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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda e Paulo, os Certificados de Aforro.
Pois.
Estão a perder aquele brilho.
Aquele brilhozinho deles que nos dava um brilhozinho nos olhos também e essas coisas todas. Não sei se é do inverno, se é deste tempo mais chocho, mas já não brilha.
Vamos continuar com a canção, hoje estou-me a pouco.
Hoje estou-me a nada. É verdade. Desde setembro que o saldo de investimento em Certificados de Aforro é negativo. O que isto quer dizer? Que o montante que todos os meses as pessoas retiram de poupanças em Certificados de Aforro é superior àquele que as pessoas lá colocam. Faz-se aqui o saldo entre entradas e saídas de dinheiro neste instrumento, que é o instrumento de dívida pública, basicamente. Nós quando compramos um Certificado de Aforro ou quando investimos num Certificado de Aforro, estamos a emprestar dinheiro ao Estado e ele paga-nos uma taxa de juro por isso. Só puxando aqui a fita atrás, em março do ano passado, o investimento líquido foi o máximo histórico de sempre, neste caso Certificados de Aforro nunca tinha sido tão alto. Nesse mês tinham entrado quase 3 mil milhões de euros. Foram cerca de 100 milhões de euros por dia, contando até domingos e feriados, cerca de 100 milhões por dia de investimento de poupança neste produto do Estado. Depois o montante foi descendo por aí abaixo e desde setembro que esse saldo é negativo. Por mês têm saído cerca de 100 a 200 milhões de euros destes produtos. Os dados de janeiro foram ontem divulgados pelo Banco de Portugal e no mês de janeiro saíram mais 214 milhões de euros de investimento em Certificados de Aforro. Por que isto acontece? Nós fomos falando disso ao longo dos meses. Até maio, os Certificados de Aforro tinham um juro de 3,5%, que era ótimo na altura. Os juros estavam a subir, as Euribors já estavam mais lá em cima. Já agora, os Certificados de Aforro têm uma taxa indexada à Euribor, mas o Estado define sempre um máximo. Neste caso, o máximo era de 3,5% e portanto era isso que estavam a pagar. Os bancos nessa altura ainda arrastavam muito os pés a subir as taxas de juro dos depósitos, andavam ali na casa de 1% e obviamente nessa altura Certificados de Aforro eram uma ótima opção de poupança de curto e médio prazo, segura, obviamente, com risco de Estado e com uma ótima taxa de juro. Em junho, o governo decidiu cortar nos juros, porque achou que estava a pagar juro a mais. Portanto, há aqui também uma lógica de boa gestão da dívida pública do Estado, se quiserem. O governo cortou de 3,5% para 2,5% o juro. Ao mesmo tempo, os bancos começaram a subir, eles próprios, as taxas que praticam nos depósitos e naturalmente que houve muitas poupanças que foram mudando de rumo. Pessoas que desinvestiram num lado para investir no outro, ou então pessoas que, tendo alguma poupança pra aplicar, deixaram de aplicar em Certificados de Aforro e foram logo pra depósitos. E pronto, fazem muito bem, as pessoas que fazem isto, porque andam à procura das melhores taxas. Neste momento, os bancos já têm juros superiores aos 2,5% que pagam Certificados de Aforro. E naturalmente, as pessoas querem ver o seu dinheiro mais bem remunerado do que menos bem remunerado e, naturalmente, os Certificados de Aforro, ao longo destes meses, perderam o tal brilhozinho, deram passos.
Paulo, e também querias deixar aqui um lembrete sobre a amortização de crédito à habitação, não era?
É verdade. Um lembrete longo. Isto está em vigor até ao dia 31 de dezembro de 2024, mas já estamos quase a acabar o segundo mês.
Mas como deixamos sempre pra último, é bom começar já a lembrar.
Sem dúvida. Até porque há prazos melhores do que outros e depende muito das finanças de cada família. Este ano, até 2024, é possível reembolsar de forma total ou parcial os empréstimos de crédito à habitação, sem que se pague aquela comissão por reembolso antecipado que os bancos muitas vezes cobram. Foi o governo que decretou isto precisamente para facilitar que as pessoas que possam fazê-lo, se libertem um pouco daquele peso do empréstimo.
Reembolsar como, Paulo?
Além das situações normais, antecipar o pagamento.
Ah, sim.
Pra quem tiver uma poupançazinha de lado.
Já lá vem que era reembolsar.
Não, o reembolso é no sentido de pagar uma parte daquilo que devemos ao banco.
Ou o total.
Ou o total, quem tiver.
E não há comissões.
Não há comissões, não é permitida a cobrança de comissão. A grande vantagem é essa. Às vezes há um dinheiro de lado ou aquela tia avó.
Ou o Euromilhões.
O Euromilhões, ou aquela tia avó que deixa uma herança, uma coisa assim. Quem é que está abrangido nesta isenção de comissão? Os contratos de crédito à habitação com taxa variável. Atenção, isto não se aplica à taxa fixa. E há aqui uma racionalidade: quem está a sofrer com os empréstimos, com subidas das taxas é com a taxa variável, porque essas é que vão subindo. As taxas fixas foram contratadas assim, mantêm-se estáveis e garantem uma prestação estável ao longo de todo o contrato. Ou então os contratos que foram feitos a taxa de juro mista, mas que já se encontrem no período de taxa variável. Por regra, os contratos com juro mista têm um prazo de três a cinco anos inicial, em que a taxa é fixa e depois a partir daí passa pra variável. Portanto, são só aqueles que já passaram pra variável, porque esses, obviamente, é que vão pesando cada vez mais na carteira das famílias. As comissões em vigor eram de 5 € por cada 1.000 € amortizados, sei lá, uma amortização de 100 mil €, por exemplo, pagava 500 €. Excluídos desta suspensão da comissão bancária estão os créditos à habitação com taxa fixa. Esses a comissão é mais pesada, é de 2% por cada 1.000 €, ou seja, 20 € por cada 1.000 € reembolsados. Aqui é pesado mesmo, mas a taxa fixa deixa as pessoas seguras desde o início naquilo que elas próprias contrataram. Aí não há surpresas, é previsível.