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E até o final dos Jogos Olímpicos percorremos o país à boleia dos códigos postais dos atletas portugueses. Hoje, novamente guiados pelo jornalista André Maia. Bom dia, André.

Bom dia, João Miguel. Bom dia a todos.

André, hoje vamos até à Ucrânia, ou será Braga?

Eu acho que prefiro Braga, João.

Braga. Mas olha que a Ucrânia não é de deitar fora.

Não, eu não me importava nada de visitar a Ucrânia, mas não agora. Se calhar vamos mais perto. Vamos já a Braga, primeiro. Despachamos Braga. Dá para irmos lá num instante conhecer um bocadinho a Tamila Holub, que é uma das nadadoras portuguesas que esteve em Tóquio e que antes, no Rio, por exemplo, fez história em 2016, participou com apenas 17 anos. Ou seja, nós até agora temos ido até ao início de carreira dos atletas. Neste caso, não é preciso andarmos muito. Ainda assim, já são uns aninhos, porque a Tamila já faz natação desde criança e há aqui diferenças também para outros atletas. É que nós temos ouvido muitas histórias neste Código Postal de atletas que desde pequeninos, que são exemplo de empenho, de dedicação. Aqui a Tamila preferiu fazer um bocadinho diferente.

Era uma miúda que brincava muito nas aulas. Ela via a natação como uma atividade de lazer e não como uma atividade séria, de competição. E gostava muito da água, mas para brincar.

Eu aqui sou team Tamila. Eu também na piscina gostava era de boiar, brincar, estar à vontade, um pouco aqui como nos contou o treinador atual da Tamila Holub, o Luís Cameira. A diferença da Tamila para mim, e por isso é que a história dela é muito boa, é que a certa altura a Tamila deixou de brincar e conseguiu chegar aos Jogos Olímpicos.

Portanto, a Tamila era uma criança a ser criança, e o que é que muda para ela depois se ter focado mais, André?

Primeiro muda essa parte. Cresceu um bocadinho, ganhou mais responsabilidade. Treinou mais, melhorou, mas também houve algo que foi fundamental, que foi o apoio, a motivação, também a exigência dos pais. E nisso, diz-nos o Luís Cameira, os pais são também olímpicos como a Tamila.

"Músculo dorido é músculo feliz". É uma frase da mãe muito característica. Que distingue das outras mães que tenho lá. Que me ligam às vezes a dizer que o miúdo está muito cansado, que não vai ao treino, que precisa de descansar ou que tem que ir ao médico. E ali não, músculo dorido é músculo feliz.

A partir daqui, a Tamila começou também, ela própria, a ser um poço de motivação, de empenho. Foi buscar muito isso também às origens. Lá está, músculo dorido é músculo feliz. E ela numa entrevista diz que tem a cultura soviética, vem da Ucrânia. Ora, eu perguntei ao Luís Cameira o que é isso da cultura soviética, já que ele é treinador da Tamila desde os 13 anos. Ele responde-me com uma história da Tamila quando ela foi operada de urgência a uma apendicite.

Ela foi internada de urgência e no dia seguinte eu fui visitá-la e ela não estava na cama. Andámos à procura dela, porque era o primeiro levante, as enfermeiras: "Como é que assim? Não falamos com ela". Ela já se estava a tomar banho, vestiu-se, vestiu-se toda em cadeira e vamos embora. E vinha toda cascadas, quer dizer, sério.

Na verdade, o Luís não percebe. Até porque eu próprio já fui operado a uma apendicite e a primeira vez em que me levantei foi semelhante a ser atropelado por um caminhão.

É verdade.

Neste caso da Tamila, o caminhão é que ficou em mau estado e ela aproveitou a boleia e um mês depois já estava a competir.

Então admite lá, André, tinha dado jeito a cultura soviética da Tamila.

Tinha, pois tinha, João, mas não só a soviética, também a grega, a romana. E isto porque diz o Luís Cameira: "Com 22 anos não há quem tenha o conhecimento cultural da Tamila Holub".

Ela vai com fones ouvir. A gente pensa que vai ouvir música, não, mas vai ouvir livros russos. Então a cultura russa domina bastante. A cultura egípcia, os romanos, os gregos. Tem muito mais avançada do que um jovem normal na idade dela. Domina as línguas também, muito. Fala muitas línguas, primeiramente as línguas de leste, domina-as todas. O inglês, contratações nos Estados Unidos.

Eu gostava que vissem aqui as caras que o João Miguel Santos fez enquanto estávamos a ouvir a quantidade, o repertório cultural da Tamila Holub.

Pronto, já percebi. Leito grego antigo, lei latina.

Exatamente. Eu vou nos fones normalmente a ouvir música e a Tamila vai ouvir livros gregos, russos. É incrível. Portanto, campeã em Portugal, campeã europeia, atleta olímpica, fala uma data de línguas. Por mim, a Tamila já tem uma medalha, mesmo que não a tenha ganho nestes Jogos.

Muito bem, André. André Maia com o Código Postal, que hoje nos levou até Braga, terra da atleta olímpica Tamila Holub. Amanhã há mais histórias das origens dos atletas portugueses. André, até amanhã.

Até amanhã.

Ou até já.

Até já.

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