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Continuamos a nossa busca pelas melhores histórias à boleia dos códigos postais, dos locais onde nasceram os atletas olímpicos portugueses. André, ontem não foi necessário rickshaw para ir às Caldas da Rainha. Hoje também não vamos precisar de carroça. Para ir onde?
Não, hoje vamos mesmo em cima do cavalo, João. Vamos à boleia do Equador e do cavaleiro João Miguel. Não João Miguel Santos, João Miguel Torrão. Vamos até Serpa e é lá que vamos encontrar as histórias do João Miguel, que é um dos atletas do dressage no equestre. Para quem não está bem a ver o que é, qual é a modalidade, simplificando, é aquela prova em que os cavalos dançam, vão fazendo uns movimentos. E eu devo dizer que tem sido uma das grandes estrelas aqui na redação. Eu, pelo menos, ainda não perdi nenhuma prova e tenho conseguido juntar várias pessoas para ver.
Não me digas que estás a pensar entrar para o equestre e fazer dressage.
Não, acho que não tinha muito jeito, Carla. Não nasci para isso, definitivamente. Mas olha que acho que há quem pode ter nascido para ser cavaleiro.
Ele é uma pessoa como todas as que nascem predestinados para uma determinada atividade. O João, nesse sentido, é uma pessoa que nasceu para aquilo que tem a ver com a dressage. Sempre foi aquilo que mais o interessou, que mais o motivou.
Isto é o que nos diz o Bento Castelhano, conterrâneo também de Serpa e amigo. É uma espécie de mentor do João Miguel Torrão. Eles conheceram-se precisamente porque o João queria melhorar alguns pormenores da prestação dele. O Bento deu-lhe uma ajuda nesse sentido e deve ter resultado, porque o maior elogio que o Bento lhe faz é mesmo esse: é o empenho, a dedicação, a atenção aos detalhes, aos pormenores.
Acredito que seja importante. Só com muito cuidado e com muito empenho é que se deve conseguir pôr um cavalo a dançar, como tu dizes.
Exatamente, sim. Mas o João Miguel é um atleta daqueles incansáveis e que parece ter a síndrome de Ronaldo, que nós já trouxemos aqui em alguns códigos postais, que é ser o melhor em tudo, seja nas provas, seja a ensinar. E isto sim, porque o João Miguel tem curso de treinador de dressage, de equestre, e pelos vistos também não se safa nada mal a ensinar.
Eu lembro-me depois, quando ele fez o curso de treinadores, quando fez o exame do curso de treinadores, um amigo meu, que fez parte do júri, vir comentar que tinha dado a nota máxima à aula que o João tinha dado, porque era um exemplo da maneira como ele tinha conduzido a aula, que sabia a matéria, que procurou o empenho daqueles que estavam no papel de alunos.
Nota máxima, por isso, no ensino para o João Miguel Torrão. E sim, isto é um truque de equestre, porque dressage em português é traduzido para ensino, portanto, faz todo sentido.
Olha, e quem julgo eu, também ser ensinado é o cavalo. Porque este código postal é sobre o João, mas então e o cavalo? Também é uma das estrelas, ou não?
É claramente uma das estrelas, Júlio. Aliás, como diz a minha mãe, os cavalos também deviam receber uma medalha e um diploma olímpico, até porque ainda por cima fazem a viagem para o Japão, de avião, neste caso, que também não é nada fácil para eles, precisam depois de um período de habituação. E neste caso, o cavalo do João Miguel Torrão é o Equador. E eu fiquei curioso quanto ao nome e perguntei ao Bento como é que se escolhem os nomes e, neste caso, como é que o João escolheu o nome do cavalo dele. E está aqui uma pista.
O nome do cavalo não é escolhido pelo cavaleiro, é escolhido pelo criador. Há criadores que põem de acordo com, por exemplo, o nome da mãe, para perceber qual é a linha materna de onde ele vem. Há criadores que põem a segunda sílaba, que começa pela mesma letra que começa o nome do pai.
Fica aqui o mistério sobre se o nome do Equador, do cavalo do João Miguel Torrão, foi dado por causa de alguma destas regras. De qualquer forma, até parece um nome normal e eu aqui tenho que fazer um parêntesis e desculpem, porque não podia deixar de contar isto. Eu enquanto estava a ver a prova de equestre de ontem dos nossos portugueses, fui ver o ranking mundial de dressage e na lista estão os nomes dos cavaleiros, mas também estão os nomes dos cavalos. E eu não sei se estão prontos para isto, excluindo aqui o João Miguel Torrão da equação, eu tomei a liberdade de selecionar alguns dos melhores nomes e trazer-vos.
Ótimo, vamos a isso.
Eu não sei se estão prontos.
Não sei, devemos estar.
Eu tenho pena de não ter aqui nenhum rufar de tambor, mas vá.
Então temos um James Bond.
Gosto.
Temos um Star Wars. Eu, pessoalmente, gosto muito.
Muito bom.
Temos um Danilo, que é assim mais simples.
O crocodilo Danilo.
É neste caso, o cavalo. Temos o Ben-Hur da Broa, que acho que é muito original.
Da Broa.
Ben-Hur da Broa.
Não era Ben-Hur da Brandoa? Não.
Não, era mesmo da Broa.
Deve ser só conhecido por Ben.
E depois temos outros mais cinematográficos, como o Mickey Mouse, ou alguns de futebol, como por exemplo, o Scolari. E aqui o Scolari tem uma particularidade, que é há um Scolari um, dois, três e quatro no ranking. Há vários.
Toda uma linhagem.
A nossa a pensar que era único e afinal não.
Sim, afinal há quatro. E temos também um Ronaldo. Não sei se é o português ou se o brasileiro. Temos o Faraó da Raia, temos o Baluarte da Broa. Temos o Eleito da Ferraria, que eu acho que também é muito bom. E temos este aqui, não sei se é de locais geográficos, mas alguém deve ter ido à Disneylândia e gostou, porque há um que se chama Disneyworld. Temos também um Espumante, o Ícaro das Figueiras, o Nadal de Susaeta e este parece que é retirado de um nickname de um videojogo de tiros, que é o Lord Nelson 55.
Que maravilha!
Que eu acho que é um nome complicado de se chamar a um cavalo, podia ser só Lord Nelson ou Nelson. Não, Lord Nelson 55. Pronto, ficam os melhores nomes da dressage. Neste caso, o Equador é o nosso preferido, porque é o do João Miguel Torrão.
Muito bem. E tu és o André Maia.
Não tenho nenhum cavalo, João, não.
Bom, obrigado, André. Não esquecer às 9h30 temos o grande prémio especial freestyle individual em dressage, precisamente com o atleta João Miguel Torrão, a Maria Caetano e o Rodrigo Torres. Eles que já conseguiram um diploma olímpico nestes jogos. Amanhã há mais histórias das origens dos atletas portugueses. Até amanhã ou até já, André.
Até já.
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