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Este som não engana. Está no ar o Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, boas notícias ou não? As rendas de casa estão em forte travagem.

Ótimas notícias para quem ou é arrendatário ou quer arrendar casa. Para os proprietários, menos boas. A economia tem muito desta coisa. Consegues sempre olhar para o mesmo facto.

Nunca é bom para todos, ao mesmo tempo.

Tal como as taxas de juro. Nós passamos a vida a dizer que as taxas de juro elevadas são más e são para muita gente que tem empréstimo ou contraiu empréstimo para comprar casa. Mas para quem tem poupanças, a subida das taxas de juro é uma coisa boa. Rendem mais. Aqui no mercado de arrendamento é, de facto, uma notícia, porque muitos esperavam há muito tempo. Há sinais de forte travagem nos preços em Lisboa e Porto, no último ano e meio. Aliás, no Porto já há mesmo uma queda registada. Quando falamos de travagem, significa que, neste caso, as rendas de casa continuam a aumentar, mas aumentam cada vez menos. Em vez de aumentarem às taxas de 20% que aumentavam há uns anos, aumentam 10, 15, cinco, por aí fora. Quando falamos de queda, é mesmo uma queda, isto é, rendas hoje mais baratas do que estavam há uns meses. Isto são dados da base de dados da Confidencial Imobiliário, que é uma publicação e uma plataforma dedicada precisamente ao setor. No Porto, entre o final de 2024 e o primeiro trimestre deste ano, há uma queda acumulada já das rendas de 3,6%, segundo estes indicadores da Confidencial Imobiliário. Se nós estreitarmos o período de observação apenas os primeiros três meses de 2026, verificamos que as rendas tiveram também uma queda homóloga, mais ligeira, mas de 1,3%. É a maior queda em cinco anos. Isto é uma inversão rápida do que aconteceu, por exemplo, em 2022 e 2023, em que as rendas dos novos contratos no Porto subiam a uma média superior a 20% por trimestre, em termos homólogos. No Porto, verifica-se mesmo uma queda das rendas. Em Lisboa, não há uma queda, mas há ciclo de estabilização, isto é, as taxas de crescimento são cada vez menores e estão agora muito próximas do zero. No primeiro trimestre de 2026, há aqui uma variação trimestral de 0,2%. Se olharmos também para os últimos anos, em Lisboa também havia taxas de crescimento das rendas na casa dos 20 e tal por cento. No Porto, queda, em Lisboa, uma travagem que coloca a evolução das rendas já próximas do zero de variação. Vamos ver agora se é uma tendência que vem para ficar, ou que se vai acentuar até, maiores quedas, ou se há aqui um fenómeno no mercado que pode ter a ver com as mudanças fiscais que o Governo fez, que reduziu, por exemplo, bastante o IRS pago pelos inquilinos, isto é, criou um incentivo maior para que as pessoas ponham casas no mercado e há mesmo um aumento de oferta privada e pública nos últimos tempos, se são efeitos disso, ou se há aqui algum fenómeno no mercado que vai, de alguma forma, abrandar.

Precisamos de mais tempo para ver.

Mais tempo para confirmar ou não. Claro.

Quanto à taxa mista, é largamente a preferida, Paulo.

É, na contratação de novos créditos à habitação e desde a subida da taxa de juro de há três anos, na sequência da Guerra da Ucrânia, do salto inflacionista, depois taxas de juro, houve muita gente e aqui mudou-se um hábito, claramente. A taxa variável era claramente dominante até essa altura, quando se contratava um crédito à habitação, mas claramente dominante na casa dos 70, 80%. E agora é a taxa mista que apresenta valores desses. Isto é, em todos os novos contratos, 75% dos celebrados no ano passado foram feitos com taxa mista. A taxa mista, já agora, é um contrato de crédito em que os primeiros três a cinco anos têm uma taxa fixa e depois, a partir daí, entra-se num regime da taxa variável. Ou seja, pelo menos aqui, os clientes bancários já optam, pelo menos durante um período de tempo, três a cinco anos, de dormir um pouquinho mais descansados e não ficar sujeitos às oscilações de mercado de taxa de juro, que como sabemos, nos últimos tempos têm sido bastantes. Depois desta dominância da taxa mista, aparece a taxa variável com quase 20% dos empréstimos, o que significa que a taxa fixa durante todo o período do empréstimo, ainda assim, é minoritária, são só 6% dos créditos.

Fechamos assim esta edição de terça-feira do Boa Moeda, Má Moeda com o Paulo Ferreira.