Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, mais uma semana, mais um "Brainstorming". Vamos a isto. Começa agora o espaço onde as ideias circulam livremente, mesmo quando o mundo parece cada vez mais fechado em blocos. Desta vez, olhamos para aquela que parece ser uma sequela imprevisível da famosa operação militar especial russa na Ucrânia. Damos agora lugar à apropriação estratégica americana da Gronelândia. Um tema que parece ficção geopolítica, mas que levanta questões muito reais sobre alianças internacionais, segurança, rotas comerciais, recursos naturais e sobre a forma como organizamos a vida em sociedade num planeta cada vez mais disputado e onde os limites da moralidade dos líderes definem os destinos do planeta. Porque quando as grandes potências mexem peças no tabuleiro, os efeitos fazem mesmo sentir-se para lá do Ártico. Neste contexto, convidamos para conversar conosco João Santos Duarte, editor dos Podcast Plus do Observador. É alguém que vive entre narrativas globais, contextos complexos, histórias que explicam o mundo sem o simplificar sem demasia. João Santos Duarte, falamos com ele hoje. Antes da conversa, as notícias que nos ajudam a perceber como num mundo instável, a confiança, o segredo e a estratégia se tornam palavras-chave.
Preciso só aqui de uma assinatura, por favor. Só aqui, certo?
E começamos com a Goldenergy, que entra no novo ano com uma campanha multimeios assinada pela Bonzi, sob o mote "Onde cada cliente é especial". A campanha aposta no humor e na cumplicidade com o espectador para comunicar uma mensagem muito clara: num mundo cada vez mais impessoal, a proximidade continua a ser um ativo estratégico. O filme passa-se numa loja Goldenergy, onde tudo parece tranquilo, mas em segundo plano desenrola-se uma verdadeira operação de celebração pronta a explodir assim que o contrato for assinado.
Outra assim.
A marca coloca o espectador numa posição privilegiada. É ele que percebe tudo, que antecipa o desfecho, que ao fim ao cabo cria a ligação emocional.
Até o ambiente está de longe.
E aqui a ponte com o tema da semana é evidente. Num contexto global de instabilidade, disputas territoriais e tensões geopolíticas, a energia não é só um serviço, é segurança, confiança e previsibilidade. E quem consegue comunicar isso com empatia, parte sempre em vantagem. Boa. Bom trabalho, Goldenergy. Goldenergy, onde cada cliente é especial. Agora, para combater o excesso de turismo e proteger os seus locais menos conhecidos, a Áustria lançou uma campanha brilhante chamada Nondisclosure Austria. A lógica é simples e igualmente genial. Para receber recomendações exclusivas de destinos secretos, os turistas têm de assinar um acordo de confidencialidade, obviamente simbólico, humorístico e não vinculativo. Os vídeos promocionais mostram paisagens censuradas, pixelizadas, quase proibidas, criando desejo através da escassez e também da exclusividade. Mais do que travar turistas, a campanha convida à reflexão sobre o impacto das redes sociais, sobre a exposição excessiva e também sobre a responsabilidade individual na preservação dos lugares. E já que esta semana falamos da Gronelândia, de rotas estratégicas e de interesses globais, esta notícia lembra-nos algo essencial: nem tudo o que pode ser explorado deve ser imediatamente exposto ou sequer explorado de todo. Às vezes, proteger é esconder e esconder é proteger. Mais uma edição do "Brainstorming" e nesta temos o prazer de conversar com alguém que faz parte da casa do Observador, João Santos Duarte, editor dos Podcast Plus do Observador. Sê muito bem-vindo aqui a este nosso espaço.
Obrigado. Sê muito bem-vindo à tua casa.
Exatamente. É sempre bom quando somos bem-vindos à casa. Nem quero pensar noutra realidade. Bem, vamos então falar desses Podcast Plus. Eu costumo dizer que os Podcast Plus é um género de Netflix, mas em áudio. Isto para pessoas que nunca tenham ouvido um Podcast Plus. Mas para além disto, o que é que são estes Podcast Plus? Explica-nos lá o contexto em que surge este projeto dos Podcast Plus, o que é que quem nunca ouviu pode esperar, e já vamos falar também mais do que pode vir aí no futuro, mas para já o contexto inicial. Vamos lá.
Está muito correta essa analogia e também, curiosamente, é a imagem que eu uso muitas vezes quando começo a falar do tema. O que é que são? Imaginem séries do streaming de uma plataforma da Netflix ou outra, não tem que ser necessariamente, mas em áudio. É um bocadinho por aí. Ou seja, o que é que são os Podcast Plus? São o que chamamos de podcast narrativo, que é algo que há muitos anos já se faz lá fora e apostava lá fora, mas aqui praticamente não se fazia.
Mas quando falamos em podcast narrativo, não é pura e simplesmente uma pessoa a contar uma história?
Não é só isso, exatamente.
Existe toda uma envolvência de sonoplastia, de efeitos especiais e um cuidado muito particular na dinâmica narrativa da história.
Exatamente. Ou seja, é isso. É uma história que é contada ao longo de vários episódios, mas é muito mais do que isso, como tu disseste. Ou seja, há um cuidado na forma como a história é contada, desde logo, em todos os aspetos, como a história é escrita. Portanto, o que nós pretendemos sempre é que os ouvintes estejam sempre envolvidos e agarrados, como numa série. Tu chegas ao final e queres ver o próximo episódio. Aqui o objetivo, obviamente, é que chegues ao fim e queiras ouvir o próximo episódio. E depois, como referiste, está todo esse cuidado por trás, na produção, na experiência imersiva da sonoplastia. Já podemos também falar um bocadinho sobre isso.
Portanto, não tem nada a ver com Ouvir um audiobook.
Não tem nada a ver.
A experiência do ouvinte é amplificada.
Sim, precisamente. Aquilo que nós procuramos sempre é transportar as pessoas para dentro da história. Não só através do próprio narrador e da forma como ele nos está a contar aquela história, mas também toda essa experiência que é criada. E nós nisso somos às vezes até muito obsessivos, e eu costumo contar muito estas histórias. Por exemplo, logo no primeiro podcast que tivemos, o "Sargento Ancela 7", que era a história do português que mais tempo esteve preso durante a guerra em África, que envolvia usarmos aviões, porque ele despenhou-se e depois foi capturado, nós procuramos exatamente o som que fazia o avião, o tipo de avião.
Ou seja, não é qualquer avião, tem que ser aquele avião específico.
Podíamos não fazer isso. Mas nós pensamos: "Bem, se calhar há uma pessoa que vai ouvir isto e dizer: 'Isto não é o motor deste avião'". Portanto, há todo um trabalho muito grande de pesquisa intensiva para de facto criar um ambiente que seja não só imersivo, mas também o máximo real possível. Há aqui uma coisa muito interessante nestas histórias que é importante explicar. Nós não estamos a falar de ficção, no que diz respeito aos Podcast Plus, são histórias reais investigadas pelos nossos jornalistas, mas que têm depois esta componente. E eu acho que é a grande novidade que traz os Podcast Plus, que é o fato de serem narradas por um ator e de terem também uma música original, uma banda sonora original. E é isso que cria aqui uma espécie de produto meio híbrido.
Ok, mas a realidade não é elástica dentro dos Podcast Plus. É tudo muito factual.
Precisamente, é tudo muito factual. Os guiões são muito revistos, nós fazemos muito fact-checking, portanto, é jornalismo. Mas é uma forma diferente de apresentar as histórias.
É quase uma grande reportagem, mas com uma envolvência diferente. Não se pode dizer que seja ficcionado, mas a narrativa é cuidada de uma outra forma.
Exato, e é procurar também formas diferentes e inovadoras de chegar até às pessoas e de contar histórias às pessoas.
E como é que surgiu esta ideia de implementar este tipo de dinâmica, esta forma nova de contar histórias dentro do Observador?
O Observador queria apostar nesta área, no podcast narrativo. Como te disse, é algo que lá fora já há muitos anos é uma aposta, aqui não, por motivos muito concretos e que as pessoas podem perceber, porque são projetos que representam um investimento grande. Demoram um tempo, tu tens que empregar muitos recursos e, portanto, é uma aposta que poderia na altura parecer uma aposta de risco, mas fazia todo o sentido, porque não havia nada que há parecido e nós tínhamos a certeza que seria algo que as pessoas iriam aderir e iriam gostar.
Sim, não tem resultados imediatos. Tens jornalistas que não estão a produzir notícias daquele dia.
Exatamente. Não é aquela reportagem que vai ser publicada amanhã ou na próxima semana. Os jornalistas, para terem uma ideia, são projetos que demoram meses. Ou seja, desde o momento inicial da pesquisa, depois as entrevistas, a escrita dos guiões, a sonoplastia, podem ser sete, oito, nove meses.
Sim, é muito tempo e muitos recursos que são investidos e que não estão parados.
Claro, é um investimento.
Exatamente. Estes Podcast Plus até agora têm tido sempre temas diferentes, as bandas sonoras são diferentes, os narradores também são diferentes. Quais é que são os critérios que utilizam na seleção da banda sonora para cada tema? O narrador também tem que ter alguma coisa a ver com o tema? Explica-nos lá como é que funciona este processo.
Eu acho que mais do que falar em abstrato, é interessante falar em casos concretos. Obviamente que nós quando partimos para um tema, nós tentamos sempre fazer um brainstorming, e pensar um bocadinho o perfil de narrador ou o perfil de músico que seria mais adequado a este tema.
Então o "Piratinha do Ar", por exemplo.
O "Piratinha do Ar" é um caso interessante. Por exemplo, música. Nós queríamos alguém que nos pudesse transportar para aquela sonoridade dos anos 80. E o David Fonseca foi logo um nome muito imediato que surgiu. Alguém também que percebesse a história, porque é uma história muito curiosa e muito fora, de um miúdo que sequestra um avião durante uma noite. E foi muito interessante porque o David trouxe-nos isto. Ele está muito ligado a esse imaginário dos anos 80, gosta muito dos anos 80.
Se nós continuarmos aqui deixar uma nota que todas as bandas sonoras têm sido feitas por artistas portugueses e cada Podcast Plus tem tido um artista diferente que arranje essa banda sonora.
Exatamente. Já tivemos artistas com muitos estilos musicais diferentes. E depois a Margarida Vila Nova também queríamos alguém que, apesar de ter alguma experiência, tivesse também essa abordagem um pouco mais jovial, por um lado, e por outro lado, ela acaba por ser ali como uma espécie de, não diria mãe, mas uma figura protetora do Piratinha.
Sim, uma voz amiga.
Exatamente. Esse é um caso. Um caso interessante que eu gostava de te dar, que é a "Caça ao Estripador de Lisboa". Inês Castelo Branco. Aí era uma escolha muito óbvia, porque sabemos que a Inês, primeiro, gosta muito de podcast, e sabíamos que ela gosta mesmo muito do true crime, do estilo do true crime. Portanto, também era uma escolha muito direta.
Foi um match perfeito.
Exatamente, ou seja, é alguém que ouve muito podcast de crime, percebe aquele ambiente, aquela envolvência e de facto foi uma aposta muito certa, achamos.
Quero também falar contigo acerca dos ouvintes que aderem a este tipo de forma de contar histórias. Existe um perfil específico ou é muito geral, muito disperso o auditório destes "Podcast Plus"?
Eu não sei se há um perfil muito específico. A faixa etária é um pouco transversal, mas talvez rondasse mais o início dos 30, final dos 20, depois até aos 50, 50 e muitos.
E conseguem perceber alguma flutuação entre os diferentes podcasts que vamos lançando?
Eu acho que a flutuação não é tanto na faixa etária, mas até mais no gênero, que é uma coisa curiosa. O podcast, e não falando só nos "Plus", mas em geral, é interessante porque ainda é algo um pouquinho mais masculino, ainda há mais homens do que mulheres a ouvir, mas há certos temas em que temos muito mais homens e certos temas em que esse imbalance é menor. Sim, consigo dar exemplos concretos. Um dos últimos que tivemos, o "1983: Portugal Queima a Roupa", é um podcast de ação, no sentido de ser um podcast sobre dois atentados terroristas internacionais em Portugal.
Esta é também uma característica dos "Podcast Plus", que é: são histórias que não são tão distantes, mas que ao fim ao cabo parece que não fazem tanto parte da memória coletiva.
Isso é um dos objetivos. Ou seja, algumas histórias que as pessoas até podem ter algumas luzes ou algumas referências, esta até acho que não, é das histórias talvez um pouquinho mais fora, mas que não conheçam de fato a história. E um dos objetivos é esse. Esse podcast, por exemplo, tivemos mais homens a ouvir, é um podcast mais de ação. Mas, por exemplo, "A Grande Provocadora", sobre a história da Vera Lagoa. Uma mulher que tem uma história de vida incrível, uma mulher forte. Aí já notámos que já houve muito mais mulheres também a ouvir. Portanto, o próprio tema, obviamente, determina muito o público.
Estavas a falar há instantes acerca da alocação de recursos.
Sim.
Como é que se consegue gerir isto com uma redação que, para além deste trabalho, também tem que ir alimentando um site, uma rádio, fazendo reportagens, algumas delas que não são para o dia. É difícil encontrar pontos de encontro com outros jornalistas que também vão colaborando com os "Podcast Plus"?
Não é fácil, obviamente, porque como em tudo, nas empresas também os recursos não são ilimitados, nem os recursos materiais ou os recursos humanos. Mas temos conseguido gerir. Para além de mim, que estou a coordenar esta área, temos também a Tânia Pereirinha, que é editora adjunta dos podcasts "Plus" e que para além de coordenação também escreve guiões de alguns dos podcasts. "O Estripador", por exemplo, que falámos agora, foi um desses. Depois o que nós fazemos é que, dependendo dos temas, selecionamos jornalistas de diferentes áreas para também virem e terem também esta experiência.
E como é que funciona o processo de escrita? É escrito a oito mãos? Vão dividindo, seccionando trabalho e depois há uma revisão de todos? Tenho muita curiosidade nesta.
Exato. Normalmente é uma pessoa que escreve, embora há casos em que já aconteceu serem duas, ser uma colaboração. Por exemplo, o que eu fiz com a Tânia Pereirinha, o primeiro, foi a duas mãos, mas o que nós procuramos é sempre balizar muito as coisas. Ou seja, quando partimos para a escrita, imagina, já temos um esqueleto da história. Ou seja, não é aquela coisa do escritor que parte para a página em branco, que está para que a musa venha e que inspire. Não, nós já sabemos o caminho, pelo menos o caminho que queremos seguir. E isso torna tudo muito mais fácil. Depois a revisão é que é a várias mãos. Eu acho que as pessoas têm uma noção das séries, quando há aquela leitura dos guiões antes de gravar os episódios do podcast. Fazemos isso, lemos em voz alta e vamos identificando sítios onde um guião possa estar a funcionar melhor, outros pior, e vamos fazendo uma revisão.
Os "Podcast Plus" foram, de alguma forma, um trampolim para esta área narrativa dentro do mundo dos podcasts, dentro do "Observador", mas segundo sei, há mais projetos na área da ficção. Já levámos um a cabo aqui numa parceria com uma agência, a Coyote Vadio. Fala-nos um bocadinho acerca desse projeto.
É muito interessante porque esse projeto, na verdade, de certa forma, nasceu até por causa dos "Plus". Porque há um dia em que o Manuel Pureza, da Coyote Vadio, me liga e diz: "Sou superfã dos podcast 'Plus'". Ele é amigo do José Mata, que na altura o autor que estava a narrar "A Grande Provocadora". O Mata deu-me o teu contacto e eu quero fazer coisas com vocês. E tenho aqui um projeto que acho que era incrível nós podermos desenvolver. E esse projeto, de fato, foi para frente, que é o "Zé faz 25".
Ok.
Foi um podcast de ficção que nós lançámos, que é a história de um jovem, faz 25, que desaparece na própria noite do seu aniversário.
Mas aí a história é totalmente ficcionada.
Aí é ficção, portanto já é algo diferente.
Não tem tesão nenhuma à realidade.
Exatamente.
Totalmente ficção.
Aí é totalmente ficção. Aí é mesmo uma série, como se fosse uma série do streaming, mas em áudio. E foi um desafio muito interessante, mas que nos permitiu também ir por outras vias e inovar, no fundo.
E aí a parte da produção foi também toda feita dentro da redação do Observador ou mais colaboração?
Exato, ou seja, aí foi uma coprodução do Observador com a Coyote Vadio. E a Coyote, obviamente, tratou da parte dos guiões, do casting, depois da realização, através do Manuel Pureza. A nossa parte aqui foi aproveitar o know-how que nós temos do "Plus". Embora tenhamos entrado nas outras fases também, mas mais para a parte, de fato, da sonoplastia.
Portanto, foi sobretudo uma curadoria e também uma Rentabilização de processos que já existiam.
Sim, de certa forma sim, mas eu acho que foi uma colaboração e uma coprodução perfeita, porque de facto as peças encaixaram muito bem. E depois tínhamos um casting que eu acho que também foi muito bom. Nós tínhamos nomes: o Tiago de António Pereira, a Sara Matos, a Madalena Almeida, a Helena Caldeira, o José Raposo.
Nomes bem conhecidos e que também dão aqui um selo de qualidade a este tipo de produção.
É interessante ver também o interesse deles e a forma como eles aderiram ao projeto, porque para eles também foi uma novidade. Eles estão muito habituados à câmera, à imagem, e de repente ter de representar só com voz.
Pôr tudo na voz.
Sim, foi muito interessante ver esse processo e o entusiasmo também do lado deles.
João Santos Duarte, já falámos aqui muito acerca dos podcast Plus, também destes podcasts de ficção. Quantos podcast Plus é que já temos?
Olha, os Plus já vamos em 12.
Bem. Caramba.
Nós dividimos mais ou menos por temporada, lá está, como as séries. Portanto, nós nesta temporada já lançámos dois. Um deles, o mais recente, aliás, é um podcast muito interessante de se ouvir por estes dias, porque é sobre as eleições de 1986, e temos nos próximos meses mais três Plus previstos.
E para além disso, no que diz respeito à ficção, também já há ideias para serem postas em prática?
Sim, nós temos muitos projetos pensados e gostaríamos de fazer com a Crato&Vado, gostaríamos de continuar com essa parceria e gostaríamos também, no fundo, de fazer histórias muito diferentes, porque é muito interessante o Nau Presa, e eles são responsáveis por sucessos como o "Pôr do Sol", o "Felpe", mais recente, que esteve na RTP. Por exemplo, ele em relação ao "Felpe" diz que é uma espécie de Rua Sesama em esteroides, aqueles dos fantoches.
Dão-vos mais liberdade também os podcasts ficção, não é?
Exatamente. Ou seja, eu não querendo comparar, porque são coisas diferentes, os Plus e o ficção, mas os de ficção são quase como os Plus em esteroides, no sentido em que tu não tens um ator a narrar, tens muitos atores. Portanto, até a nível de divulgação, o que isso nos permite é algo muito diferente.
Mas não é um modelo que está fechado, por assim dizer. Ou seja, se houver empresas, pessoas, entidades que tenham ideias para aplicar neste contexto e contar histórias de uma forma diferente, dentro do Observador estamos preparados e estamos também com vontade de receber essas ideias e esses projetos.
Claro que sim. Acho também, por exemplo, para as próprias marcas pode ser uma boa oportunidade.
Ok. Ter histórias contadas de uma forma com maior engajamento.
É o engagement. No fundo, de uma forma que permita um envolvimento diferente com as pessoas. E essa ligação, até muitas vezes essa ligação emocional com as pessoas.
João, no final do "Brainstorming", das conversas que temos por aqui, convido sempre os nossos convidados a escolherem uma música que associariam aos seus projetos, às suas empresas. Já te vou fazer esse desafio. Antes disso, vou te fazer um desafio que se calhar ainda é mais difícil.
Ok.
Se tivesses que sugerir um podcast Plus para as pessoas que nunca ouviram começarem a ouvir, eu sei que isto é como-
Como é que tu escolhes entre um dos teus 12 filhos?
Exatamente.
É muito difícil.
Nunca ouvi nenhum, por qual eu começo? Pelo primeiro?
Eu tenho uma relação muito especial com o primeiro.
Ok. Sargento Anselmo Sete.
Vou para o primeiro, até por ser o primeiro. Não quer dizer que depois fiquem por aí, depois continuem aos outros.
É só para abrir o apetite.
Mas sim. E aliás, e ainda bem que fizeste essa pergunta, porque agora a minha escolha musical vai estar relacionada com-
A sério?
...com o Sargento Anselmo Sete. Sim. Porque eu pensei um bocadinho: "O que eu vou escolher? É difícil". E depois pensei: "Olha, para já vou viajar muito no tempo, vou regressar aos anos 50". Não sei se já tiveste uma escolha assim, que regressasse tanto.
Acho que não.
Anos 50. E é uma das primeiras músicas. Nós também fazemos muita utilização da música, também como referência da época, histórica, contextual. E não sei se não é a primeira, mas é uma das primeiras músicas que surge no primeiro episódio do Sargento, que é de um artista chamado Big Joe Turner, que era um tipo dos blues ou do R&B, mas também um pouquinho um precursor já do rock and roll. E a música chama-se "Flip, Flop and Fly", que é uma música muito bem-disposta. E na altura nós usámos por quê? A história era: o sargento é também uma história de amor e ele quando andava na Academia da Força Aérea, ele estava apaixonado por uma rapariga que todos os dias fazia uma viagem de comboio e ele andava a aprender no avião e o que ele fazia era: ele desviava-se da rota, descia e voava junto ao comboio.
Ok, na zona do Oeiras, não é?
Não era Oeiras. Agora não me recordo do sítio, mas acho que não era.
Ok.
E voava junto ao comboio.
Ah, não, do Oeiras se calhar é ele que conta outra história de um rapaz que teve um acidente. Já estou aqui a revelar. Já estou aqui a revelar coisas, a servir de spoiler.
E nós usámos na altura essa música para ilustrar essa loucura dele, porque a música é assim: "Flip, flop and fly, I don't care if I die." E é uma música que não sei porquê às vezes vem-me à cabeça. Quando estás durante o dia, vem-te coisas à cabeça. "Flip, flop and fly", que é uma coisa divertida, bem-disposta, mas também vai muito para aquela dimensão do arriscar, não ter medo, de voarmos.
E fica também essa pele, não é?
Sim, exatamente. E é um pouquinho o espírito dos Plus. Arriscar, pensar em novas coisas, novas ideias. E então olha, decidi escolher esta.
Boa. João Santos Duarte, editor dos Podcast Plus do Observador. Vamos ficar à espera das novidades que aí vêm em 2026 e ainda mais para o futuro. Obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Até à próxima.
Obrigado, até à próxima.
Quase a terminar este "Brainstorming", olhamos para a Nike, que tomou uma decisão inesperada: não emitir nenhum anúncio no Super Bowl 60. Num dos maiores palcos publicitários do mundo, com mais de 120 milhões de espetadores, a marca optou por não investir no clássico pico de exposição. Em vez disso, mantém a presença em campo como fornecedora oficial da NFL, reforçando uma estratégia focada no produto, no desempenho desportivo e na relação direta com o atleta. Os números parecem validar a escolha, com crescimento anual de 1% e vendas de 12,4 mil milhões de dólares, além de uma clara aposta no futebol com os olhos postos no Mundial de 2026. Esta decisão também diz muito sobre o momento atual. Num mundo instável, ruidoso e imprevisível, nem sempre estar em todo o lado ao mesmo tempo é a melhor estratégia. Às vezes, a verdadeira força está em escolher bem os territórios em que se quer jogar. E assim terminamos entre energia, turismo e marcas globais. Há uma coisa que fica clara: vivemos num tempo em que a estratégia é sobrevivência, seja quando falamos de países, empresas ou pessoas. Quanto ao seu "Brainstorming", vai para o ar pessoalmente ou remotamente às segundas-feiras depois das 21h30 e está permanentemente disponível em podcast no site do Observador, também na nossa aplicação para dispositivos móveis e, claro, nas principais plataformas. Com ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia do João Tição, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: num mundo em intenção permanente, pensar antes de reagir continua a ser o verdadeiro ato estratégico. Até para a semana.