O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, considerou esta quinta-feira que o Presidente russo, Vladimir Putin, está “prestes a entrar em pânico” e “não está feliz”, lembrando os “impactos na economia” causados pelo “erro” de “invadir a Ucrânia”. “As coisas não estão a correr bem para ele.” O líder da Aliança Atlântica também indicou que é “muito improvável” uma invasão russa contra qualquer páis pertencente à organização militar, mas alertou para a necessidade de evitar ingenuidades perante o reforço militar da Rússia.

“Penso que os russos estimaram que a NATO é forte e não pode ser derrotada”, afirmou Mark Rutte. “Mais lhes vale [aos russos] não o fazerem, porque sabem que estamos preparados e que não sairiam vitoriosos”, advertiu, ao comentar as conclusões de um relatório do serviço de informações militares (FE) da Dinamarca sobre a ameaça russa. As secretas dinamarquesas avaliaram como improvável que Moscovo veja vantagem em invadir um país vizinho membro da NATO, sem contudo afastar essa hipótese.

O secretário-geral alertou também para um risco crescente, embora ainda reduzido, de ações militares limitadas da Rússia contra aliados e para a intensificação de ataques híbridos nos próximos meses, motivada pelo apoio ocidental à Ucrânia. “Acho que os serviços de informações dinamarqueses têm razão. É muito improvável [uma invasão]”, declarou Rutte durante um debate no Memorial e Museu do 11 de Setembro, em Nova Iorque.

Ainda assim, o chefe da Aliança afirmou que a Rússia “está a aumentar enormemente a produção [militar] e as forças armadas”, notando que a base industrial geral russa está atualmente mobilizada para o esforço de guerra. “Isto é algo que ainda temos de desenvolver mais na Europa e nos Estados Unidos”, defendeu.

Perante as advertências dos serviços secretos europeus, o antigo primeiro-ministro dos Países Baixos pediu calma aos aliados, alegando que o Presidente russo, Vladimir Putin, está em má situação. “Não está a ganhar a guerra na Ucrânia (…). Acho que está prestes a entrar em pânico“, afirmou, citando estimativas que apontam para até 43.000 baixas russas — entre mortos e feridos graves — por mês no campo de batalha.

Mark Rutte considerou que Putin “não pode estar contente” mais de quatro anos e meio depois da invasão da Ucrânia, face às baixas e ao impacto económico do que descreveu como “um erro estratégico”. Garantiu também que a NATO vai continuar a reforçar a capacidade defensiva e o apoio a Kiev, e assegurou que a organização dispõe de “todas as opções de resposta” perante ameaças híbridas.

O líder da NATO alertou ainda para a cooperação reforçada da Rússia com a Coreia do Norte, Irão, China e Bielorrússia, sublinhando a interligação entre a segurança europeia e o Indo-Pacífico. “Se alguma vez ocorresse um incidente no Pacífico, não se limitaria apenas ao Pacífico. Significará que, ao mesmo tempo, Vladimir Putin atuará de alguma forma para tentar avançar contra o território da NATO na Europa”, afirmou.

Acrescentou ser essa a razão de a NATO manter uma relação próxima com a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia, com uma troca de informação que disse ser constante.