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Tudo pronto para a Boa Moeda, Má Moeda. Não sei porque é que se estão a rir. Sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, tens uma boa moeda hoje.

Há uma boa moeda. Uma boa moeda porquê? Porque se trata de um problema que existia e que foi corrigido pela autoridade tributária e, portanto, é uma boa moeda. Se não fosse, era uma péssima moeda.

Pois, se não tivesse sido corrigido.

Claro. Tem a ver com a simulação de cálculo do IRS que está no portal das finanças. No fundo, é aquele simulador, quando nós apresentamos a declaração.

Quando dá um saldo positivo, é tão bom, quando há um resultado positivo.

Só que aquilo não tem o efeito legal, isto é, muitas vezes não bate certo ao cêntimo com o apuramento de contas que chega para casa e aquilo que se recebe ou que tem que se pagar. Porque é um simulador para efeitos meramente indicativos, mesmo estando no portal das finanças. E esse simulador não prevê todos os regimes de tributação das rendas, no caso das rendas, de quem tem casas arrendadas, das rendas que são recebidas e que entram naquela classe dos rendimentos prediais, que quem recebe essas rendas tem que declarar. O regime geral era de uma taxa liberatória de 28%, portanto, à cabeça, quem queria descontava logo os 28%, entregava ao Fisco, mas foram, entretanto, criadas nos últimos tempos taxas de imposto e de retenção mais baixas para incentivar arrendamentos de prazos mais longos. Se o arrendamento for entre dois e cinco anos, já não são 28%, já são 26%, depois de cinco a 10 anos, 26%, depois 14%, 10% para contratos de arrendamento acima de 20 anos. No fundo, para incentivar os senhorios, proprietários a arrendar por longos prazos.

A fazerem contratos maiores.

E o sistema só previa os 28% iniciais, não tinha estas taxas mais baixas previstas neste simulador.

Mas dizias tu, então, que o problema foi corrigido.

Foi corrigido. A CNN Portugal perguntou ao Ministério das Finanças que agora já vamos com 19 dias de entrega de declarações, isto começou no dia 1 de abril, respondeu finalmente, disse que o cálculo final, obviamente, será feito com a taxa adequada, será bem feito, como é evidente, ainda que isso possa não estar refletido ali naquele mapazinho que nos aparece naquela simulação e que obviamente não tem força legal. E os proprietários e inquilinos podem estar descansados que independentemente daquilo que aconteça, vai ser aplicada a taxa mais favorável ou a taxa legal, neste caso, das rendas. Não se esqueçam, já agora, para quem tem rendimentos prediais, têm que ser declarados no anexo F, naquelas papeladas todas que agora são informáticas, mas que estão lá na mesma. E há ali um quadro, o quadro 4.2, onde deve ser preenchida a informação relativa aos contratos de arrendamento de longa duração. De qualquer forma, muita atenção a todos quanto o papelinho com as contas finais a chegar lá a casa a dizer que vai ter que receber X ou pagar Y.

Olhar bem para a taxa.

Olhar bem para a taxa que lhe foi aplicada e se corresponde, de facto, à duração do contrato de arrendamento.

Paulo Ferreira, e tu és dos que despacha o IRS logo nos primeiros dias?

Não, sou dos últimos.

Eu junto-me a ti.

Ainda não comecei a pensar no assunto.

Nem eu. E há uma má moeda.

Já agora, é tudo muito mais fácil agora, como é evidente.

Sim, é verdade.

Em termos de papeladas.

Aquele autopreenchimento ajuda muito.

O autopreenchimento é muito mais fácil.

E há uma má moeda.

Há uma má moeda, que são os números do crédito ao consumo de fevereiro. Os bancos portugueses concederam 624 milhões de euros de crédito ao consumo só no mês de fevereiro. Foram cerca de 128 mil novos contratos. No fundo, estamos a falar de quê? Da soma dos contratos de empréstimos para crédito pessoal, crédito automóvel e os cartões de crédito também estão a descoberto no fim do mês, também contam como crédito e é crédito, e ainda por cima é do crédito que paga taxas de juro mais elevadas, como nós sabemos. Isto são dados oficiais do Banco de Portugal. Ora bem, este montante representa uma subida de 16% face a janeiro, portanto, o salto que deu de um mês para o outro, e se olharmos para o ano anterior, em 12 meses, o crescimento foi de 63%, de fevereiro a fevereiro, em termos homólogos. Temos aqui que compreender, também estamos a comparar com o mês de fevereiro de 2020, onde estávamos em pandemia e confinamento muito forte, aquele do início de 2021.

Depois daquele grande pico de janeiro.

Exatamente. E aqui caíram, naturalmente, os pedidos de crédito, porque as pessoas não foram ao banco, não estavam preocupadas com essas coisas. Mas de qualquer maneira, os números estão cá.

Estão cá e mostram que estamos cada vez mais endividados.

Exato, e é preciso ter muito cuidado com isto. O crédito, tal como a inflação, é como sal na comida, nem demasiado.

Olha que eu gosto de muito sal.

Mas também é preciso crédito, porque é o crédito, no fundo, que faz andar o investimento. O crédito, no fundo, faz o quê? As pessoas que poupam estão a emprestar dinheiro de uma forma indireta através da banca, às pessoas que precisam dele, porque têm projetos, têm consumo para fazer ou têm investimentos para fazer. E ele é necessário para as economias. Agora, também não pode ser demasiado, sobretudo nesta conjuntura em que estamos com perda de poder de compra.

Também faz muito mal à saúde.

Exatamente, em excesso, depois, problemas cardíacos. Perda de poder de compra, se os juros estão a começar a subir destes contratos e, portanto, antes de pedir crédito nesta altura, muitas contas, atenção às taxas de esforço e atenção às simulações prevendo que as taxas de juro vão subir.

Simulações no pior cenário, não é?

No pior cenário, para saber se daqui a dois ou três anos conseguimos pagar taxas de juro que sejam dois, três, quatro, cinco pontos acima daquelas que estão agora.

Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira nas manhãs 360 e a qualquer hora em podcast.