e muito. Sexto: os reforços têm benefícios fiscais associados. O sétimo: pode ter vários PPRs. Oitavo: serve para todos os rendimentos e para todas as faixas de rendimentos, desde os € 20 aos 20 milhões. Nono: transferir é supersimples. E décimo: não tem de levantar tudo aos 60, 65 anos, muito pelo contrário, nem deve.
Muito bem, fica aqui então basicamente o que nós queríamos saber sobre PPRs, mas tínhamos vergonha de perguntar, de alguma maneira. Aqui em 10 mitos que o Pedro Lino desmontou ao longo destes dois episódios. Ficamos por aqui esta semana. Voltaremos para a semana novamente com mais um bom moeda de investimento. Até lá.
Obrigado, Paulo. Obrigado a todos. Bom fim de semana.