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Paulo, volta e meia falamos aqui no Boa Moeda, Má Moeda sobre os Certificados de Aforro, que podem estar a render menos, mas que ainda assim continuam a vender bem, não é?

Continuam, assim um pouco como pãezinhos quentes.

E ainda agora saber tão bem.

É, com manteiguinha.

Sim. E quando saíamos da noite e íamos comprar o pão.

Ali à Rota de Sil, não é? E bolos.

E bolos.

Naquelas escadas, por ali abaixo. Enfim, vamos lá então falar dos pãezinhos quentes.

Vamos aos interesses.

Exatamente. É verdade. Vamos lá ver. Os Certificados aforro já não rendem os 2,5%, que é o teto desta nova série desde há cerca de dois anos, porque como têm o juro indexado à taxa Euribor, quando as taxas Euribor vêm abaixo dos 2,5%, que é o caso agora, ali à volta dos 2,1%, 2,2%, obviamente que a taxa que os Certificados aforro pagam vão acompanhando essa descida e ficam ao nível das Euribor a três meses. E apesar disso, apesar de já não renderem 2,5%, continuam de facto a atrair aforradores e investidores. Isto são os dados de abril, que são fresquinhos, saíram ontem. As subscrições líquidas foram de 541 milhões de euros. O que isto quer dizer, líquida? Significa que há pessoas que todos os meses resgatam os Certificados aforro, isto é, levantam o seu dinheiro, e há outras que metem lá dinheiro. É a diferença entre uma coisa e a outra. Fazendo o saldo, entraram mais 541 milhões de euros para os Certificados aforro, o que dá uma média de 25 milhões por dia útil. É dinheiro.

É muito. É dinheiro. Sem dúvida.

É verdade. Estas subscrições já foram feitas a 2,415%, já estão aqui abaixo dos 2,5%, precisamente por causa da queda das Euribor. Se retirarmos a isto o imposto, isto são taxas brutas, atenção, se a estes 2,42%, números redondos, aplicarmos o imposto de 28% sobre os juros, que é a taxa liberatória, já estamos com um juro líquido de imposto de 1,74%, ou seja, isto já é inferior à inflação. A inflação anda ali à volta dos 2%, 2,1% neste momento em Portugal, e está mais ou menos alinhado com aquilo que são os juros de alguns depósitos a prazo. O que significa também que, neste cenário, deixar dinheiro nestes produtos quer dizer que quem lá deixa dinheiro está a perder dinheiro em termos reais, porque a inflação come mais do que o juro que ele vai rendendo. E portanto, as pessoas, neste caso, têm que pensar muito bem a que prazo é que estão a investir. E se for um investimento de médio e longo prazo, devem ir à procura de alternativas que rendam potencialmente mais. Porque senão, deixando lá muito dinheiro, mais perdem, basicamente. Menos compram depois com o efeito do aumento dos preços, quando receberem o juro e resgatarem o dinheiro.

Paulo, também queres falar sobre uma aliança contra fraudes nos pagamentos?

É verdade. Nós vamos de vez em quando apanhando aquelas mensagens SMS a dizer: "Atenção à sua conta da eletricidade, que tem a conta atrasada".

Agora tenho recebido muitas das finanças. Não quitou. Eu gosto é do quitou. Não quitou a dívida.

Isto tem todo o ar de ser uma mensagem real.

Eu sou uma que não quita nada.

Só desquita.

Só desquita.

Aqueles SMS que nos vão aparecendo, "Atenção, tem a fatura da eletricidade em atraso", ou desconheço aquilo.

Mas preocupa, por causa das pessoas mais velhas.

Claro, há sempre pessoas que caem. Por isso é que compensa ir fazendo a reação. Claro. E este tipo de fraudes depois indica um número, é um pagamento por Multibanco, portanto indica uma entidade de referência, uma conta e por aí fora.

Ou um link qualquer.

Ou um link qualquer.

Depois vai pedir os teus dados.

Para aqueles que fazem uma referência Multibanco para apanhar os incautos, a Sibs, que é a gestora da rede Multibanco, e a EDP, que é o maior fornecedor de energia e estará também mais na berlinda quando alguém invoca o nome de uma empresa para cometer estas fraudes. Juntaram-se as duas para combater de facto a fraude e reforçar a segurança dos consumidores. Sobretudo aquele esquema que diz que a fatura está em atraso e via referências para as pessoas rapidamente fazerem o pagamento. O que é que acontece? Os consumidores que receberem estas mensagens podem sinalizar estas situações suspeitas através do site ou da linha de apoio da EDP. Rapidamente, através de uma análise das denúncias e validação das provas, a EDP partilha essa informação com a Sibs e a Sibs procede imediatamente ao bloqueio daquelas referências, isto é, a referência que é indicada para pagamento de Multibanco deixa de funcionar.

Só tem é de ser rápida.

Tem é de ser rápido nisto. Mas neste processo já foram bloqueadas 250 referências desde fevereiro, evitando prejuízos de fraude superiores a 65 mil euros. Eles fazem as contas depois, cada mensagem está a pedir qualquer coisa.

E essas 250 referências dariam esse valor.

Daria este valor, 65 mil euros. E nos primeiros três meses em que isto foi posto em prática, foram confirmados e bloqueados 100% dos casos denunciados como evidências, isto é, daqueles que eram de facto fraudulentos. Cá está uma ideia, de facto, de cooperação entre estas empresas.

Mas lá está, importa que as pessoas façam também. Não é? É preciso agirem.

Se desconfiarem, agirem logo.

Também nenhuma autoridade pode adivinhar que nós estamos a receber um SMS fraudulento. Se não somos nós, consumidores.

Acho ótimo e é bom que agora outras empresas juntem a isto.

Primeiro ponto, espírito crítico e verificar aqueles sinais todos como o quitar, erros ortográficos das mensagens. Já agora verificar mesmo se está o valor em atraso ou não.

E depois quando enviam os links ver de forma acaba o endereço.

Exatamente. É preciso um espírito muito crítico para isto e depois obviamente dar o passo seguinte que é, havendo suspeita, comunicar às autoridades. Neste caso, comunicar à EDP, que depois trata do assunto com a Sibs.