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Boa moeda, má moeda. Não estava à espera, foi muito pressa, não foi?

Foi muito pressa.

Acompanhada de desculpa. Não é costume.

Estamos a dizer: "Paulo, daqui a cinco minutos há moeda. Mais quatro minutos, atenção, moeda."

Já alertas, Paulo, e não são boas notícias. A eletricidade também vai subir.

Agora são tempos de má moeda, má moeda.

Má moeda, má moeda, é verdade.

Não há muito boas moedas. Vai subir, e isto depois é aquele efeito dominó, tudo em escadinha, porque o petróleo e os combustíveis fósseis ainda são usados para produzir outro tipo de energia, e portanto, há aqui efeitos de contaminação. E este alerta vem do próprio presidente da REN, a Rede Elétrica Nacional, no fundo, as autoestradas da rede elétrica que distribuem por todo o país. Rodrigo Costa disse, em declarações ao Jornal de Negócios, que os preços dos combustíveis vão ter impactos também nos preços finais do gás natural e da eletricidade, apesar de o sistema energético português ser robusto, isto é, em termos de quebras de energia, mas os preços obviamente vão fazer-se sentir na fatura futura das famílias com esta subida do petróleo. Isto é, já começam a ser demasiados dias também. Já vamos com duas semanas, talvez mais, sempre ali à volta dos US$ 100 por barril, US$ 105, já chegou aos US$ 120. Mas está ali em zonas de mais US$ 30, US$ 40 por barril do que estava imediatamente antes do conflito. E obviamente que isto já se vai pagar a prazo. Vamos ver é se a subida também é um fenômeno que depois passa depressa ou se vai manter-se durante muito tempo. Essa é a questão.

O que é certo é que as taxas de juro já estão mesmo a subir.

Essas já estão a subir, por antecipação aos Euribor, todos os dias já vão subindo ligeiramente por antecipação àquilo que é a mudança de perceção sobre o que o BCE vai fazer. Nós até ao conflito tínhamos a noção de que o BCE ia manter as taxas nos 2% durante muitos meses, eventualmente uma descida, se a conjuntura da inflação permitisse, lá mais para o fim deste ano. Mas basicamente uma estabilidade de 2%. E as taxas Euribor andavam ali à volta dos 2%. Mais milésima, menos milésima, tinham estabilizado ali. Agora a perceção do mercado mudou, os analistas já olham para aquilo que vai ser a decisão do BCE ao longo deste ano e já veem ali, eventualmente, duas subidas de juros, provavelmente uma antes do verão e outra logo a seguir ao verão, talvez de um quarto ponto cada uma. Portanto, estamos aqui a falar, mantendo-se este cenário em mais meio ponto percentual, dos 2% para os 2,5%, entre aquilo que temos agora e aquilo que será a taxa diretora no final do ano, e as Euribor já vão refletindo isso. Já temos a Euribor a 12 meses precisamente acima dos 2,5%. Ela que andava muito próxima dos 2%: 2,54. Euribor a seis meses: 2,31 e Euribor a três meses: 2,15. Portanto, há aqui subidas, já que isto já se vai pagar nas revisões de crédito dos próximos meses. Pequenas subidas da prestação, mas obviamente isso vai sentir-se, claro. Sobre esta matéria, vamos ver o que diz amanhã Christine Lagarde. Amanhã há reunião do BCE. Amanhã não se espera, obviamente, ainda que o BCE mude as taxas de juro, portanto é preciso consolidar os dados e perceber que impacto real isto vai ter. Mas o que Lagarde disser na conferência de imprensa habitual depois da decisão, já são pistas para aquilo que pode acontecer. Vamos ficar atentos amanhã.