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Bem-vindos ao "Caça ao Voto". Está prevista alguma chuva para domingo. Chuva, esse elemento fundamental para a análise política em Portugal. Mas começamos já hoje a ver quem anda a ganhar e perder votos na campanha, com o Miguel Pinheiro e o Rui Pedro Antunes. É já daqui a instantes. Vamos também pra estrada tomar o pulso às campanhas eleitorais junto dos jornalistas do Observador, que andam por todo o país. Hoje vamos estar com o Gonçalo Correia em Oeiras e com o João Francisco Gomes, que está em Ponte de Lima. Temos ainda fact-check, uma frase de André Ventura, que lançou uma acusação a António Guterres. E no baú das autárquicas, António Costa, que venceu por três vezes a Câmara de Lisboa. A fechar, um hino que é uma espécie de hino-mistério, porque nunca se diz nem o nome da vila, nem o nome da força partidária a que este hino pertence. O "Caça ao Voto" começa agora. E quando já estamos em contagem decrescente para a votação de domingo, fica uma informação interessante: mais de metade dos conselhos de Portugal têm mulheres como cabeças de lista de candidatura. 194 conselhos têm candidatas à presidência da Câmara, o que representa 62,9% dos municípios, quase 63% dos municípios. E para domingo, o IPMA prevê períodos de chuva no Norte e no Centro, no dia das eleições, enquanto no Sul o céu deverá estar pouco nublado, temperaturas vão continuar amenas e o vento será fraco. A meteorologia é sempre um fator muito importante para a análise dos resultados das eleições em Portugal. Vamos agora, antes de ir aos resultados, saber como anda a correr a campanha, com quem perdeu e ganhou votos nas últimas horas, com o Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e o Rui Pedro Antunes, editor de política. Miguel, começamos por ti e por quem ganhou votos. Não sei se estás preocupado com a meteorologia pra domingo, mas pelo menos já ficaste aqui com o boletim.

Não estava até te ouvir. Agora não só fiquei curioso, como informado, o que é o sinal de uma rádio de informação bem conseguido.

É pra isso que estamos.

Os meus parabéns. Isso, um grande bem haja. Perguntaste-me quem ganha ou quem perde.

Quem ganhou.

Desculpa, já não dá pra muitas coisas ao mesmo tempo. Quem ganhou votos, obviamente, foi todo o PS. O país inteiro está a falar do desconfinamento total que virá a seguir às eleições e por isso no domingo iremos todos muito mais bem-dispostos votar. E já se sabe, quem está bem-disposto tem tendência pra votar no PS. O primeiro-ministro não conseguiu dar explicações convincentes para a razão de escolher o dia de hoje para anunciar as medidas para o próximo um de outubro, mas acho que também não está muita gente preocupada com isso. E aqui no microcosmos de Lisboa, acho que o dia correu razoavelmente bem a Carlos Moedas. Teve o apoio de Assunção Cristas. Ficou assim pra última hora o apoio de Assunção Cristas, que teve um resultado histórico há quatro anos e que veio à campanha com um discurso muito alinhado com este discurso final de Carlos Moedas e que me parece bastante eficaz, que é: nas eleições locais, quem governa é quem fica em primeiro lugar, ao contrário do que acontece nas legislativas. Carlos Moedas ainda pode ganhar, portanto, o voto útil nestas eleições pra quem não gosta do Fernando Medina é em Carlos Moedas. Quem diria vermos uma ex-líder do CDS a apelar ao voto útil. As voltas que a vida dá.

Rui Pedro Antunes.

Pra mim, quem ganhou votos, sem querer repetir muito, partilho totalmente com o Miguel, já temos vindo até aqui-

Finalmente!

Finalmente, no último.

Devíamos ter aí uma musiquinha pra isto, Ricardo.

Sim, uma trompeta triunfal, não é? Não temos, mas acho que não temos agora aqui disponível.

Acho que estão a deitar os foguetes antes do tempo.

Alguém me traga a trompeta, por favor.

Eu estava a dizer que já temos falado muito disso aqui, e já vínhamos antecipando que António Costa ia fazer isto e fez mesmo. E, portanto, ainda havia a hipótese de fazer um Conselho de Ministros antes do dia um. Não era preciso ser antes das eleições e ele, de fato, não foi convincente, mas quem é que quer saber disso? O que as pessoas querem saber é que tipo de certificado, que QR code é que levam pra entrar nas discotecas. E, portanto, aí há esse ganho de votos. Não querendo insistir muito num ponto, eu referi isso no "Vencedor é de Manhã", mas acho que quem ganhou votos também, mais uma vez, e continua a ganhar, foi Paulo Rangel. Este é um dia em que Rui Rio tem estado até agora um pouco apagado, porque fez a viagem pros Açores e o que lhe retirou algum palco midiático natural, porque teve que fazer a viagem, só tem ao final da tarde algumas ações. E Paulo Rangel, nesse entretanto, foi dominando um bocadinho a parte do noticiário PSD. Rui Rio, que estávamos habituados a ter duas, três frases por dia dele, hoje ainda não marcou o dia. Vai dar uma entrevista à SIC daqui a pouco, em que poderá fazer a sua vingança e talvez falar um bocadinho deste aparato midiático em torno de Rangel e também de Miguel Pinto Luz. Mas pra dizer isto, que pelo menos entre o "Caça ao Voto" de ontem e o "Caça ao Voto" de hoje, Rui Rio não falou, como um challenger que quer o lugar dele falou e apareceu bastante, diria que quem ganhou votos, neste caso, foi também Paulo Rangel. Vamos ver se depois consegue ganhá-los no PSD.

Miguel, vamos a quem perdeu votos?

Quem perdeu votos foi a nossa querida Comissão Nacional de Eleições, que agora até vai recorrer ao Ministério Público para fazer queixa de Isaltino Morais contra os autarcas. Primeiro-ministro, acho que era hoje à tarde, não era?

Era. Não havia ganho hoje?

Sim, supostamente, finalmente, teriam tido uma queixa contra o primeiro-ministro. Haveria uma decisão hoje sobre o que a CNE pensa do que o primeiro-ministro está a fazer, mas eu não sei. Irão também recorrer ao Ministério Público. Será que vão usar o mesmo critério para toda a gente? Ficamos a aguardar, expectantes.

Até à meia-noite de amanhã há campanha, à vindima.

Isso. Portanto, lavar dos cestos, etc.

Exato. Rui Pedro.

Queres saber quem perdeu, Ricardo?

Quero.

Foste só tu e nunca eu.

Foi hoje.

Foi a penúltima vez. Com o que te disse é um sonho.

A citarmos Adelaide Ferreira.

Não, mas para dizer que, em coerência com o que disse anteriormente, Rui Rio que está a perder votos e porque queria dar aqui um outro detalhe, que há duas pessoas que vão falar neste grande comício de encerramento de Carlos Moedas hoje em Lisboa, que é o Luís Marques Mendes e Paulo Rangel. Luís Marques Mendes é uma figura, comentador de domingo, uma figura do partido, um ex-líder, e Paulo Rangel, não sei qual é a qualidade que ele vai lá, mas Carlos Moedas já lhe dá um estatuto de só falam duas pessoas e pelo menos duas figuras do partido, e uma é Paulo Rangel. Nesse sentido, Rui Rio pode hoje ainda recuperar. Eu faço esta ressalva que são 16h16 ou 18h16 e, portanto, na entrevista à SIC pode começar a disparar e recuperar este terreno perdido, mas efetivamente tem sido ele a perder votos. E deixa-me dizer também, já agora, que talvez os challengers a nível local possam perder um bocadinho de votos por causa do tempo. Os incumbentes normalmente têm mais metodologias e têm mais instrumentos para convencer as pessoas a ir votar, nomeadamente a nível até da própria empregabilidade. Alguns dos funcionários da câmara conseguem, mesmo estando a chover, que vão votar. Para aqueles que estão um pouco mais incomodados, inconformados com o estado das coisas, a tal abstenção, os abstencionistas, é mais difícil sair de casa se estiver a chover. E portanto, para quem quer desafiar o poder, talvez não seja muito bom e também talvez tenha perdido votos com essa informação meteorológica de que no domingo não vai estar bom tempo.

Está feito o balanço de quem anda a perder e ganhar votos neste penúltimo caça ao voto. Amanhã será o último, porque depois sábado, já todos sabemos, é dia de refletir. Agora vamos para a estrada. E vamos sem demoras para Oeiras, onde anda o jornalista do Observador, Gonçalo Correia. Olá, Gonçalo. Apesar da campanha criativa e cheia de números mais ou menos surpreendentes por parte do PSD, o independente Isaltino Morais só meio segue.

É verdade, Ricardo, o independente Isaltino Morais só meio segue. Há poucos estavas a dizer que prevê-se que vá chover domingo. Isso é um problema para o Isaltino Morais?

Norte e centro. Não te vais chegar a Oeiras. Em Oeiras o sol vai brilhar.

Ainda bem, porque o Isaltino Morais dizia-nos que acha que se tiver muita chuva ou se tiver muito calor, é um problema para ele, porque ele vai buscar votos mais ao eleitorado, segundo ele, do PS, do PSD, do CDS, e esse é o eleitorado mais suscetível à abstenção. Ele diz que o eleitorado mais extremado, que vota mais na ponta esquerda ou na ponta direita das candidaturas, é mais resistente ao mau tempo e vai votar, está mais ativado para o voto. Mas de facto é um espetáculo dentro do espetáculo a campanha de Isaltino Morais. Para terem uma ideia, há um carro personalizado para cada junta de freguesia que ele visita, em que se candidata. Se for a Barcarena, há um carro com uma mensagem altifalante e com uns slogans inscritos sobre Barcarena. Se for a Queijas, terá um carro para Queijas. Vai a um sítio, tem pessoas à espera, uma série de jovens na comitiva que vão circuando, que ele diz que são jovens muito responsáveis. Se for preciso, vão às aulas de manhã e vão à campanha à tarde. Se tiverem aulas à tarde, vão à campanha de manhã e seguem para a universidade à tarde.

Estás a descrever uma campanha particularmente ativa e sente-se assim nas ruas?

Sim, não se encontram muitas pessoas na rua. É um cenário que acho que se tem verificado em quase todos os conselhos do país. Não há muitas pessoas, mas há muitas pessoas a vir à janela, a cumprimentar o Isaltino Morais. Ele é que lidera a comitiva com um passo muito acelerado, anda de um lado para o outro e percorre uma série de quilómetros por dia. Nas horas que estivemos com ele, aquilo era muito frenético, a agenda mudava também muito rapidamente. Ele decidia ir a mais um sítio, mais dois sítios. Ia fazendo isso. Por um lado, temos essa candidatura, depois temos a candidatura do PS, que aposta muito em colar-se ao PS nacional, em apostar, como não tem um candidato com a popularidade, com o mediatismo, com a força de Isaltino Morais, atira o partido e o sucesso do PS nacional contra Isaltino Morais, faz-se valer desse trunfo. E depois temos o PSD que, através de Alexandre Poço, tenta captar muito um eleitorado jovem que não assistiu aos mandatos de Isaltino Morais nos anos 80, nos anos 90, não se lembra de como Oeiras Mudou de um conselho pobre para um conselho activo, em termos sociais e económicos, muito dinâmico. Portanto, não tem essa dívida de gratidão que vai dando as maiorias absolutas a Isaltino Morais e vai tentando captar esse voto, disputando provavelmente o eleitorado com a Iniciativa Liberal, um eleitorado mais jovem, mais urbano, que fará parte da minoria que não apoia Isaltino Morais. Mas de facto, Isaltino Morais conseguiu uma maioria absoluta há quatro anos, vindo da prisão, depois de ter estado preso, enfrentando o antigo vice, que agora era presidente da Câmara, o Paulo Vistas, na altura.

É quase um fado.

A expectativa é que cresça.

Essa história é quase um fado. Gonçalo Correia, jornalista do Observador, aqui em Oeiras. Rumamos para norte, onde está o jornalista João Francisco Gomes, que está em Ponte de Lima, um bastião do CDS que poderá deixar de ser. João Francisco, o CDS pode perder a única câmara que mantém desde o 25 de Abril?

Olá, Ricardo. É verdade, pode. O que acontece é que este ano o eleitorado que tradicionalmente foi mantendo o CDS à frente da Câmara Municipal de Ponte de Lima durante mais de 40 anos, está profundamente dividido. E não está dividido apenas ao meio, está dividido em três. O que acontece é que o atual presidente da Câmara, Vítor Mendes, está a chegar ao final do terceiro mandato, o que significa que não se pode recandidatar e está uma guerra fratricida pela sucessão a Vítor Mendes. Portanto, há uma candidatura oficial do CDS, que é o atual vereador Vasco Ferraz, mas depois há dois candidatos independentes que são ex-militantes do CDS, ex-autarcas do CDS e que saíram do partido no meio de alguma controvérsia durante os últimos anos. Por exemplo, temos o ex-deputado do CDS, Abel Baptista, que foi expulso do CDS há quatro anos por se ter candidatado precisamente como independente contra o CDS nas últimas eleições autárquicas e aliás, foi eleito vereador por esse movimento independente. E temos também o ex-vice-presidente da Câmara de Ponte de Lima, Gaspar Martins, ele próprio um ex-militante do CDS. Esse não chegou a ser expulso porque demitiu-se quando estava à beira de ser expulso por ter apoiado Rui Rio nas últimas legislativas. E o que acontece é que os dois estão a fazer campanhas por movimentos independentes que estão a ir captar muito do eleitorado que tradicionalmente votou neles ao longo dos últimos 40 anos.

Isso, João Francisco, deixa para outra pergunta. Tu acompanhaste essas três campanhas, tens algum prognóstico para domingo?

O que eu posso dizer é que nas ruas de Ponte de Lima respira-se eleições. De facto, é impossível andar pelas ruas do centro histórico de Ponte de Lima sem ouvir permanentemente carros com alto-falantes a passar a transmitir apelos ao voto. Há uma quantidade absurda de outdoors por metro quadrado. As campanhas, as arruadas cruzam-se a cada meia hora nas ruas do centro histórico da vila. Portanto, está de facto aqui um ambiente eleitoral, uma coisa muito interessante de observar, porque estas três candidaturas estão todas a lutar mais ou menos pelo mesmo eleitorado. E é preciso ter aqui atenção a uma coisa: apesar de o CDS estar à frente da Câmara Municipal há 40 anos aqui em Ponte de Lima, não é verdade que o eleitorado seja tendencialmente CDS. Aliás, se nós olharmos para as eleições legislativas em Ponte de Lima ganha tradicionalmente o PSD. Portanto, o que acontece é que as pessoas têm tendencialmente votado nos candidatos, nas pessoas. E agora o que eu posso dizer é que eu já entrevistei os três candidatos e todos eles estão com a certeza absoluta de que vão ganhar no próximo domingo. Portanto, todos eles garantem que vão conseguir ir buscar grande parte do eleitorado que em algum momento da história recente já votou neles, porque todos eles já passaram pela Câmara de Ponte de Lima. Portanto, vai ser muito interessante ver no próximo domingo o que acontece aqui e de facto pode acontecer que o CDS deixe mesmo de liderar a única câmara que tem vindo a liderar ininterruptamente desde o 25 de Abril.

Vamos obviamente estar muito atentos ao que se vai passar aí em Ponte de Lima, onde está o João Francisco Gomes, um dos jornalistas do Observador que estão na estrada por estes dias da campanha eleitoral. O Observador tem uma vasta equipa, há razões para o dizer, nas estradas, em Lisboa, no Porto e também noutros locais do país, para acompanhar e dar conta daquilo que se vai passando na campanha eleitoral. Aproveito também este momento para dizer que, obviamente, no domingo à noite vamos ter uma emissão especial que arranca ao final da tarde, uma emissão especial para acompanhar as eleições autárquicas, os resultados destas eleições autárquicas, e vamos acompanhar tudo ao pormenor durante esta noite. Já a seguir, neste Caça ao Voto, está na hora de ir ao fact-check. Bem-vindo, Pedro Reino.

Olá, Ricardo.

Avançamos para este fact-check no penúltimo Caça ao Voto e hoje olhamos para uma frase dita por André Ventura.

O líder do Chega falava em Moura esta quarta-feira no jantar-comício, em que voltou a ter um discurso muito crítico da comunidade cigana, em que atacou a corrupção e os privilégios concedidos à classe política em Portugal. O vídeo da intervenção de André Ventura está partilhado, ou foi partilhado no Facebook, e nós destacamos esta frase.

Nós queremos um país fixo para todos, e não apenas para alguns que vivem à nossa conta. Nós temos

239 políticos a receber milhares de euros por mês. Um deles é António Guterres, hoje secretário-geral das Nações Unidas. O homem ganha 20 mil euros por mês nas Nações Unidas. Não podia abdicar da sua pensão vitalícia em Portugal.

André Ventura a dizer que António Guterres, apesar de ser o secretário-geral da ONU, continua a ter direito a uma subvenção vitalícia em Portugal, que lhe é paga todos os meses. É ou não é verdade?

António Guterres é secretário-geral das Nações Unidas desde janeiro de 2017. Foi quando tomou posse pela primeira vez. Foi reeleito este ano e tem efetivamente um salário de cerca de 230 mil dólares por ano. Só que em termos de contexto, António Guterres também foi primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002 e desde esse ano que tem direito a uma subvenção vitalícia de mais de 4 mil euros brutos por mês. O que a lei prevê em relação às subvenções vitalícias? Prevê a suspensão de subvenções quando, por exemplo, o beneficiário exerce funções políticas ou públicas, e também prevê uma redução, que pode ser total ou parcial, quando existe uma atividade privada remunerada. António Guterres, o caso concreto que aqui nos prende, tem uma subvenção vitalícia ativa, e sabemo-lo pelo jornal Público, e por que está ativa? Porque de certa forma há um vazio na lei. A tal suspensão de que falávamos há pouco, quando alguém exerce funções públicas, como é o caso de António Guterres, não se aplica a quem exerce cargos em organizações internacionais. E isto sabemo-lo desde 2019, numa notícia do Eco que falou com a área que tutela estas subvenções. Há aqui uma possibilidade, que é a do próprio beneficiário pedir a suspensão. No caso de António Guterres, esse pedido não foi feito e, portanto, a subvenção mantém-se ativa.

E no caso deste fact-check, não há grande dúvida. A afirmação de André Ventura está factualmente correta, é isso?

É precisamente isso. Factualmente correta, é verdade, a alegação de André Ventura tem sustentação factual.

Vamos então ao carimbo verde. Toma lá o carimbo, Pedro.

É um carimbo verde e aqui está.

E agora uma adivinha: este hino que estamos a ouvir em fundo é de que força partidária e de que vila do nosso país? No final do Caça ao Voto, vamos desfazer este mistério. Para já, o Baú das Autárquicas. Em 2007, António Costa chega à Câmara Municipal de Lisboa numas eleições intercalares, devido à demissão de Carmona Rodrigues. Como nos recorda a Judite França, o atual primeiro-ministro venceu a Câmara em três eleições consecutivas.

O Baú das Autárquicas leva-nos a 2009, ao ano em que os portugueses foram chamados às urnas três vezes seguidas. Foi ano de europeias, legislativas e autárquicas. Era primeiro-ministro José Sócrates e António Costa recandidato à Câmara Municipal de Lisboa. Em 2007, Sócrates, também secretário-geral do Partido Socialista, propôs o nome de Costa à autarquia da capital, que realizava eleições intercalares após a demissão de Carmona Rodrigues. Na altura, comentava-se à boca pequena que Sócrates tinha enviado para os Passos do Conselho a concorrência. António Costa deixa o Ministério da Justiça e é eleito presidente da Câmara com quase 30% dos votos contra Fernando Negrão, do PSD. Em 2009, era reeleito com 40% dos votos e em 2013 com 51%. Sócrates terá esquecido a história. Quem sai da Câmara de Lisboa ou vai para Belém ou para São Bento. Nas ruas, as campanhas misturavam-se. Para as europeias, os candidatos saíam à rua em junho, os candidatos a primeiro-ministro em setembro e em outubro foi a vez dos autarcas. Com tantas eleições, o perigo de contaminação era grande e a competição feroz. As eleições europeias foram surpreendentes. O PS perdeu para o PSD quando as sondagens não o faziam prever. A opção para cabeça de lista social-democrata foi, aliás, polêmica. A líder era Manuela Ferreira Leite e escolheu Paulo Rangel. Todos vaticinaram uma derrota para o PSD, mas foi Vital Moreira o derrotado eleitoral. Depois seguiu-se a eleição legislativa. Aí José Sócrates ganhou sem dificuldade. Manuela Ferreira Leite fez uma campanha a custo. Pacheco Pereira tinha inventado a asfixia democrática, que os eleitores não perceberam, e o primeiro-ministro socialista continuava a despejar dinheiro sobre o país e a acumular dívida atrás do palco.

O Partido Socialista teve esta noite uma extraordinária vitória eleitoral. O povo falou e falou bem claro. O Partido Socialista foi de novo escolhido para governar Portugal e foi escolhido sem nenhuma ambiguidade.

A vitória não foi ambígua, mas esteve longe de ser extraordinária. O PS não foi além da maioria relativa e quatro anos antes José Sócrates tinha conseguido uma maioria absoluta. Chegam as autárquicas e servem como tira-teimas. Afinal, PSD um nas europeias, PS um nas legislativas, por fim, as locais e no mostrador passa a PSD dois. Apesar de Costa ter vencido em Lisboa, Porto, Gaia, Sintra ficam em tons laranja e na contabilidade final, o PSD conquista mais câmaras do que o PS.

A jornalista Judite França. E para acabar... Não cruzaremos os braços. Há tanto por fazer. Neste nosso concelho, para o desenvolver. E neste hino de campanha nunca é dito o nome da vila ou da força partidária que se candidata aos órgãos autárquicos. Se fizéssemos aqui uma prova cega do tipo adivinhe de onde é o hino, só os mais atentos iriam ouvir lá no meio a palavra Aljustrelense. Tudo o que nós precisamos, para o povo Aljustrelense. Trabalharemos unidos pela população. De olhos postos no futuro, com entrega e ambição. Seguindo esta pista, com este tipo de música e de letra, sim, é o hino da CDU de Aljustrel. Os comunistas propõem Fernando Ruas, não confundir com Fernando Ruas do PSD, que concorre por Viseu. Este Fernando Ruas é da CDU e concorre à Câmara de Aljustrel. A Câmara está nas mãos do Partido Socialista. A sonorização é do Dioczinho e da Beatriz Martel Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O Caça ao Voto regressa amanhã. Para que haja mudança, faremos o necessário. Com um projecto em mente para o bem comunitário. Trabalharemos unidos pela população. De olhos postos no futuro, com entrega e ambição. Não cruzaremos os braços. Há tanto por fazer. Neste nosso concelho para o desenvolver. Trabalharemos unidos pela população. De olhos postos no futuro, com entrega e ambição. Não cruzaremos os braços. Há tanto por fazer. Neste nosso concelho para o desenvolver.

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