Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda. Hoje com a editora adjunta de economia do Observador, a Ana San-Les. Bom dia. Hoje acordaste mais cedo.
Olá, bom dia, é verdade.
Mais a fim de estares de novo conosco.
Fazer uma dobradinha.
Vais fazer a dobradinha.
Hoje é a dobradinha.
Ana, hoje começamos pelos jovens que vão ter de optar entre o IRS Jovem e o prémio salarial, a chamada devolução de propinas.
É verdade, e o Governo já tinha admitido que isso poderia acontecer, que não poderiam acumular os dois benefícios e que ia haver um período de transição. E na semana passada o ministro da Educação confirmou isso mesmo. O prémio salarial ou a devolução de propinas, como é mais comum dizer, vai continuar a existir, mas os jovens vão ter de optar entre esse apoio e o regime do IRS Jovem, não vão poder continuar a acumular os dois como acontecia até agora.
Mas e o que é que acontece a quem já pediu a devolução das propinas e ainda não recebeu?
Vai receber esse prémio, que na verdade já deveria ter sido pago até o final de julho, era o que estava previsto.
Mas em setembro.
Não chegou a ser, por causa desta indefinição toda, então foi sendo sucessivamente adiado. E na semana passada, a Autoridade Tributária publicou uma nota em que refere que, de facto, está previsto que no final da segunda semana de setembro, portanto desta semana, seja finalmente pago o prémio salarial relativo aos pedidos que foram apresentados no ano passado, em 2024, desde que sejam cumpridos os requisitos, claro, e estes jovens ainda vão poder acumular o prémio salarial com o IRS Jovem. São os últimos que vão ter este benefício.
São os últimos. Então quer dizer que daqui pra frente é que muda?
Exatamente, daqui pra frente é que muda. Até agora conseguem acumular. Quem já fez o pedido, vai receber, consegue acumular. Mas para já, ainda não estão a ser aceites novos pedidos de devolução das propinas, nem se sabe se vão continuar a ser feitas as inscrições como até aqui. Os jovens inscreviam-se, ainda também há alguma incerteza em relação sobre como é que vai ser feita essa escolha. Mas daqui em diante, quem fizer este pedido deve saber que já não vai poder acumular os dois regimes, os dois benefícios, vai ter que escolher.
Entre um e outro. E qual é a melhor opção? Como é que os jovens sabem que estão a fazer a melhor escolha?
Pois, essa é que é a grande questão aqui. Vão ter de fazer contas para ver o que compensa mais. O prémio salarial tem um valor fixo, são 697 € por ano para uma licenciatura, 1500 € para um mestrado e durante um período de tempo que equivale à duração do curso, ou seja, se o jovem fez uma licenciatura de três anos, pode receber três vezes 697 €.
Com o mestrado são dois anos, não é?
Sim, são dois anos, pode receber duas vezes 1500 €, exatamente. No que toca ao IRS Jovem, o novo modelo que entrou em vigor em janeiro deste ano abrange também jovens até aos 35 anos, não tem graus de ensino associados, ou seja, não é só para licenciados como era antes, e a duração do benefício passou de cinco para 10 anos. Portanto, aqui realmente vai ser preciso pegar na calculadora e fazer simulações, porque se um benefício compensa mais do que o outro, depende do salário dos jovens, daquilo que recebem. Por exemplo, a Bastonária da Ordem dos Oficiais de Contas já veio dizer que é provável que na maior parte das situações seja mais benéfico optar pelo IRS Jovem, sobretudo no primeiro ano, em que a isenção é de 100%, é total. Mas, por exemplo, nos casos em que os salários são mais baixos, se um jovem ganhar o salário mínimo, até pode compensar pedir a devolução das propinas, vai sempre ser necessário fazer as contas.
Alguém diria. Ana San-Les, tu também queres falar sobre um ataque ao chocolate, explica-nos lá o que é que se passa. Temas importantes.
Não assustes já assim os nossos ouvintes de manhã. Sim, mas não há boas notícias.
É uma má moeda essa.
Acho que quem já tenha tentado comprar chocolate nos últimos tempos, se calhar já percebeu.
E não é só o do Dubai.
Não é só o do Dubai, isso foi uma febre, não sei se passageira, mas pelo menos acho que o pico já passou. Não, aqui estamos a falar de um fenômeno chamado reduflação. Os anglo-saxónicos chamam-lhe shrinkflation. E começou a ser visível nas prateleiras dos supermercados há mais ou menos dois ou três anos, quando, como certamente os nossos ouvintes se lembram, a inflação estava muito elevada, atingiu aquele pico. E uma das estratégias das marcas de produtos alimentares na altura, para não aumentar os preços diretamente, foi diminuir as quantidades que vinham nas embalagens. E na prática, é um aumento dos preços, porque o consumidor está a pagar o mesmo por menos produto. E até na altura, as associações de consumidores alertaram para isto e mesmo cá em Portugal foi visível em produtos como os cereais de pequeno-almoço ou a farinha, por exemplo.
E agora está a acontecer com o chocolate, as barras estão mais pequeninas.
Pois, nós vimos isso na imprensa britânica esta semana, que, por exemplo, aquelas caixas de chocolates sortidos, que são muito populares no Natal, parece que este ano vêm um bocadinho menos recheadas. As caixas da Nestlé passaram de 600 para 550 gramas. As da Mars também perderam 50 gramas, passaram de 550 para 500 e outros chocolates conhecidos como o Toblerone, segundo o The Guardian, também estão a encolher. E uma barra de chocolate tem agora menos 20 gramas.
Mas custa o mesmo, como dizias.
E custa o mesmo. Isto deve-se, certamente, ao aumento do preço do cacau, que mais do que duplicou no ano passado, apesar de este ano já ter começado a cair um bocadinho e a equilibrar, e que foi provocado, sobretudo, por más colheitas nos países produtores, como o Gana e a Costa do Marfim.
Mas Ana, esta reduflação não acontece só no Reino Unido, não é?
Pois, exatamente.
Já se começa a ver, está a chegar a todo lado.
Já está a chegar a todo lado e noutros países, como por exemplo a Bélgica, já estão a tomar-se medidas em relação a isto. Ainda esta semana o ministro da Proteção do Consumidor veio dizer que quer que a indústria alimentar indique nas embalagens, e aqui não estamos a falar só de chocolate, de forma clara, sempre que houver alterações no peso ou na quantidade dos produtos, para que os consumidores não sejam enganados, na verdade, e que haja mais transparência. E medidas semelhantes foram aplicadas já também em França e em Itália. Por cá ainda não se fala do assunto.
Não se fala do assunto, mas o preço já se nota na nossa casa.
Mas os preços já aumentaram e as quantidades diminuíram.
Ana San-Les, muito obrigada por ter vindo à Boa Moeda, Má Moeda. Até amanhã.